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Movimento Sem Chapinha

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20.09.2012 - 10:43:04


Goiânia – Quando acordei na manhã de hoje e vi que o tempo estava nublado, com uma fina garoa incomum em terra goianiense, após o feliz bom dia ao dia, pensei: “hoje a mulherada de chapinha está enrolada”. E dei uma gostosa gargalhada. Não tem Mr. Bean, Monty Python, TV Pirata ou Trapalhões que me faça rir mais do que ver mulher andando na rua com sacola de supermercado na cabeça. É hilário.

Há um tempo, eu e vários amigos montamos o Movimento Sem Chapinha (MSC). Esse grupo tinha seu braço teórico (e etílico) do qual eu fazia parte, mas também tinha a facção que acreditava na revolução por meio de ações mais contundentes. No meio da balada, a galera tinha como missão estragar a chapinha alheia. Para isso, se valiam dos meios mais criativos. Desde um esbarrão proposital para derrubar bebida no cabelo da garota até rodar uma lata de cerveja no meio do show e destruir as chapinhas no raio de cinco metros ao redor. Tudo pela causa. São extremistas, eu sei. Alguns dirão até terroristas. Mas cada um empreende sua luta da forma que acha adequada.

Não entendo por que diabos criamos a ditadura do cabelo liso. Talvez seja a máxima nelsonrodriguiana do nosso complexo de vira-latas. Seguimos candidamente essa imposição cultural do mundo setentrional ao meridional. Talvez seja porque cabelo liso dá menos trabalho que o cacheado. Talvez seja por algo que sequer consigo supor. Não sei. O que sei é que é absurdamente constrangedor ver gente com cabelo crespo esticando suas madeixas para sei lá o quê. Cabelo igual ao do James Brown é o fim da picada. Embora ame o som do Papa do Soul, não dá para ter a mesma simpatia pelo seu cabelo.

Acho que todo mundo que assume o que é fica mais feliz. Acho que todo mundo feliz fica mais bonito. Então, acho bem mais bonitas e atraentes as mulheres que ostentam orgulhosamente as madeixas naturais do que aquelas que gastam fortunas nos salões para ficar com cara de Barbies do Paraguai. Seja liso, seja crespo. Seja volumoso, seja escorrido. Não importa. O timbre é justamente estar satisfeita com aquilo que é seu. Pena que não é tão simples…

Eu não gosto muito de ir naquela região dos bares e restaurantes do Maristão. Acho bombado demais, um lugar sem identidade, um martírio para estacionar e aviltante pagar aquela fortuna aos flanelinhas. Mas não tenho dúvidas que hoje será um dia divertido para estar lá. Ver aquele tanto de paty de vestidinho, salto alto e sacola de plástico de supermercado na cabeça será impagável. E aí, topa ir lá para rir um pouco?  

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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