Yuri Lopes
Goiânia – Adiantado em algumas semanas em decorrência da Copa do Mundo, a 16ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) se firma como um evento respeitado, esperado e de tradição em Goiás não pelos atrativos diferentes a cada ano, mas pela permanência daquilo que é essencial ao festival: a mostra competitiva de filmes com temática ambiental. Quem afirma isso é o secretário de Estado da Cultura, Gilvane Felipe.
O titular da Secult Goiás recebeu a reportagem do Jornal A Redação em seu gabinete, onde falou sobre o festival, as novidades, a importância do respeito ao júri, da escolha do homenageado, o escritor goiano José Mendonça Teles, das reformulações pelas quais o evento passou e do lado positivo em ter que adiantar o Fica por conta da Copa.
Confira a seguir a entrevista na íntegra sobre o evento que recebe cerca de 150 mil pessoas nos seis dias:
A Redação – Em 2012 houve uma polêmica por conta da não seleção de nenhum filme goiano para a mostra competitiva do Fica. Agora o festival tem uma categoria específica para produções goianas. Você acha que incluir esta categoria foi uma decisão acertada?
Gilvane Felipe – Nós sempre tivemos produções goianas participando do Fica. Apenas no Fica de 2012, o júri, diante dos filmes inscritos, achou que nenhum merecia entrar na lista da Mostra Competitiva. Isso gerou uma polêmica, alguns quiseram que a gente mudasse, e nós decidimos não mudar. A decisão de um júri tem que ser respeitada, não pode ser mudada numa canetada. O que fizemos foi ouvir representantes do audiovisual, dialogamos, e eles sugeriram que o júri tivesse que selecionar pelo menos dois filmes goianos. Foi o que atendemos essa reivindicação.
Como funciona a definição das atrações musicais nacionais?
É um processo complexo, que envolve desde a indicação de nomes, até agenda dos nomes sugeridos. A gente ouviu sugestões de pessoas, parceiros, mas a decisão final sempre cabe à Secult. Tanto as atrações musicais, quanto as de cinema, de meio ambiente. Em relação às atrações regionais, é feita via edital, escolha da curadoria e revezamento de participação.
Você se encontrou com a prefeita de Goiás, Selma Bastos, para acertar detalhes para o Fica. O que foi definido nesta reunião?
Cabe à prefeitura cuidar de detalhes como o trânsito, fiscalização do comércio, barraquinhas, além de serviços como segurança, saúde, emergência, iluminação pública, água, lixo, limpeza, todas essas questões são obrigação, inclusive por lei, do município. A grande novidade é que neste ano estamos tendo uma parceria muito constante com a prefeitura de Goiás, que tem se responsabilizado por questões básicas. Nós tínhamos que ir atrás de fiscalização, iluminação, e que nos preocuparmos com questões de trânsito. Por incrível que pareça outras administrações não atendiam esses requisitos básicos. A prefeita participou de toda a reunião realizada em Goiás, opinou, ouviu os participantes. Foi bastante positivo.
Sempre que o Fica é anunciado, uma das maiores curiosidades é sobre as novidades. O que foi mudado, o que permaneceu no evento?
Acho que é importante dizer que o que faz um festival se transformar em tradicional, não são as inovações, mas as permanências, como o edital, o regulamento que não muda ao sabor do vento. O Fica tem um júri que é respeitado mesmo quando o resultado é polêmico. Por exemplo, no caso dos filmes goianos, se a gente mudasse numa canetada, como isso ia chegar na Europa? Eu já morei na Europa, eu sei como ia chegar. Chega como chega toda notícia de país de terceiro mundo. 'Isso aí o secretário da vez que decide não é júri nem nada'.
Qual outro exemplo onde a decisão do júri foi soberana?
Uma vez, em uma gestão passada, houve uma polêmica, que era um pedido para retirar um filme sobre o amianto. E não foi retirado. E não pode haver esse tipo de corte. Imagina se sai um boato de que um filme foi censurado por conta do tema do filme? Apesar de ser um evento promovido por órgão púbico, ele tem ficado imune a esse tipo de pressão.
Mesmo que não sejam as questões primordiais do Fica, quais são as inovações para este ano?
A gente sempre tenta fazer inovações, chamarizes, desde que não tirem o foco do evento, que é o cinema ambiental. As pessoas acham que é fácil. 'Ah, mas por que vocês não fizeram antes?' A resposta é que e por não sabermos que ia dar certo daquele jeito. A gente tem que ir experimentando. Nós só acertamos o projeto Fica na Comunidade nas duas últimas edições. Começou em 2011, com uma ideia, teve a primeira edição em 2012, e nesse ano já começa com muito maior do que nos anos anteriores. Quando o Fica for aberto, no dia 27 de maio, o festival já terá realizado mais de 15 atividades na Cidade de Goiás e região, só neste ano.
