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(I)Maturidade masculina

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22.07.2011 - 22:31:37

Homens e mulheres, desistam. Homem maduro é utopia. No entanto, há algumas esperanças, não à luz da psicologia de Carl Gustav Jung, mas sustentadas em observações de estudos de casos do mundo real.

Os 30 anos… A mulher amadurece bem mais cedo. Talvez graças à menstruação, rito de passagem que transforma qualquer menina em uma verdadeira mulher – leia-se mocinha, de acordo com o dicionário materno -, ao menos fisicamente, o que deve mandar comandos para o cérebro informando que ela já cresceu e atitudes infantis não são mais pertinentes. Por outro lado, é tão comum encontrar homem aos 25 que ainda não se deu conta de que já saiu da puberdade. Se ele fizer 30 agindo como tal, dificilmente o quadro tem reversão.

O casamento… Relacionamento sério, principalmente de papel passado – que démodé! -, exige, ao mesmo tempo, avanços e recuos. As duas ações, se não ordenam, devem resultar em amadurecimento. Um homem casado tem de amadurecer como decorrência de duas possibilidades. A primeira: se escolheu certo e está com a mulher da sua vida, tem de ser maduro a ponto de não perdê-la. A segunda: se casou com um erro, tem de aprender com ele, amadurecer e despachá-lo logo. Fica a dica.

A paternidade… Tudo bem que não é o homem quem engravida, mas ele tem 50% de participação na concepção. Ter ciência de que é responsável por mais uma vida, além da dele, é igual dirigir em rodovia em noite chuvosa com a esposa grávida e a sogra ao lado: exige atenção e responsabilidade redobradas. Com elas, maturidade. Ser pai teria de amadurecer qualquer homem que se preze. No entanto, tem filho muito mais maduro que muito pai por aí.

A morte… Perder uma pessoa próxima, especialmente se for querida, transforma qualquer cidadão, para o bem ou para o mal. O problema é esse. A morte não permite apenas um tipo de mudança, a positiva. Há quem fique revoltado, raivoso, amargurado, depressivo, enfim, oscilações que revelam imaturidade emocional. A consequência deste tipo de inanição sentimental é não aprender com nenhuma dessas experiências. Aí é grave.

Se ilude quem pensa que morar só amadureça alguém. A solidão apenas piora um homem. Sozinho, macho fica preguiçoso e achando que tudo se vende em porções a serem levadas ao microondas. Na casa dos pais, o sujeito tem a chance, se não for insubordinado, de ter algumas funções domésticas delegadas pela mãe. Se ele não adquirir maturidade e ela aplicar rigidez militar, o marmanjo ganha ao menos um pouco de disciplina. Talvez seja por causa da (i)maturidade masculina que as mamães adoram chamar a gente de bebê e variações no aumentativo proporcionais à idade até que a morte nos separe.

A verdade é que mulher também não ajuda, né?! Se o homem é grosseiro, não serve, é goianão. Se é reservado, protocolar, formal, é brasiliense. Se é descolado, é maconheiro, carioca. Se entende de moda, é fresco, paulista, gay. Por aí vai. Uma dica eu deixo. Não importa a origem nem o estilo de vida. Se o dito-cujo combinar sapato com cinto caramelo e tiver certeza que está na moda, foge, foge, mulher maravilha.

Mas a verdade é que mulher não ajuda mesmo, né?! Se o cara tem 70 anos, já aposentou, passou da idade. Aos 60, precisa de Viagra. Se tem 50, “não sou rainha para gostar de coroa.” Com 40, homem solteiro não presta, se prestasse, já estaria com alguém. Menos de 30 é baby face. Até os 20 nem pensar, afinal, não vai querer ser chamada de papa-anjo. Ah, não sei por que escolher homem pela idade. Nós não amadurecemos mesmo.

João Camargo Neto é jornalista
@joaocamargoneto

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por João Camargo Neto

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