Yuri Lopes
Goiânia – Acaba de ganhar mais um capítulo a polêmica em torno da discussão sobre a proposta de proibir biografias não autorizadas, liderada pelo Grupo Procure Saber, presidido por Paula Lavigne, ex-esposa de Caetano Veloso, outro membro , junto com Roberto Carlos, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Erasmo Carlos.
A irmã de Chico, a ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda, disse à coluna de Ancelmo Gois que é a favor de que não seja necessária a autorização prévia para a publicação de biografias.
"Afinal, sou filha de um historiador", disse Ana de Hollanda em posição contrária à do irmão famoso pela reclusão e pela fobia aos holofotes.
Ao colunista, Ana disse ainda que sua opinião é a mesma faz muito tempo e lembrou que apoiou o projeto de lei do então deputado federal Antonio Palocci, que impedia a censura a biografias.
Ruim da memória
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo na última quarta (16) em que defendia sua posição e desmente o biógrafo de Roberto Carlos (outro defensor da proibição de biografias sem a prévia autorização do biografado) Paulo Cesar de Araújo, autor de "Roberto Carlos em detalhes" (obra retirada das livrarias).
"Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou", escreveu Chico.
O mesmo jornal publicou em seu site, na noite de quarta, um vídeo da entrevista que Chico disse não ter existido. Por conta da revelação do vídeo, o cantor enviou um comunicado ao jornal O Estado de S. Paulo onde diz que não se lembrava da entrevista.
"Eu não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo, biógrafo de Roberto Carlos. Agora fico sabendo que sim, dei-lhe uma entrevista em 1992. Pelo que ele diz, foi uma entrevista de quatro horas onde falamos sobre censura, interrogatórios, diversas fases e canções da minha carreira. Ainda segundo ele, uma das suas perguntas foi sobre a minha relação com Roberto Carlos nos anos 60. No meio de uma entrevista de quatro horas, vinte anos atrás, uma pergunta sobre Roberto Carlos talvez fosse pouco para me lembrar que contribuí para sua biografia. De qualquer modo, errei e por isto lhe peço desculpas", diz o texto.
Você é gay assumida?
Ainda na quarta-feira, o GNT exibiu o programa Saia Justa com Paula Lavigne como convidada. A participação foi anunciada como a resposta de Paula, que reclamou de ter tido pouco espaço na mídia para expor seus argumentos.
Para tentar explicar sobre a necessidade de preservar a intimidade dos biografados, Paula usou a vida pessoal da jornalista Barbara Gancia, da Folha, para tentar se fazer entender.
"Barbara, você é gay assumida, né? Qual o nome da sua namorada? Ela não vai se sentir bem vendo eu perguntar isso. É disso que estou falando", disse Paula. Sem se mostrar constrangida, Barbara respondeu a empresária. “Você não pode regulamentar a arte, você não pode regulamentar a palavra. Você tem que deixar fluir”, declarou.
Nesta quinta-feira (17), o jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja, publicou texto de repúdio ao comportamento de Paula Lavigne no Saia Justa. Reinaldo aproveitou para desmentir declaração de Paula ao jornal O Globo.
"Em conversa com O Globo, Paula afirmou que Barbara teria pedido ao GNT que cortasse trechos do programa. Estranhei. Telefonei para Barbara.
— Você pediu isso?
— Reinaldo, eu vou fazer uma cópia da mensagem que enviei para a Mariana Koehler, que é a diretora do Saia Justa. Minutos depois, chegava ao meu celular o SMS que Mariana recebeu na manhã de quarta-feira. Assim:
“Bom dia, flor:
Não se preocupe comigo na hora de editar, tá tudo tranquilo, faça o que for melhor pro programa. Confio 100% no seu bom senso. Manda bala e vamos em frente!”", diz
o texto do jornalista da Veja.
A Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) move no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade onde questiona os dois artigos do Código Civil que impedem a publicação sem a autorização prévia dos biografados ou de seus familiares.
O coro dos contrários ao Grupo Procure Saber engrossou com a divulgação de um manifesto assinado por autores como Boris Fausto e Ruy Castro, durante a Bienal do Rio, em setembro. O documento diz que a proibição às biografias não autorizadas é um monopólio da história, típico de regimes totalitários.