Logo

Novo projeto chileno de Constituição prevê voto obrigatório em plebiscito

WhatsAppFacebookLinkedInX
14.12.2022 - 10:37:33

São Paulo – Após três meses de debates, o Congresso do Chile chegou a um acordo, na segunda-feira (12/12), para começar o próximo processo constituinte, depois que uma proposta de nova Constituição foi derrotada em plebiscito em setembro. Após várias tentativas frustradas de se chegar a um acordo sobre o formato, os partidos políticos obtiveram um consenso durante reunião no antigo Congresso Nacional, em Santiago. Estima-se que todo o processo do plebiscito anterior tenha custado aos cofres públicos R$ 420 milhões. Semanas atrás, as partes já tinham concordado com as 12 bases constitucionais, mas havia divergência sobre a forma como seria redigida uma nova Constituição.

A resistência vinha principalmente da direita, que votou contra o projeto anterior, rejeitado pela maioria da população. A nova Carta será redigida por um órgão denominado Conselho Constitucional, que será formado por 50 pessoas escolhidas em uma eleição em abril. O órgão terá o apoio inicial de 24 especialistas indicados pelo Congresso. Haverá também um Comitê Técnico de Admissibilidade, de 14 juristas, que funcionará como árbitro das bases constitucionais.

Nova votação
A elaboração da nova Constituição começa em 21 de maio, com conclusão prevista para 21 de outubro. O plebiscito, que acatará ou rejeitará a nova Carta, está previsto para 26 de novembro, com comparecimento obrigatório dos eleitores, uma novidade no Chile. Na eleição da assembleia que redigiu a Carta rejeitada no plebiscito, o comparecimento foi de apenas 43%. A esquerda teve uma vitória esmagadora, sem que a direita alcançasse um terço dos votos para vetar artigos. Por outro lado, a legitimidade do órgão perante muitos setores da população se viu enfraquecida, o que levou à rejeição da proposta de nova Constituição.

Como na antiga Convenção Constitucional, a formação do Conselho seguirá o princípio de paridade de gênero, e os assentos serão distribuídos de maneira igual entre homens e mulheres. Também haverá assentos para povos originários. "Discutir e redigir uma Constituição hoje é importante e essencial e exige um nível de profissionalismo, contar com especialistas; da mesma forma, deve ser feito por um órgão que não o Congresso, com dedicação exclusiva", diz o acordo assinado pelas partes. O texto, batizado de Acordo pelo Chile, parte da premissa da "convicção de que é indispensável habilitar um processo constituinte e ter uma nova Constituição" para o país.

Projeto de Lei
Por ser uma norma que reforma a atual Constituição, o acordo terá de ser votado em forma de projeto de lei no Congresso e ratificado por 4/7 dos parlamentares. Foram excluídos da assinatura do acordo o ultradireitista Partido Republicano e o Partido da Gente, alinhado com a direita populista. Os primeiros esboços de um acordo começaram a ser feitos no fim de setembro, apontando um novo colegiado eleito, tendo o auxílio de um comitê de especialistas, incluindo constitucionalistas e advogados. O modelo vinha sendo defendido por líderes como o ex-presidente Ricardo Lagos.

O acordo para a redação foi negociado a pedido do presidente Gabriel Boric. O resultado do plebiscito de setembro foi a primeira derrota significativa do presidente, que tinha menos de seis meses no cargo. Na ocasião, a nova Carta proposta tinha sido defendida por uma ampla coalizão de esquerda e parte essencial de sua campanha presidencial. A derrota levou a uma reforma ministerial, com seis trocas que deixaram o governo Boric mais de centro-esquerda.

