A Redação
Fotos: Walter Alves
A comunidade Luz da Vida recebeu neste domingo (6/11) a visita do governador Marconi Perillo. O chefe do executivo goiano esteve no local para conhecer de perto o projeto da Clínica de Desintoxicação São José, um centro de tratamento para dependentes químicos construído por fiéis da igreja católica com doações da iniciativa privada.
Durante a visita, Marconi disse ter pedido ao secretário de Saúde Antônio Faleiros para apoiar as iniciativas da comunidade na luta contra as drogas. O governador se comprometeu a ajudar na construção da clínica de desintoxicação com “recursos materiais”.
Com uma estrutura de 7.500 metros quadrados, a clínica ficará ao lado da sede da Luz da Vida, na chácara Nossa Senhora das Graças, setor Recreio dos Bandeirantes (extrema região Noroeste da capital). A unidade contará com consultórios, UTI conceitual e alojamentos, além de uma capela. Fundador da comunidade a e idealizador do projeto, o auditor fiscal Luiz Antônio de Paula estima a capacidade de atendimento em 320 pessoas por mês.
Luiz Antônio agradeceu a ajuda prometida pelo governo e marcou para o 1º semestre de 2012 a entrega dos consultórios. A clínica de desintoxicação será voltada para o atendimento da comunidade carente.
Domingo da Misericórdia
Após visitar as obras, o governador assistiu à missa do VI Domingo da Misericórdia, na sede da comunidade Luz da Vida, acompanhado da primeira-dama Valéria Perillo e do deputado Franciscco Júnior (PSD). Francisco é representante da renovação carismática católica e amigo pessoal de Luiz Antônio.
Inicialmente celebrada pelo padre Luiz Augusto, a missa do Domingo da Misericórdia ficou a cargo do padre Elenivaldo Santos. Por determinação da Arquidiocese de Goiânia, desde o dia 28 de outubro o pároco está proibido de presidir missas fora da comunidade Atos, também situada no Recreio dos Bandeirante (ao lado da Luz da Vida), onde reside.
A justificativa dada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Goiânia, dom Waldemar Passini Dalbello, por meio do Vicariato de Comunicação da igreja, é que um diretor espiritual de uma comunidade religiosa possui responsabilidades diferentes de um padre de uma paróquia, que atende à comunidade em geral. A arquidiocese negou atrito com o padre Luiz, mas essa é a segunda punição aplicada ao pároco, famoso pelo estilo áustero e por seus projetos sociais.
Polêmica
Em maio deste ano, após passar 15 anos na paróquia Sagrada Família, na Vila Canaã, o padre Luiz acabou transferido para a Comunidade Atos. A mudança motivou uma mobilização entre os católicos. Fiéis realizaram caminhadas, protestos e até um abaixo-assinado na tentativa de convencer o arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz, a deixá-lo onde estava. A comunidade, no entanto, não obteve sucesso.
Ao se mudar para a Atos, o pároco celebrou as quatro primeiras missas do Domingo da Misericórdia na Luz da Vida. O evento realizado uma vez por mês e atende fiéis em um dia inteiro de programação. Com a parceria, frequentadores da Sagrada Família passaram a se deslocar até o Recreio dos Bandeirantes e acompanhar a pregação do antigo líder espiritual, assim como fazer consultas e confissões.
Desde sua fundação, há cerca de 15 anos, a Luz da Vida realiza atividades em parceria com a Igreja Sagrada Família. Segundo líderes carismátos, a peregrinação dos fiéis até a comunidade é uma das causas da punição aplicada ao padre Luiz pela cúpula da igreja.
Reunião
Na manhã da última sexta-feira (4/11), Luiz esteve na Arquidiocese de Goiânia, onde conversou com o bispo auxiliar dom Waldemar Passini Dalbello. O objetivo do líder afastado era conhecer todos os termos da suspensão aplicada. Nenhuma das duas partes quis comentar o encontro.