Mônica Parreira
Pirenópolis – A lua cheia que banhou Pirenópolis no domingo (28/10) já indicava uma noite especial. No palco do Campo das Cavalhadas, uma sucessão de fatos fizeram concorrência à beleza lunar. Milton Nascimento encerrou o Canto da Primavera dividindo com o público duas alegrias: 70 anos de vida (completados no dia 26 de outubro), dos quais 50 dedicados à sua brilhante carreira.
Não era de se espantar que, com toda simplicidade, Milton Nascimento fosse capaz de atrair um público miscigenado, do filho ao avô. Gente de todas as idades e com os mais variados estilos se reuniram para acompanhar de perto a apresentação deste que é um autêntico pioneiro da MPB brasileira.
Difícil imaginar como alguém, que carrega uma bagagem cultural desta, foi capaz de resumir tantos anos de carreira em pouco mais de uma hora e meia de espetáculo. Mas artista é artista, e ele o fez.
O mineiro de coração entrou no palco cantando “Bola de meia, bola de gude”. Além de seus maiores sucessos, o compositor ainda encontrou espaço para recitar poemas e interpretar outros grandes nomes da música brasileira. Esteve no repertório a canção “Cuitelinho”, de Paulo Vanzolini, e “O Sol”, que é sucesso na voz da banda Jota Quest.
Canção de aniversário
Quem esperava pela música “Canção da América”, foi embora para casa sem ouvir uma estrofe da boca de Milton. Quando o show já caminhava para o fim, o artista contou brevemente a história dessa composição. Despretensioso, confessou que não esperava tamanho sucesso da música, e aproveitou o momento para pedir um presente de aniversário à plateia.
“Eu não sabia que ela ia se transformar no que é hoje. Entrega de diploma, toca ela. Festa de aniversário, ela. Enterro, ou qualquer outra coisa, ela. Então, como estou comemorando meus 50 anos de carreira, eu gostaria que vocês cantassem essa música para mim”, pediu.
Foi talvez o momento mais emocionante do espetáculo. Sentado em um banco no meio do palco, Milton estendeu o microfone durante toda a música e contemplou as mais de 10 mil pessoas presentes lhe prestando esta homenagem.
Compasso no céu
O músico não deixou de ressaltar a beleza da lua cheia que pairava sobre Pirenópolis. Como quem quisesse ficar ali cantando até o amanhecer do dia, Milton Nascimento fez melhor: selou o show eternizando aquela noite para sempre na memória dos fãs presentes ao cantar os versos “A lua girou, girou. Traçou no céu um compasso”.
O Canto da Primavera começou no dia 24 de outubro (quarta-feira) e reuniu, ao longo de toda a programação, cerca de 50 mil pessoas. Mais que oficinas, desconferências e mostras de cinema, o festival levou à Pirenópolis artistas de variados estilos musicais, que revezaram as apresentações em quatro palcos diferentes.
Além de Milton Nascimento, passaram pelo palco principal artistas como Otto, Marcelo Jeneci, Velha Guarda da Portela, Criolo e o goiano Diego de Moraes.