 Protestos
O processo constituinte chileno surgiu como uma resposta política à onda de protestos em massa que abalou o país no fim de 2019, a maior desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Os partidos abriram a passagem para uma Convenção Constituinte, que funcionou por um ano para mudar a lei fundamental herdada da ditadura e parcialmente reformada na democracia. Em outubro de 2020, 80% dos chilenos decidiram num plebiscito aposentar a Constituição de 1981. Mas, dois anos depois, não houve consenso para aprovar o novo texto. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Mercado
09.10.2026
Prefeitura de Goiânia oferece 25 vagas de emprego com salários de até R$ 2,8 mil na Maternidade Dona Iris

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Goiânia anuncia que o Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI) está com processo seletivo aberto para 25 vagas de emprego. São 10 para contratação imediata e outras 15 destinadas à formação de cadastro de reserva. Os salários variam de R$ 1.800 a R$ 2.800, de acordo com o […]

Fenômeno
09.10.2026
Fortes temporais provocam enxurrada de água e lama no Chile

A Redação  Goiânia – Uma enxurrada provocada por fortes chuvas arrastou carros e ônibus e inundou casas, clínicas e escolas em Santiago, capital do Chile, na quinta-feira (8/10). O distrito de Las Condes, na região leste da cidade, foi atingido pela correnteza de água, lama e pedras, que deixou veículos presos na lama e ruas […]

Indústria
09.10.2026
Fieg apresenta cases de sucesso no Encontro Nacional de Gestores do Procompi

A Redação Goiânia – O Encontro Nacional de Gestores do Procompi reuniu representantes de 21 estados, nos dias 7 e 8 de outubro, na Casa da Indústria, em Fortaleza (CE). A gerente sindical da Fieg, Vanessa Almeida, participou do evento, que avaliou os resultados do programa, compartilhou experiências bem-sucedidas e discutiu a construção do próximo […]

ACIDENTE
09.10.2026
Caminhão perde freios e invade casas em Caçu

A Redação  Goiânia –Um caminhão perdeu os freios e invadiu duas casas no município de Caçu, na noite de quinta-feira (8/10). Apesar do susto, ninguém se feriu. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o caso foi registrado na Rua Vicente Soares. Segundo o relato dos militares, o caminhão colidiu inicialmente contra a quina […]

Advocacia
09.10.2026
Miguel Cançado é eleito presidente do Instituto de Advogados de Goiás

A Redação Goiânia – O advogado e jurista Miguel Cançado foi eleito presidente do Instituto de Advogados de Goiás (IAG) para o quadriênio 2027-2030. Ele sucederá o atual presidente, Flávio Buonaduce Borges, e terá ao seu lado os advogados Julio Cesar Machado, como vice-presidente, e Hallan Rocha, como diretor tesoureiro. A nova liderança dará continuidade […]

Internacional
09.10.2026
Nobel da Paz é concedido à jurista sul-africana Navi Pillay

Brasília – O Prémio Nobel da Paz 2026 foi atribuído à jurista e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda Navanethem “Navi” Pillay, anunciou nesta sexta-feira (9) o Comitê Nobel norueguês. A sul-africana Pillay, de 85 anos, foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional, indicou o presidente do Comitê Norueguês […]

PARQUE OESTE INDUSTRIAL
09.10.2026
Grave acidente em Goiânia deixa dois motociclistas em estado grave

A Redação  Goiânia – Dois motociclistas ficaram gravemente feridos em um acidente na manhã desta sexta-feira (09/10), no Setor Parque Industrial, em Goiânia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, uma das vítimas foi arremessada do viaduto. O caso foi registrado na Avenida Pedro Ludovico Teixeira. Os motociclistas foram encaminhados ao Hospital de Urgências de Goiás […]

12 de outubro
09.10.2026
Feriado da Padroeira do Brasil: confira o que muda no funcionamento das repartições públicas estaduais

A Redação Goiânia – O feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, celebrado na próxima segunda-feira (12/10), altera o funcionamento das repartições públicas estaduais. Na data, os órgãos e unidades do Executivo que não prestam serviços essenciais não terão expediente. O atendimento será normalizado na terça-feira (13/10). Os serviços considerados essenciais não serão […]