Sarah Mohn
Goiânia – Pré-candidato confirmado pelo PTB goiano para disputar a prefeitura de Goiânia no próximo ano, o ex-deputado Luiz Bittencourt disse em entrevista ao jornal Diário da Manhã que pretende “refundar a capital” e criar “uma Nova Goiânia”. “Chegou a hora de refundar a capital, criar a ‘Nova Goiânia’, com oportunidades iguais para todos. Uma cidade global, onde as pessoas sejam respeitadas e possam ser felizes”, afirma.
Desde que colocou seu nome no tabuleiro da pré-campanha, Luiz Bittencourt vem movimentando o cenário político municipal. Colocou em alerta tanto os partidos de oposição, liderados por PT e PMDB, quanto de situação, encabeçados por PSDB e PSD. Em pouco tempo, conseguiu intensificar o debate eleitoral e tem demonstrado capilaridade para aglutinar legendas e concretizar sua postulação ao Paço Municipal.
Ao Diário da Manhã, o pré-candidato disse que não recuará e já apresenta propostas ousadas para transformar a Goiânia uma “cidade global”. Ele lembra que Pedro Ludovico promoveu o salto modernizante do Estado em 1933, iniciando a construção da nova capital. Mas critica que os problemas se acumularam e não houve uma reposta corajosa dos governantes. Para ele, o momento de dar a “grande virada” é agora. “O nosso projeto é ousado e possível”.
Confira trechos da entrevista:
Afastado da vida político-partidária desde 2010, quando concluiu o seu terceiro mandato como deputado federal, por que o senhor retorna agora e já como pré-candidato a prefeito de Goiânia?
Luiz Bittencourt – Parei de disputar eleições, mas continuei participando da vida pública de outras maneiras, como empresário, exercendo a engenharia, membro do PTB, e em movimentos da sociedade organizada. Neste período assisti a crescente irritação das pessoas com a administração municipal da nossa cidade. Os problemas se agravaram na segurança, saúde, transporte coletivo, no caos do transito, na burocracia, no aumento de impostos etc…, a qualidade de vida caiu. Goiânia se transformou num caldeirão de insatisfações. Nasci e cresci aqui, sou engenheiro, conheço a cidade com a palma da minha mão, e posso contribuir para resolver nossos problemas. Fui presidente do CREA-GO, deputado estadual duas vezes, presidente da Assembleia, Secretario de Ciência e Tecnologia, deputado federal por três mandatos, disputei eleição para prefeitura duas vezes. Agora, fui chamado pelo deputado Jovair Arantes para ser pré-candidato a prefeito pelo nosso partido e topei. Tenho certeza que posso contribuir com minha experiência e ideias para ajudar a resolver os problemas da cidade. Estamos discutindo isso interna e democraticamente no PTB. Depois vamos procurar a população nos bairros, os segmentos classistas, os movimentos sociais e outros partidos políticos para compor alianças dentro do nosso campo programático.
Eleito prefeito de Goiânia, quais são as prioridades de seu mandato?
Luiz Bittencourt – Gestão, planejamento estratégico, eficiência, focar nas reais necessidades da população e deixar de contrariar a lei da gravidade. Ninguém aguenta mais as decisões de tecnocratas descompromissados que não sabem nada sobre o dia a dia das pessoas ou pouco se importam com isso. Temos que resolver os problemas estruturais, pensar na cidade como extensão de nossas casas. A administração, o prefeito tem que olhar do ponto de vista do cidadão do coletivo. A cidade tem que ser justa. Numa entrevista, num espaço tão curto é difícil entrar em detalhes, mas vamos mostrar nossas ideias durante a pré-campanha.
Qual a avaliação que o senhor faz da gestão Paulo Garcia?
