Logo

Mais justo, menos desigual

WhatsAppFacebookLinkedInX
27.03.2017 - 12:20:49
 
Goiânia – O Brasil vive uma situação preocupante no tocante ao trabalho infantil. Dados recentes mostram que 3,5 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, são explorados no mundo do trabalho. Com o desemprego galopante dos últimos meses, a crise impulsionou ainda mais o trabalho ilegal de crianças e jovens, que foram jogados no mercado para complementação da renda familiar. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 120 milhões crianças e jovens trabalham em todo o mundo; desses, 5 milhões estão em condições análogas de escravidão. Grande parte dos jovens que entra no mercado de trabalho, sem condições adequadas, costuma largar os estudos.
 
A experiência do CIEE, organização não-governamental com 53 anos de atuação na inclusão de jovens, demostra que a aprendizagem, além de beneficiar o aprendiz , possibilita que sua família vivencie um presente melhor. Em especial aquelas que estão em situação de vulnerabilidade social. Com a aprendizagem, os jovens de 14 a 24 anos estão protegidos dos trabalhos insalubres e das vastas cargas horárias. Tem acompanhamento de colaboradores experientes e possuem aulas teóricas para complementar a formação profissional.
 
Desde o início da adesão do CIEE à causa da aprendizagem, mais de 350 mil jovens já foram capacitados pelo programa Aprendiz Legal, uma parceria do CIEE com a Fundação Roberto Marinho. Atualmente, 74 mil seguem na formação profissional em empresas, entidades e órgãos públicos. Em países desenvolvidos, como a Alemanha, a aprendizagem é um processo praticamente obrigatório para a formação e experiência prática dos jovens, sem, no entanto, necessitar de uma lei. No Brasil, ainda é preciso um trabalho de conscientização maior, realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Lei da Aprendizagem (n.° 10.097/2000), e por entidades preocupadas com a erradicação do trabalho infanto-juvenil.
 
Algumas dessas entidades, como o Instituto Ethos e a Fundação Roberto Marinho, promoveram a criação de uma rede de empresas para a aprendizagem, com o objetivo de promover alianças visando a diminuição da exploração do trabalho de crianças e jovens. Em evento no CIEE, representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Unicef, do Ministério do Trabalho e Emprego, da ONG Childhood, do Instituto Ethos, e da Fundação Roberto Marinho, junto às empresas, discutiram formas de contribuir para a inclusão do jovens no mercado de trabalho, em busca de um país mais justo e menos desigual.
 
 
*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH)
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Luiz Gonzaga Bertelli

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]