Para mim uma das melhores definições de saudade vem da escritora Adriana Falção no seu livro Mania de Explicação: “Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue”.
Nada mais lindo, poético e verdadeiro. Durante a vida, muita água passa embaixo da nossa ponte. Momentos, lembranças, sentimentos. Alguns alegres, outros dolorosos. Por trás dessas lembranças está o mais importante: alguém. Alguém que você amou em um determinado momento e já não faz parte da sua vida. Um namorado, um amigo, um parente querido.
O motivo da ausência pode ser o rompimento, a morte ou a distância. Não importa a razão, o sentimento não termina com a ruptura, embora a maioria das pessoas acredite que quando se trata de um namoro ou casamento desfeito, o amor precisa evaporar junto com aquela relação.
Como se fosse possível apagar qualquer vestígio daquela pessoa com quem você dividiu afetos, risadas, beijos, brigas, olhares e amor. Com quem compartilhou intimidades e momentos que apenas vocês dois viveram. Mais ninguém.
Tem gente que prefere passar o apagador e, se possível, nunca mais mencionar ou lembrar daquele amor do passado. Aliás, esse é o mote para um dos mais interessantes filmes sobre o amor, Brilho eterno de uma mente sem lembranças (EUA 2004), estrelado por Jim Carey e Kate Winslet.
O filme conta a história de amor de Joel e Clementine. Desiludida com a separação, ela decide esquecer Joel para sempre e se submete a um tratamento que retira da sua memória os momentos vividos com ele. Para apagar a dor, ela prefere deletar também a história de amor dos dois.
Quando assisti ao filme fiquei muito tocada com a história. Acho que nunca abriria mão das minhas lembranças para evitar o sofrimento. Para mim, o amor pode continuar vivo mesmo com o fim, como bem cantou Gil, em Drão: "O verdadeiro amor é vão. Estende-se infinito”. Porque de fato, algumas pessoas saem da nossa vida, mas continuam no nosso coração. E isso não é uma coisa ruim. É apenas amor.