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Não há perdão para as feias

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14.03.2012 - 13:59:23

Poucas coisas intrigam mais as mulheres do que se deparar com um casal em que o homem é um Apolo e sua companheira uma moça considerada feia. O contrário ninguém julga ou comenta. Mas é só uma feiosa aparecer com um deus grego para todas colocarem aquele ponto de interrogação na cara.

_ Nossa, o que ele viu nela?
_ Só pode ser interesse. A fulana é podre de rica. Golpe do baú. Batata.

 Se a mulher em questão, além de feia, é pobre, aí o mistério toma proporções ainda mais enigmáticas. E se for feia e gorda, nem Freud explica.

Entre admiradas e perplexas e uma pontinha de inveja, as luluzinhas queimam os neurônios em busca de uma explicação plausível. Será que é mel? Ou aquele famoso chá que se toma na cama e entre lençóis?

Mas afinal o que ele viu nela?

Provavelmente, muito além do que a maioria enxerga. Provavelmente, viu além da casca. Pode ter sido seduzido pela inteligência, espirituosidade, alegria, leveza, bom caráter, generosidade. Sem dúvida, qualidades menos apreciadas atualmente do que um belo par de coxas e peitos.  Afinal, a ausência de atributos físicos virou quase falta de educação, para não dizer falta de higiene, já que segundo consta só é feio quem quer e não se cuida.
 
Está decretado: é proibido ser feio.

Defeitos como mau caratismo são mais facilmente perdoáveis do que a ausência de beleza. Na distorção de valores que hoje impera nas nossas vidas, os “mal diagramados”, pegando emprestado uma expressão do jornalista Xico Sá, já nascem em desvantagem. As feias precisam rebolar muito mais para provar que valem um segundo olhar. Porque homem pode ser o feio simpático, o feio engraçado, o feio charmoso, o feio bonito. Mulher é simplesmente baranga, mocreia, canhão. Não há perdão para as feias.

Por isso, quando a feia desfila com um Apolo apaixonado, tanta curiosidade é despertada. Todos querem saber o que ela tem. Eu arrisco um palpite: borogodó. E isso, convenhamos, não é pouca coisa.

 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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