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Idade certa para mandar uma tatuagem

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30.07.2013 - 16:40:46

Goiânia – Tenho alguma legitimidade para falar sobre tatuagem. Tenho meus dois braços cobertos de desenhos coloridos que me acompanharão até o fim dos dias: seja amanhã no tropeção idiota e a cabeça no meio fio, seja bem velhinho e rodeado de netos na beira do mar. Desde moleque queria ter uma tatuagem. Comecei, é claro, com as que vinham em chicletes ou aquelas compradas em bancas de revista. Na adolescência, tinha certeza que queria uma tatuagem de determinado desenho em certo lugar do meu corpo. Ainda bem que não fiz tamanha porcaria em minha pele. Seria arrependimento para mais de metro.

No primeiro ano de faculdade, cheguei a ir ao estúdio de um tatuador de Goiânia que tinha trabalhado na pele de um amigo. Tinha achado o resultado satisfatório e resolvi que também faria com ele. Cheguei ao local na data marcada, paguei o seu secretário, raspei os pelos da panturrilha e quando ele me mostrou o desenho que seria transferido para minha perna por toda eternidade, recuei. Era muito aquém daquilo que eu almejava. Peguei meus parcos reais de volta e nunca mais voltei a esse estúdio.

Somente tempos depois, quando eu já tinha 22 anos, achei realmente um desenho e uma localização no corpo que até hoje me satisfazem. Também encontrei Jorginho, meu tatuador de confiança, do primeiro ao último desenho. Olhando para trás, a decisão mais acertada foi protelar esse desejo até que eu estive alguns anos mais velho, com mais experiência e mais certeza do que eu queria da vida. Se tivesse feito a primeira tatuagem que eu sonhava, provavelmente hoje ela já estaria coberta.

Por isso concordo com a restrição de idade imposta pela lei que entra em vigor no próximo dia 2 em Goiás. Na verdade, considero até branda a liberação de tatuagens para adolescentes entre 12 e 17 anos, mesmo que com a concordância dos pais. Acredito que deveria ser terminantemente proibido. Por outro lado, já acho tranquilo em relação aos piercings. Afinal de contas, de forma geral, o arrependimento que envolve um brinco em algum lugar do corpo é bem mais simples de ser resolvido do que um desenho na pele.

Por mais que um jovem ache que já saiba o que quer da vida, na boa, a real é que não sabe de nada. Quantas e quantas convicções, crenças e dogmas eu tinha aos 15 anos que hoje me soam absolutamente patéticas… Tal qual me parece ridículo o desenho que eu queria ter tatuado durante a dolescência. Qualquer um que falasse que eu poderia mudar de ideia ao longo dos anos, eu taxaria de idiota que não me conhecia ou bundão que cede suas convicções às imposições do sistema. Um discurso tão pueril que hoje me constrange.

Nada contra tatuagens, muito pelo contrário, mas com prudência. E a prudência exige que pelo menos os 18 anos estejam estampados na carteira de identidade do indivíduo para que ele decida se quer carregar uma marca em seu couro até o dia que partir dessa para a outra. É o mais inteligente a fazer.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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