João Unes
Marselha – O Jornalismo de qualidade dependerá cada vez mais de repórteres e editores humanos para produzir informação verdadeira e confiável. Nesta nova era em que a Inteligência Artificial é realidade no dia-a-dia das pessoas, a reportagem jornalística é o bem mais valioso para quem busca a verdade.
Este tema domina as apresentações, painéis e discussões do World News Media Congress (Congresso Mundial de Jornalismo), promovido pela Associação Mundial de Empresas de Notícias (Wan-Ifra), que reúne esta semana mais de 1 mil profissionais da indústria global de notícias, em Marselha, na França. Mais de 60 países estão representados no evento, considerado o mais importante do ano para produtores de notícias.

O jornal A Redação, vencedor do prêmio Wan-Ifra Américas 2026 como Melhor Design Editorial, participa do evento representado pelo jornalista João Unes, fundador e CEO do jornal digital.
Realizado no histórico Palais du Pharo, o congresso reúne na cidade francesa executivos, editores, jornalistas, especialistas em tecnologia e líderes empresariais para discutir os desafios e oportunidades que moldam o futuro do jornalismo.

“Neste contexto, é inevitável que o uso do Jornalismo pela inteligência artificial domine as discussões este ano”, avalia Stig Ørskov, CEO da Wan-Ifra.

“A Inteligência Artificial nunca vai conseguir produzir jornalismo de qualidade, porque falta a sensibilidade de um humano para descrever situações e escavar novidades que ainda não foram publicadas”, definiu Mario Garcia, professor da Universidade de Columbia, em Nova York. Garcia é considerado uma das maiores referências globais em jornalismo, design e tecnologia. “O olhar do repórter é o mais importante diferencial entre o jornalismo e a inteligência artificial.” (Veja vídeo)
Outro aspecto importante para os produtores de notícias está no fato de que a IA usa o Jornalismo para produzir conteúdo, mas sem os altos custos que envolvem a indústria da comunicação. “Os jornais precisam cobrar a contrapartida das empresas gigantes de tecnologia”, afirma Juan Señor, co-autor do livro Innovation in Media, que pesquisa tendências em redações dos cinco continentes. “A inteligência Artificial precisa do jornalismo mais do que o contrário”, define.
Na palestra de abertura do Congresso, A. G. Sulzberger, publisher do The New York Times, maior jornal do planeta, cobrou das gigantes de tecnologia que abram negociação pelo uso das informações caras produzidas pelos jornais. “O conteúdo produzido pelo jornalismo profissional está entre as principais fontes de informação da Inteligência Artificial, é justo que esta conta seja dividida.”

