Logo

Igualdade e o reconhecimento das diferenças

WhatsAppFacebookLinkedInX
28.03.2013 - 16:00:30
Goiânia – Como acontece todos os anos, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado com flores, brindes e mensagens doces sobre as qualidades femininas. Passada a data, no entanto, pouco se fala sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na busca de uma condição de vida mais justa e igualitária. A prova de que esta luta exige persistência e atenção é o fato de que a Organização das Nações Unidas (ONU), ao analisar os maiores problemas mundiais, estabeleceu como um dos oito Objetivos do Milênio “Promover a Igualdade entre Gêneros e a Autonomia das Mulheres”. 

O empoderamento das mulheres é importante não apenas para o cumprimento do Objetivo da ONU, mas para vários outras questões, em especial aquelas ligadas à pobreza, fome, saúde e educação. No Brasil, as mulheres já estudam mais que os homens, mas ainda têm menos chances de emprego, recebem menos do que homens trabalhando nas mesmas funções e ocupam os piores postos. Em 2008, 57,6% das brasileiras eram consideradas economicamente ativas, frente a 80,5% dos homens. Em 2010, elas ficaram com 13,6% dos assentos no Senado, 8,7% na Câmara dos Deputados e 11,6% no total das Assembleias Legislativas.

Em função do aumento significativo no índice de matrículas de meninas no ensino primário, muitos países estão conseguindo alcançar igualdade de gênero nas escolas. Em 2008, havia 96 meninas para cada 100 meninos matriculados no ensino primário, e 95 meninas para cada 100 meninos matriculados no ensino secundário nos países em desenvolvimento. A expectativa é de que esse objetivo seja alcançado globalmente em 2015 para ambos os níveis de ensino. Já a cota global de mulheres no parlamento continua a crescer lentamente e chegou a 19% em 2010. Ações afirmativas continuam sendo o principal fator a impulsionar o progresso das mulheres.

Entretanto, além de investir em ações afirmativas, é imprescindível que se reconheça as diferenças entre gêneros para se promover a igualdade. Por mais discrepante que pareça, a realidade é que o alcance da paridade entre homens e mulheres somente poderá se dar por meio do reconhecimento das distinções de ambos. Não é possível, por exemplo, negar o fato de que mulheres engravidam, passam nove meses gestantes e depois precisam se dedicar por mais algum tempo ao bebê. Uma empresa não pode ignorar este diferencial e dar a uma colaboradora grávida o mesmo tratamento que dispensado a um colaborador.

A questão não é a existência de diferenças biológicas ou culturais entre gêneros, mas a forma como se lida com elas. Vejamos novamente o caso da mulher gestante. Há empresas que consideram a contratação de mão de obra feminina um transtorno, pela possibilidade de a colaboradora se casar e decidir construir uma família, o que envolve a geração de uma criança e o afastamento do ambiente de trabalho por algum tempo. Tal visão, porém, não leva em conta o fato de que esta mesma mulher, na posição de mãe de família e de uma das provedoras do lar, acaba reforçando seu caráter responsável, elevando seus níveis de comprometimento perante a empresa.

Engana-se quem pensa que o trabalho torna-se aspecto secundário na vida de uma mulher que deu a luz. Justamente por ter em mente as várias necessidades financeiras que envolvem a criação de um filho, os diversos gastos com educação, saúde, cultura e alimentação, a tendência da mãe é ter uma relação de extrema dedicação e seriedade com seu emprego. Ela sabe que não pode prescindir daquela ocupação e, por isso, atua com mais afinco e garra. A maternidade torna a mulher mais flexível, disposta a conciliar diferentes visões e posturas, além de reforçar sua tendência de ser multifuncional. 

Uma empresa que reconhece as diferenças entre gêneros e acolhe essas distinções, acaba extraindo o melhor de seus colaboradores e dando a eles mais condições de se desenvolverem de forma plena e satisfatória. Uma mulher que tem a licença-maternidade concedida, que dispõe de um espaço para o aleitamento dentro da organização e que pode permanecer com seus filhos em momentos importantes sente-se valorizada, não apenas enquanto colaboradora, mas enquanto ser humano, e busca retribuir a valorização em forma de trabalho competente e sério. 

Reconhecer as diferenças entre gêneros e compreendê-las, não como antagônicas e repletas de juízos de valor, mas como complementares e inerentes à condição de homens e mulheres, é uma atitude que colabora não apenas para o estabelecimento de uma relação igualitária entre o masculino e o feminino, mas também para a construção de um mundo mais pacífico e rico. Cada um a sua maneira, com suas habilidades e peculiaridades, é capaz de crescer enquanto pessoa e, principalmente, de ajudar o próximo a crescer e se desenvolver. Diferentes, sim, mas dispostos a caminhar lado a lado, com cooperação e respeito. É o que queremos para homens e mulheres.

Elizabeth Cristina da Costa é membro do Conselho de Administração e diretora de Responsabilidade Social da Tropical Urbanismo e Incorporação e mestranda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Elizabeth Cristina

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]