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Moqueca de ovo

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24.08.2012 - 17:03:27

Na minha cabeça, a cozinha era algo quase místico. Um espaço onde as pessoas iluminadas chegavam e transformavam aqueles produtos secos, sem vida e crus em pratos magníficos, deliciosos e que são capazes de proporcionar prazeres orgásticos. Eu tinha medo de pisar ali. Não me considerava competente o suficiente para dominar aquela técnica. Sei lá, tipo pilotar avião: você olha aquele tanto de botão e se impressiona que alguém consegue controlar tudo aquilo. Na minha tosqueira habitual, eu só sabia fritar ovo. E, distante da modéstia, ficava um belo zóiudo.

Novamente com a humildade de um Romário, posso me gabar de ser hoje um cozinheiro de mão cheia. Não tem prato que me dê medo. Dos temperos mais excêntricos às carnes mais exóticas. Das massas mais complicadas aos pontos mais absurdos. Não tenho medo de nada. Vou aos melhores empórios da cidade sempre com a ajuda da fiel escudeira Laila (minha primogênita) e desbravo o mundo dos ingredientes como um bandeirante esmiuçando o sertão do Brasil. Essa mudança de atitude tem como responsável o Larica Total.

Para você que não sabe, esse é um programa televisivo gastronômico do Canal Brasil, como diz o ator Paulo Tiefenthaler – o protagonista da balbúrdia, de guerrilha. É a cozinha da vida real. Daquelas receitas que você se vira com o que acha na geladeira. Nada de nomes esquisitos e coisinhas que você não conhece. É a verdade da panela suja na pia e um vidro de azeitona aberto na porta da geladeira.

Os nomes das receitas são um show particular da atração: sushi de feijoada, yakisobra, frango total flex, estrogonofe de salsicha, moqueca de ovo (que batiza esse texto só para fazer um contraponto à certamente deliciosa moqueca de surubim que a colega aqui do A Redação Deisy Ferraz postou, e que vou fazer para experimentar)… Cada um melhor que o outro, tanto na criatividade do batismo quanto no, pasme!, sabor.

Quando vi o cara fazendo essa cozinha real, na hora pensei: “Uai, desse jeito aí eu também dou conta!”. Dito e feito. Comecei a me adentrar nesse universo e foi sem volta. Primeiro fiz um macarrão alho e óleo. Depois mandei um misto gratinado. Assistia os vídeos no Youtube e já sabia qual seria o almoço do meu dia seguinte. Agora me sinto absolutamente sem fronteiras com as panelas.

Estou certo que o Larica Total criou uma geração de pessoas que se interessou pela gastronomia pela desmistificação que o programa empreendeu. Sou prova disso e acompanho mais gente nas redes sociais que também compartilham dessa experiência. Se hoje sei um pouquinho sobre comida, o responsável é Paulo Tiefenthaler. O cara cumpriu uma função social tremenda e me deu um baita hobby que me diverte horrores.

Muito obrigado, Larica Total!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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