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O Brasil não está nem aí para o resto

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09.10.2012 - 09:44:51

Goiânia – Ontem de noite, me programei para assistir no Multishow HD, que está mudando seu nome para Bis, o show conjunto entre Titãs e a banda portuguesa Xutos e Pontapés. A apresentação aconteceu na quarta edição do Rock in Rio, em outubro do ano passado. Na ocasião, até acompanhei o festival pela televisão e assisti a vários shows do evento. Esse passou batido. Não sei direito o porquê, mas acredito que seja por essa nossa péssima mania brasileira de não estarmos nem aí para o resto e sermos arrogantemente auto-suficientes.

Somos completamente analfabetos em relação ao que acontece no restante do mundo. Sobre artistas e manifestações culturais, ainda nos ligamos precariamente no que rola no mundo da língua inglesa. Fora disso, é só o vazio. E mesmo no que parece que é ostensivo demais, por exemplo, a influência norte-americana, não é tão imponente assim. Na música, basta ver na seção de músicas mais tocadas da revista Billboard para perceber que a farta maioria é brasileira, independente do estilo.

Só mobilizei assistir o show que passou ontem por que, lendo sobre a organização do Rock in Rio do ano passado, vi que a sugestão dessa apresentação em dobradinha foi do lendário produtor Paulo Junqueiro, um portuga de primeira. Aqui cabe abrir um parêntesis. Há alguns anos me envolvi na pesquisa e escrita de uma biografia da banda Ira! a convite do meu amigo Alexandre Petillo. O livro não saiu devido o fim tretado da banda. Acabou resultando nessa biografia do Nasi que Petillo recentemente publicou. Nesse trabalho, tive a oportunidade de entrevistar Junqueiro. Por longas horas batemos papo e, na conversa, me encantei com o quanto o cara entende de rock. Eu já o respeitava muito pelo currículo e a quantidade de bons projetos que se envolveu. Depois da entrevista, minha atenção redobrou. Por isso quis ver o show de ontem. Fecha parêntesis.

Com a apresentação do Xutos, saquei o quanto tempo perdi em não conhecer antes o rock dos caras. Extremamente conectada, a banda não perde nada em vigor e contundência para o melhor rock feito no planeta. A mesma sensação tive quando produzi um programa Interativa Rock para a Interativa FM só de rock cantando em espanhol. Foi o mais difícil de todos que já fiz. A pesquisa para fazer uma coisa legal foi árdua, mas deliciosa. Conhecer tanta banda boa na língua hermana deu trabalho, porém foi recompensador.

Assistindo ao documentário Coração Vagabundo do Caetano Veloso, que aborda a turnê do disco Foreign Sound – inteiramente dedicado à música norte-americana, me recordo que o compositor baiano fala que países continentais não dão muita bola para o que acontece fora dele. Seria o que vive Brasil e EUA. Não tenho elementos para concordar ou discordar da hipótese levantada por Caê. O que sei é que a gente perde muito com essa maldita mania de só olharmos para nosso próprio umbigo. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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