Se tem um universo que parece ter gerado uma terrível ressaca coletiva é o de Game of Thrones. Após o final patético da série e duas temporadas ocas de A Casa do Dragão, parecia que qualquer tentativa de retomar esse mundo no streaming não teria a menor chance de reconquistar a boa vontade da audiência.
Eis que chega O Cavaleiro do Sete Reinos, que, assim como seu protagonista, tinha todos esses desafios impossíveis pela frente para serem superados e ainda assim triunfou. A primeira temporada da série é uma verdadeira lufada de ar fresco não só para a franquia de Fogo e Gelo em si, mas para todo o cenário de drama prime time da HBO e outras grandes plataformas.
O primeiro ponto forte da série está exatamente em optar por um formato e pegada totalmente diferente de Game of Thrones e A Casa do Dragão. Apenas seis episódios. Todos com no máximo 30 minutos. Foco em humor e aventura, nada de conspirações e traições e pessoas sendo horríveis umas com as outras 24 horas por dia, sete dias por semana.
Não que Westeros ainda não continuem horríveis e cheios de pessoas terríveis, mas a série escolhe trilhar outro caminho. O tom cômico por si só já carrega muito nas costas, mas muito peso também é levado pelos maravilhosos protagonistas: Dunk e Egg.
Se as outras duas séries apostam em escuridão e cinismo como temas complexos, Dunk é um raio de luz em um mundo sinistro que aposta em um caminho totalmente diferente: a bondade. Vivido maravilhosamente pelo ex-jogador der rugby irlandês Peter Claffey, o personagem é tão bondoso e ingênuo quanto é alto e grande. Um garoto órfão e miserável, seu sonho é ser um cavaleiro honroso que ajuda os mais fracos e que não perde esse ideal mesmo confrontado com quão horríveis são os cavaleiros da nobreza.
Essa história não é épica e grandiosa: é só sobre um cara normal com um coração de ouro tentando sobreviver em um mundo péssimo. Ao seu lado está Egg, que não posso contar muito pra não dar spoiler, mas que também é vivido de forma maravilhosa por Dexter Sol Ansell, sendo ao mesmo tempo adorável e sagaz.
Enfim, seus breves seis episódios são uma aventura e tanto, grande mérito do criador Ira Parker e de sua equipe de roteiristas e que vale muito a pena até para quem nunca ligou para Game of Thrones e só quer ver uma boa história conduzida por bons personagens.
