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Hora de dizer tchau (ou vida longa à Fósforo)

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02.03.2012 - 16:15:42

 

Eu tinha uma banda e queríamos tocar. Como não éramos convidados por casa de show alguma, comecei a produzir eventos onde pudéssemos ter palco. Desse desejo mais que egoísta, me tornei produtor cultural. Da mesma forma egocêntrica, surgiu o Vaca Amarela. Os festivais Goiânia Noise e Bananada já eram consolidados e minha banda não era chamada. Sem problemas! Fui lá, fiz meu festival e toquei do jeito que queria. Mas uns barbudos já haviam dito que todo carnaval tem seu fim. E minha quarta-feira de cinzas chegou. Hoje, me despeço de um dos projetos de minha vida que mais me deu orgulho: a Fósforo Cultural.

Como o fato de ser artista me levou à produção cultural, a produção acabou me afastando do fazer artístico. O tempo escasso que tenho para mexer com Cultura era inteiramente direcionado aos infinitos afazeres de uma produção bem-feita, como sempre nos prestamos a fazer na Fósforo. Eu agora quero voltar a ensaiar, compor um disco novo com minha banda e, se rolar, um ou outro showzinho por aí. Sem estresse, sem aquele vigor de antes. Tudo na maciota. Pretendo terminar a composição do novo disco do Chapéu, Cerveja e Frustrações (sim, esse é o nome da banda em que toco) esse ano e lançar o trabalho ano que vem. Você pode baixar nosso primeiro disco, intitulado Sucesso no Brasil, nesse link e ouvir ele inteiro no nosso Myspace.

Não me lembro como conheci o João Lucas, único membro da Fósforo que está desde o início ao meu lado. Deve ter sido em algum desses eventos por aí. Mas me recordo perfeitamente da primeira vez em que trabalhamos juntos. Foi na produção da quarta edição do Vaca Amarela. Ele então coordenava o artístico do extinto selo Beacid junto de Pedro Cambaleado. A experiência de ter trabalhado com eles foi ótima. Eles tinham um selo sem um festival forte, eu tinha um festival ascendente na cena local sem um selo. Era o casamento perfeito. Entrei para a Beacid e, logo no começo dos meus trabalhos, os dois se desentenderam. Naquele momento, Pedro afirmou que não tinha mais interesse em trabalhar com Cultura. O João Lucas falou que queria continuar. Criamos a Fósforo.

Nem com muito esforço consigo me lembrar de quantas pessoas passaram pela Fósforo. Cada um deixou sua colaboração. Acho que também deixei a minha. Nunca funcionamos como uma empresa, somos um coletivo de Cultura que segue uma lógica de participação calcada na livre adesão e no livre desligamento dos seus membros a qualquer momento. Por isso nossa rotatividade de pessoal sempre foi alta. Muita gente contribuiu com a Fósforo. Uns saíram por novas ambições de vida, outros por discordâncias de trabalho. Cada um seguiu seu caminho e deixou sua marca. Todos levaram minha amizade, assim como deixo lá amigos para toda vida. Agora eu sigo minha trilha e a Fósforo fica nas competentes mãos do João Lucas, Naya de Sousa e Grazi Reis – gente que prezo e tenho plena confiança para tocar em frente o projeto.

Me perguntaram se não sinto uma dorzinha no coração ao deixar algo pelo qual trabalhei tanto. Sinceramente, não. Acho que minha contribuição foi dada e agora é preciso respirar novos ares. E a chama vai seguir queimando por muitos e muitos anos.

Vida longa à Fósforo Cultural!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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