A Redação
Goiânia – Há exatos 23 anos, funcionários da extinta Caixa Econômica do Estado de Goiás (Caixego) voltavam para suas casas com a triste notícia de que a instituição fora liquidada pelo Banco Central e que estavam todos demitidos. Passaram-se os anos e, hoje, eles voltaram aos seus lares com um sentimento totalmente inverso da tristeza do passado. Marconi Perillo assinou, na sexta-feira (20/9) o primeiro da série de três decretos de reinserção de 1800 servidores da extinta Caixego ao quadro de funcionários do Estado.
A solenidade lotou as dependências do auditório Mauro Borges, do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Era tanta gente que o Corpo de Bombeiros Militar, por questão de segurança, teve de controlar a entrada. Um telão foi instalado na porta no hall de entrada do auditório, para que os ex-servidores pudessem assistir à assinatura do decreto de lotação pelo governador.
Ao todo, 1800 servidores receberam o sinal verde da comissão especial montada para avaliar os pedidos de reintegração aos quadros do Estado. De acordo com o decreto que regulamenta a anistia para o ex-servidores, eles serão reaproveitados em três grupos. Um este ano, outro no ano que vem e o terceiro e último em 2015. O governador Marconi Perillo anunciou a criação de uma comissão para estudar se há dotação orçamentária para aproveitá-los, e isso será feito em duas etapas. Para isso, ele encarregou os secretários Giuseppe Vecci (Gestão e Planejamento), Vilmar Rocha (Casa Civil) e José Taveira (Fazenda) de estudar o pleito dos servidores no sentido de antecipar o reaproveitamento deles.
“Este é um dos atos mais simbólicos do nosso governo”, disse Marconi, no discurso de boas-vindas aos servidores. “Hoje muitos aqui choram de alegria, mas muitos choraram de tristeza naquela época”, afirmou o governador, referindo-se ao processo de liquidação extrajudicial da Caixego, ocorrida no governo de Henrique Santillo, por ato do Banco Central.
Para o governador, o Estado tem a obrigação de reparar seus erros. “A obrigação de um governante não é fazer demagogia, é ser justo”, sublinhou Marconi, ao ressaltar que a anistia para os servidores da extinta Caixego “é correta, é justa”.
Para garantir as condições jurídicas da volta dos servidores, o governo enviou à Assembleia Legislativa emenda constitucional que considerou a demissão dos servidores não apenas um fato econômico, mas de repercussão política. “Voltem para suas casas alegres, certo de terem cumprido uma grande jornada”, disse Marconi ao final do discurso.
"Data da reparação"
O vice-governador, José Eliton, chamou o dia de hoje como “a data da reparação”. Dirigindo-se ao governador, José Eliton afirmou que se orgulha de pertencer a um governo que está resgatando todos os compromissos assumidos em praça pública. “Tenho orgulho de dizer, mais uma vez: palavra dada, palavra cumprida”.
Também os secretários Giuseppe Vecci e Vilmar Rocha deram as boas-vindas aos novos servidores. Vecci lembrou que a liquidação da Caixego trouxe “transtornos grandiosos” para milhares de famílias goianas e que a anistia para o ex-servidores deixa a sensação de “dever cumprido” no governo. O secretário da Casa Civil, Vilmar Rocha, ressaltou que o governo se cercou de todos os cuidados jurídicos, a fim de evitar que o decreto de reaproveitamento dos servidores seja alvo de ações na Justiça.
Visivelmente emocionado, o presidente da Associação dos ex-servidores da Caixego, Antônio Alencar Filho, chorou ao falar da luta dos servidores. Agradeceu o empenho pessoal do governador Marconi Perillo para reparar uma “injustiça histórica”. Segundo ele, com o ato da liquidação, “tentaram matar Goiás”, mas o governador soube “resgatar” o Estado. No final do discurso de Alencar, os servidores agradeceram o governador por viabilizar jurídica e politicamente o retorno deles aos quadros da administração estadual.