A Redação
Goiânia – Foi suspenso, na manhã desta quinta-feira (24/3), o julgamento de um recurso que pede que o acusado de matar o advogado Davi Sebba, crime que aconteceu em 2012, vá a juri popular por homicídio qualificado. Antes disso, a sessão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) registrou voto do relator, o desembargador Eudélcio Machado Fagundes. Em seu entendimento, o acusado deve ser qualificado.
Restam, agora, dois votos: do desembargador Itaney Francisco Campos, que hoje pediu vistas para analisar melhor o processo, e do desembargador Ivo Fávaro. A expectativa é que o julgamento seja retomado na próxima terça-feira (29/3), a partir das 13h.
O advogado que representa a família de Davi Sebba, Allan Hahnemann, disse ao jornal A Redação que vê com bons olhos o andamento do processo. "Os desembargadores estão analisando o caso com cuidado devido, porque trata-se de algo complexo", explicou. "Entendemos que o voto do relator faz justiça, esse era o nosso pleito. Estamos esperançosos de que os outros dois desembargadores acompanhem o voto do relator."
Davi Sebba foi morto em 5 de julho de 2012 no estacionamento do supermercado Carrefour, em Goiânia. A vítima foi abordada por três policiais à paisana (PM2) quando, segundo a família, fazia compras que seriam levadas à sua esposa na maternidade. O advogado foi executado com um tiro no peito, que atravessou seu coração e causou sua morte instantânea. Ele não pôde conhecer seu filho Gabriel Davi, que nasceu minutos depois de sua morte. As circunstâncias desse crime, aliadas à série de contradições que foram apuradas no seu inquérito, gerou forte reação na sociedade e grande repercussão do caso.
O inquérito já havia concluído que o advogado foi executado sumariamente, já que não teve como se defender. Também concluiu que a arma com numeração raspada, encontrada no banco de passageiros de seu carro, foi plantada depois de o veículo colidir dentro de um estacionamento. O local do crime não foi preservado, com alterações dentro do veículo e arredores, incluindo o recolhimento das cápsulas deflagradas pelos policiais.
A perícia indicou que as duas mãos de Davi Sebba estavam no volante do carro no momento do disparo, o que é confirmado pela trajetória do projétil que atingiu o tórax do advogado. Essas conclusões contrariam a principal alegação dos militares de que a vítima teria reagido e estaria com uma mão abaixada para supostamente pegar uma arma.
Em 2017, o juiz Antônio Fernandes de Oliveira, da 4ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida, decidiu que dois dos três policiais envolvidos naquela ocorrência foram absolvidos do crime. Já para o terceiro, foi pronunciado por homicídio simples. A defesa da vítima, então, entrou com recurso pela qualificação.
O julgamento do recurso foi iniciado em março deste ano . "O relator [que votou hoje] entendeu que a vítima foi pega de surpresa, em inferioridade numérica, desarmado e numa emboscada", explicou o advogado Allan. A qualificadora se justifica, complementou, pela impossibilidade ou dificuldade de defesa da vítima.