E sobre a restauração do Cine Teatro São Joaquim?
O Cine Teatro São Joaquim será totalmente restaurado através de verba conseguida pela prefeitura, oriunda do PAC das Cidades Históricas. No Fica do ano que vem, certamente o local não vai abrigar a mostra competitiva, devido o processo de restauração, que é longo e delicado. Após a conclusão da obra, o espaço passará a funcionar plenamente, inclusive com equipamentos que vão garantir o funcionamento do cinema, o que não acontecia desde os anos 1950.
Dentro do processo de detectar o que funciona e o que não funciona, o que pôde ser percebido que não deu certo e foi recuperado?
Tem gente que acha que participação do público se consegue com um carro de som passando na rua avisando. Não é. Isso é um serviço de artilharia, que é soltar bombas por cima, passar com avião. Mas o que ganha a guerra é feito nos campos de batalha, é a infantaria, que ocupa o terreno. Enquanto a gente achava que era só artilharia a coisa não fluía. Agora, o Fica na Comunidade envolve as pessoas; traz as pessoas para dentro do Fica.
O que será feito para ocupar o Centro de Referência do Fica na Cidade de Goiás além dos dias do Fica?
Uma exposição permanente com a memória do Fica será aberta; a implantação do memorial do Fica, também está programada para este ano. Outro destaque é a implantação da Escola Vilaboense de Desenho Animado. Em parceria com o Instituto Federal Goiano (IFG) e a Casa do Cinema vamos oferecer o primeiro curso de Cinema da Cidade de Goiás, que valo como curso superior e é outra novidade muito importante.
Qual novidade será oferecida em sistema de experimentação e poderá entrar para o calendário fixo da programação do Fica?
O Fica a Céu Aberto será realizado em parceria com o Cine Solar, e vai exibir filmes na Praça do Coreto. Na abertura do festival, o projeto exibirá o filme Tainá 3, com presença de Nuno Leal Maia e de Pedro Rovai, produtor do longa. Vamos fazer uma experiência. Vamos ver se vai dar certo, se a população participa e aprova para incluirmos isso nas próximas edições.
Desde 2011, o seu primeiro Fica como secretário, como você avalia a participação do público nas oficinas e cursos oferecidos durante o festival?
Tem melhorado bastante. A gente imprimiu uma marca muito importante nas oficinas, que passaram a ser de aplicação prática. Quando a gente entrou aqui, (na Agepel, atual Secult Goiás), existia uma crítica muito forte, principalmente do pessoal do meio ambiente, por conta dos cursos serem excessivamente acadêmicos. Procuramos fazer todas as oficinas. mais práticas.
O que mudou na rotina da Secult por conta do adiantamento da organização do Fica por conta da Copa do Mundo?
Nós fomos obrigados a adiantar o festival por conta da Copa, sim. A data que a gente está acostumado a fazer o Fica é em meados de junho, até no final do mês a gente já fez. Discutimos com a população de Goiás e chegamos a data de 27 de maio. Tivemos que adiantar tudo, mas foi bom porque pela primeira vez conseguimos fazer a licitação da Oscip para a produção do Fica em dezembro. Sempre realizávamos em março, abril, o que gerava uma correria louca para preparar o Fica. Não chegou a atrapalhar, pelo contrário, até facilitou.
Depois de mais de três anos como titular da Agepel e hoje da Secult Goiás, qual você acha que vai ser o seu maior legado como secretário de Cultura?
Acho que a nossa grande missão em relaçnao aos eventos que quando a ssumimos, foi fazer com que s eventos promovidos pelo governo do estado recuperassem o glamour que sempre tiveram. o apelo o charme. dizia-se que os eventos tibham caído na mesmice. desde o começo o nosso desafio e acredito que conseguimos superar esse desafio. tanto quando se trata de público quanto de crítica. nós fazemos pesquisas de opinião, todos os eventos a aprovação tem sido muito grande. fundamentalmente as pesquisas que estnao disponívels no Observatório do Turismo, na internet.
Como foi a escolha do nome de José Mendonça Teles como homenageado?
O nome dele não havia sido sugerido em outras edições, apareceu apenas nessa edição. Nosso homenageado é uma pessoa de destaque na cultura de Goiás e talvez a escolha do nome dele para este ano tenha sido da vontade de homenageá-lo ainda em vida, enquanto ele ainda estivesse consciente dessa homenagem.