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“Isanulfo, sua ausência me dói tanto”

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04.05.2018 - 11:37:56

(Foto: João Unes/A Redação)

Goiânia – Hoje, 4 de maio de 2018, o jornalista Isanulfo Cordeiro faria 67 anos. Ele morreu cedo demais, dia 13 do último mês de janeiro. Como sua companheira de mais de quatro décadas, presto aqui minha homenagem.  

Foi um menino prodígio, meio escurinho, de pernas finas e pubadas. Nasceu em Campos Belos (por que não Champs-Élysées, em Paris? Não foi preciso, daqui mesmo ele se voltou para o mundo). De família tradicional de quase 300 anos fixada no Estado, veio para Goiânia em novembro de 1955, aos quatro anos e meio, já começando a leitura e a escrita das palavras comuns, que aprendeu com sua mãe, professora Isaltina Batista Cordeiro, lá na terra natal.  

Na capital, morou por mais de uma década na Alameda dos Buritis, em frente ao bosque. Teve uma infância feliz e alegre com irmãos e amigos, ali mesmo brincando com bolinha de gude, finca, esconde-esconde. Caçou e matou com estilingue pequenos animais e pássaros, inclusive periquitos que servia de banquete em assados precários para a meninada. Politicamente incorreto? Naquela época não. Os brinquedos eram escassos e a convivência com natureza um parque de diversão e aprendizado.  

Estudou no Grupo Escolar Modelo, no Colégio Ateneu Dom Bosco, no Lyceu de Goiânia, no Instituto de Ciências Humanas e Letras e na Faculdade de Direito, ambas na UFG. Formou-se em Direito e Jornalismo, pós-graduando-se também em Jornalismo.  

Cedo começou a empreender: vendia jornais usados e garrafas, criava galinhas e vendia ovos, vendia até beijos para uma madrinha. Mas sua capacidade empreendedora se voltou ao campo do saber das artes em geral, da música, do jornalismo, da administração pública, do conhecimento.

Tinha familiaridade com as línguas estrangeiras. Aprendeu inglês e espanhol sozinho, e já como secretário de Assuntos Internacionais teve necessidade de reforçar o aprendizado com um professor de inglês. Estudou alemão ainda jovem e francês já adulto. As línguas nunca foram empecilhos para achar soluções. Falou até italiano, que não era o seu forte, quando foi preciso.  

Rodou o mundo como jornalista e secretário de dois governos de Marconi Perillo. Também fez muitas viagens com amigos, sozinho e com a família. Nossos filhos herdaram dele o gosto por viajar.  

Isanulfo tinha pressa, corria contra o tempo, precisava de realizar e realizar. Não se cansava. Acordava sempre cedo para o batente. Fez música, participou de festivais, leu bastante desde cedo, tocou violão, escreveu inúmeras reportagens e artigos em O Popular e Diário da Manhã, pescou, contou boas histórias, acampou, viajou de mochila, organizou diversas missões culturais, de comércio e acadêmicas para o Governo de Goiás.  

Isanulfo era sobretudo solidário: com os amigos, com os parentes, com os colegas e com os desconhecidos que buscaram sua ajuda. Na juventude fez muito trabalho social. Foi um bom filho, irmão dedicado, tio querido, marido para todas as horas, amigo leal, pai e avô presente, provedor, companheiro e amoroso.  

Não foram sem merecimento as homenagens póstumas que recebeu. Dezenas de coroas de flores enfeitaram o velório que reuniu centenas de pessoas. Muitos amigos, colegas e parentes no enterro e missa de sétimo dia. Muitas reportagens e depoimentos em rádios, tv's, jornais e redes sociais.  

Isanulfo era assim: agregava.  

No início de abril, o governo do Estado, por intermédio do governador Marconi Perillo e da secretária da Educação, Cultura e Esporte Raquel Teixeira, deu o nome de Isanulfo de Abreu Cordeiro à Biblioteca do Centro Cultural Oscar Niemeyer, ainda por inaugurar. O Clube de Repórteres Políticos de Goiás reconheceu a sua contribuição à comunicação e a sua trajetória em defesa das liberdades democráticas.  

Mais recentemente, a Casa de Cultura Attilio Zamperoni trouxe a Goiânia o maestro Zarpellon e a solista Maristella Patuzzi, italianos renomados, que fizeram um concerto em sua homenagem com a Orquestra de Câmara Claudio Monteverdi de Goiás, quando apresentaram As Quatro Estações, de Vivaldi.  

Sendo o homem que foi, e tendo o significado que teve para amigos, família e colegas, é natural que faça muita falta. A sua ausência causa dor e sofrimento. Daí que a lembrança de tantas histórias felizes, momentos alegres e realizações venha trazer conforto a todos.

Isanulfo faz muita falta.  A sua ausência dói.  

Maria Beatriz Ribeiro Costa é jornalista, professora aposentada da UFG, mestre em História, víúva de Isanulfo Cordeiro

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por Maria Beatriz Ribeiro Costa

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