Luiz Bittencourt – Eu não costumo avaliar gestão de ninguém. Todos nós sabemos que ele recebeu uma prefeitura com graves problemas, principalmente financeiros, existia um desequilíbrio orçamentário enorme, mais era uma relação politica de continuísmo. A prefeitura foi usada como plataforma de um projeto politico pessoal, para alcançar o governo do estado, ele ficou calado e está pagando o pato. Percebo uma insatisfação enorme da população em relação à atual administração da cidade. A qualidade dos serviços prestados é ruim. Há dificuldades no trânsito, na saúde, no transporte coletivo, na segurança, uma burocracia crescente, obras de baixa qualidade, enfim, falta um ambiente favorável para crescimento, não temos projeto econômico, a cidade vive um momento de estagnação. Goiânia perdeu o seu papel nacional entre as capitais, e sua influência de liderança na região Centro Oeste e Norte do país. É preciso encontrar um novo caminho, interromper esta tendência negativa, para que Goiânia seja reinserida num novo contexto, estabelecendo metas ousadas de planejamento e de gestão e eficiência.
O senhor não acha que está na hora de superar as divergências com o ex-prefeito Nion Albernaz, depois do mal-estar que predominou na campanha eleitoral de 1996?
Luiz Bittencourt – Não vou polemizar com o ex-prefeito. Eu não tenho diferenças pessoais e política com ninguém. Participei de duas eleições para a prefeitura de Goiânia, uma em 1992 e a outra em 1996. Já se passaram mais de vinte anos. A vida passa, as pessoas mudam, a realidade do dia a dia se transforma a cada minuto. Amadureci muito neste período. Estudei, aprendi, com muita humildade. Não quero ficar falando do passado, quero debater o futuro, discutir soluções para Goiânia de hoje. Estou preocupado em contribuir com o PTB, e viabilizar meu projeto como pré-candidato a prefeito. Acima de tudo, quero apresentar propostas, oferecer ideias e apresentar soluções para os graves problemas da cidade. Quero estar presente no debate sobre Goiânia de 2016, 2020, 2050, do nosso futuro. É isso que a população espera dos pretensos pré-candidatos.
Ao dizer que vai fazer campanha de alto nível em 2016, o senhor faz uma mea-culpa, já que o ex-prefeito Nion Albernaz o acusa de ter atuado, em 1996, de forma agressiva e com ataques pessoais?
Luiz Bittencourt – Desafio qualquer um neste Estado a apresentar uma agressão que eu tenha feito a qualquer pessoa. Sempre disputei minhas eleições com propostas para presidente do CREA-GO, deputado estadual, deputado federal, secretário estadual de Ciência e Tecnologia, presidente da Assembleia Legislativa e não há nada que manche o meu currículo na vida pública.
Então, não há chances de reaproximação política entre o senhor e o ex-prefeito Nion Albernaz?
Luiz Bittencourt – O que tenho a dizer é que eu não quero alimentar fatos que ocorreram há 20 anos e nada representam em relação aos acontecimentos de hoje. Vamos discutir em 2016 as eleições para a prefeitura de Goiânia, quando se sabe que a cidade tem problemas administrativos graves para serem resolvidos. A concentração de esforços no PTB é a de consolidar a nossa pré-candidatura, fazer alianças partidárias, conversar com a cidade, apresentar um projeto de governo e convencer a sociedade que temos boas ideias para a gestão de Goiânia.
As primeiras sondagens sobre a sucessão em Goiânia apontam o favoritismo de Iris Rezende. Seria imbatível o ex-prefeito?
Luiz Bittencourt – Se fosse prevalecer pesquisa, não haveria necessidade de se realizar eleições. Assim, quem estivesse em primeiro lugar, logo seria nomeado prefeito. Mas a regra do sistema politico exige eleições democráticas e abertas. Quantos favoritos já perderam eleições. É natural que no início de campanha, o candidato que é mais conhecido saia na frente nas pesquisas, mas no curso da campanha dos debates o cenário pode mudar. Iris é um candidato forte, mas não imbatível. Todo mundo se lembra quando, em 1998, Iris Rezende era favorito, imbatível e deu no que deu, com a vitória surpreendente de Marconi Perillo.