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Não existe lei de trânsito debaixo de chuva

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31.01.2013 - 17:29:01
Cenas que vi nos últimos dias chuvosos de Goiânia e que preciso contar em detalhes para que você acredite. Repito: eu vi, ninguém me disse. Caso contrário, você poderia até achar que seria exagero do meu interlocutor. Não é o caso.

1- Água caindo forte dos céus no Setor Central em um dia de semana no final do expediente. Um carro entra na contramão do anel externo da Praça Cívica para atalhar e pegar alguém que esperava no posto de gasolina. Buzina para todos os lados e o indivíduo ainda acha ruim. Veja só você…

2- Cruzamento da Avenida Anhanguera com Alameda dos Buritis. Chuva média caindo. Sinal fechado. Os motoristas solenemente ignoram a luz vermelha e provocam um congestionamento de todos os lados. O caos.

3- Estava saindo do Mercado Municipal da Rua 3 e parei na faixa de pedestre com minha filha mais nova no colo. Garoa forte em nossas cabeças. Nenhum carro dava passagem para que atravessássemos a via. Comecei a sinalizar, pois já estávamos molhando muito. Uma boa alma parou. O carro que vinha atrás foi cortar, quando me viu na faixa com uma criança no colo, freou bruscamente, derrapou alguns metros e por pouco não bateu no veículo que tinha parado antes.

Esses são só alguns casos que me vieram à mente. Se continuar contando as cenas que já presenciei, o texto fica maior que o Antigo Testamento. E tenho certeza que você também tem mais de uma dúzia de situações para elencar nesse rol. Eu não sei que por que infernos o motorista goianiense acredita que quando está chovendo, de forma instantânea tudo que ele cumpre meio que a contragosto no dia a dia vai literalmente por água abaixo. Será que você consegue me explicar a razão disso?

E o curioso é que deveria ser justamente o contrário. Com chuva, a visibilidade piora de forma significativa, o atrito dos pneus com o asfalto diminui e o carro perde estabilidade, os freios não respondem com a mesma eficiência. A prudência deveria ser dobrada. Mas a ideia geral é que tudo isso é bobagem. Na chuva, o que vale é o cada um por si.

Acredito que o comportamento imprudente se deva à percepção de que durante a chuva não temos agentes punindo os infratores. Vale tudo. “Se não vão me multar, faço aquilo que bem entender”. Ou seja, o brasileiro não cumpre regra alguma por ímpeto cidadão ou consciência. É só o medo da multa. O velho vigiar e punir foucaultiano. 

É por isso que defendo que tenhamos um pardal em cada sinaleiro com medidor de velocidade. É triste constatar isso, mas só com a certeza da multa por furar sinal ou correr em excesso é que vamos mudar nosso comportamento no trânsito. Frustrante.
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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