Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Como parte das ações em torno dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, com apoio da Casa de JK, de Diamantina, MG, programou para esta quinta-feira, dia 25, às 9h, em seu auditório, a exibição do novo documentário em homenagem ao legado do Senador por Goiás entre 1961 e 1964. “JK, o futuro chamado ao presente”, de Fábio Chateaubriand Guedes, traz depoimentos inéditos, documentos raros e ampla pesquisa, percorrendo momentos marcantes da vida pública de Juscelino Kubitschek (1902-1976) – da Prefeitura de Belo Horizonte à Presidência da República, passando pela criação de Brasília e o Plano de Metas.
“JK, o futuro chamado ao presente” foge um pouco dos formatos habituais de produções do gênero. “Ele tem linguagem desconstruída, mais moderna. Quando falamos em documentário, existe certo padrão. No nosso caso, utilizamos memes, linguagem mais informal. Sobretudo, é muito musical, com coisas do Clube da Esquina e da MPB, porque a intenção é alcançar o público mais jovem, que desconhece JK, um grande personagem da história e da política brasileiras”, disse Fábio Guedes, que foi diretor da TV Cultura, da Fundação Padre Anchieta.
Entre os entrevistados estão Maristela Kubitschek, filha de JK; Serafim Jardim, que foi seu amigo e secretário, presidente da Casa de Juscelino; Ronaldo Costa Couto, biógrafo do ex-presidente; Celso Lafer, cujo tio foi ministro das Relações Exteriores de JK; e Juvenal Pereira, autor da famosa foto de JK com músicos do Clube da Esquina, em Diamantina.
“As principais fontes foram o Ronaldo Costa Couto, o Serafim, que tem um livro sobre o acidente e a morte de Juscelino, os parentes e os amigos. Fizemos pesquisa iconográfica muito ampla, com mais de 50 mil fotografias”, disse.
A pesquisa resultou na exposição “Retratos de uma era”, aberta em outubro de 2025, no Museu Casa Kubitschek, com fotos raras, que ainda não tinham sido divulgadas. Entre elas, as que Juvenal Pereira fez do funeral do ex-presidente. “Elas ficaram guardadas por quase 50 anos. A pesquisa nos permitiu trabalhar em várias frentes, pois catalogamos material até então descontextualizado. Conseguimos cruzar depoimentos e imagens que situam historicamente passagens da vida de JK”, ressalta.
Motorista da Cometa
Entre os depoimentos que Guedes colheu está o de Josias de Souza, motorista do ônibus da Viação Cometa acusado de envolvimento no acidente rodoviário que matou o ex-presidente. “Josias fez revelações surpreendentes. Tentaram imputar a ele a causa do acidente, mas as perícias mostraram que o ônibus sequer encostou no carro de JK. Foi um depoimento bastante forte”, diz o diretor.
Ele destaca outras entrevistas, como a de Maristela Kubitschek falando de seu processo de adoção, e a de Wagner William, biógrafo do marechal Henrique Lott, responsável por sustentar a posse de Juscelino diante da tentativa de golpe para que não assumisse a Presidência da República.
“Todos trazem revelações ricas em detalhes que não estão nos livros de história”, afirma Fábio Guedes.


Mais um desses mesmos documentários que elevam JK a mito da República e que servem de instrumento de manipulação ideológica para diferentes narrativas.🤦♀️