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Novas águas e os mesmos ideais

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24.07.2015 - 18:25:58

Heráclito de Éfeso, emblemático filósofo pré-socrático, disse que um homem nunca se banha duas vezes no mesmo rio, visto que em seus próximos encontros com as águas o homem não será mais o mesmo e o rio também não.
 
Assim acontece com a OAB/GO, “as águas” são diferentes, devido a falta de transparência na gestão externada nos principais meios de comunicação. Em virtude desses lamentáveis fatos, a Ordem vive um momento delicado atualmente, mas esse momento é favorável para quem enxerga nele a oportunidade de mudança do cenário eleitoral.
 
Tal como o rio, hoje não sou mais o mesmo. Amadureci sim, e muito. E sou imensamente satisfeito por isso. Tenho convicção dos ideais que sempre busquei, primeiro, melhorar a finalidade institucional da OAB e, segundo, defender de forma intransigente o seu principal patrimônio: a advocacia.
 
Nas três últimas eleições da Seccional Goiana, devido minha militância fui solicitado para a liderança do movimento de Renovação. Combati o bom combate. A luta valeu. Conseguimos através do nosso trabalho pavimentar e dar musculatura ao movimento de mudança. Nossas ideias e propostas pautaram boa parte das últimas gestões, mas ainda falta muito. Para manter sua hegemonia, a situação se entregou a vários conchavos, revelando uma administração apodrecida, que culminou nesta crise política atual, desvendada pelo fogo amigo do próprio presidente em exercício, o imenso lamaçal de dívidas adquiridas ao longo desses anos.
 
Enfrentávamos uma máquina que administra dezenas de milhões de reais por ano, com forte e ostensiva propaganda no seio da advocacia. Tivemos inúmeros problemas, afinal, não tínhamos o pleno acesso aos bancos de dados da entidade para conversar com todos os nossos colegas, tanto da capital, como do interior. No entanto, sempre tivemos votações expressivas, inclusive com três vitórias consecutivas na capital e em outras subseções, o que já indicava uma “forte” rejeição aos trinta anos de continuísmo de um mesmo grupo. É comprovado que a alternância de poder é essencial para a Democracia. 
 
Tudo isso reforça a necessidade de reforma nas diversas áreas, em especial a de instituir a proporcionalidade no Conselho, para dar vez e voz a todas as forças políticas e correntes de pensamentos. Fui conselheiro seccional em 2004/2006, e desde aquela época, nunca houve ampla deliberação e discussão sobre as contas orçamentárias da entidade. Era uma imposição absolutista do núcleo dirigente. Protestei veementemente contra a forma de condução do então presidente Miguel Cançado (2004/2009), acabei apartando-me do grupo OAB Forte, o que me fez abrir a percepção para um olhar mais crítico sobre o domínio feudal que uma minoria faz da nossa entidade.
 
Desde 2006 já alertava para uma ampla reforma política e eleitoral na Ordem. Era necessário um conselho plural e democrático, que correspondesse à votação das chapas. Pretendíamos instituir modelos de licitações para as contratações de obras, compras e serviços e a tão sonhada transparência, demonstrando como eram gastos os recursos da entidade.
 
Assim nasceu a chapa Renovação que obteve em 2006, 44% dos votos; em 2009, perdemos a disputa por apenas 2% dos votos; e em 2012, obtivemos 45% frente a 55% do grupo situacionista. Ou seja, esse contingente de advogados que acreditam e participam dos nossos projetos não são representados, uma vez que a OAB adota o modelo de “chapa batida”, sem segundo turno. Uma contradição, para uma entidade com a dignidade histórica da Ordem, a qual deveria ser paradigma de democracia plena.
 
Infelizmente, não tivemos êxito nas eleições e tudo continuou da mesma forma de sempre. Nunca foram prestadas contas à advocacia de como são gastos os valores milionários que a OABGO movimenta. Esse obscurantismo conduziu a atual situação que estamos: a entidade endividada, o quadro político insustentável, e a credibilidade da instituição vê-se abalada perante a sociedade.
 
Infundido na importância de se promover uma mudança, como instrumento de prestígio das instituições democráticas, sinto que já cumpri meu papel pedagógico de militante, motivo pelo qual não serei mais o candidato a presidente. Continuarei lutando contra a apropriação da entidade por uma minoria.
 
O silencioso, contínuo e planejado debate com a advocacia goiana, realizado nos últimos anos, nos revelou o nome do colega Lúcio Flávio como o novo líder do movimento, a quem encarregamos nosso legado classista. Sou imensamente grato aos inúmeros pedidos para que continuasse encabeçando o Movimento de Renovação, pois sempre defendi a construção de um projeto coletivo, plural, participativo e não de nomes.
 
Lúcio Flávio é acertada opção a presidente. Com sua habilidade tem aberto com ética e transparência  uma nova via de diálogo com a advocacia, está alinhado com nossas bandeiras, aglutina a todo instante novas forças que sonham com uma OAB melhor.
 
Estarei de corpo e alma na coordenação dessa campanha que se avizinha, a qual trabalho para viabilizar uma futura candidatura ao Conselho Federal, e hipoteco meu incondicional apoio a Lúcio Flávio, o qual está preparado para o embate com aqueles que costumam criar uma rede de desconstrução de qualquer um que se atrevem a tirá-los do poder.
 
Uma nova geração de advogados se propõe a continuar os ideais da Renovação. Os que jamais se abstiveram de lutar, como eu, continuam na vanguarda. Aguardamos um novo tempo para a nossa entidade. Infelizmente, o tempo nos deu a razão: a continuidade excessiva de um grupo que não preza pela transparência e pelo respeito ao advogado trouxe uma nódoa grande no prestígio da Ordem.
 
Nas eleições deste ano, temos a oportunidade de realizar as mudanças necessárias nas práticas políticas, em busca de novas águas, novos sonhos e os mesmos ideais por uma ordem plural, transparente e participativa. Eu acredito!

* Leon Deniz é advogado

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por Leon Deniz

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