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(Foto: divulgação)

Goiás tem prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês com suspensão de importações pela União Europeia

Fieg divulgou uma análise do impacto da suspensão, com previsões e recomendações ao setor produtivo

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04.09.2026 - 09:59:22

A Redação

Goiânia – Os exportadores goianos de produtos de origem animal devem sentir no bolso os efeitos da sanção da União Europeia (UE) às importações brasileiras, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3/9). A estimativa inicial é de que a medida gere um prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês. No mesmo dia, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin), divulgou uma análise do impacto da suspensão, com previsões e recomendações ao setor produtivo.

O embargo suspende as exportações brasileiras à UE de carne de aves, bovina, suína, peixes de cultivo (aquicultura), mel, equinos, ovos e envoltórios (tripas). A sanção deve permanecer em vigor até que o País comprove a documentação exigida ao longo do ciclo produtivo.

“Cabe destacar que a suspensão se trata de uma questão de capacidade de comprovação documental, e não de questões sanitárias sobre a carne brasileira.”, salienta o analista econômico da Fieg Saulo Nogueira .

Entenda o caso

A decisão da UE de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para consumo humano foi tomada em maio de 2026. A medida está relacionada ao Regulamento Delegado 2023/905, que estabeleceu regras mais rígidas sobre o uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos exportados ao bloco europeu. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que as regras vêm sendo efetivamente cumpridas ao longo de toda a cadeia produtiva, da criação ao abate.

O analista da Fieg aponta que outro risco consequente é de que a situação leve outros países a questionar a condição sanitária desses produtos brasileiros e a reduzir ou interromper completamente a importação deles. “Além do impacto econômico direto, a sanção pode levar outros países a questionarem a decisão e a adotarem posturas semelhantes, como no caso da Noruega, que também anunciou a mesma restrição por precaução”, destaca.

Impacto em Goiás

Os produtos de origem animal exportados por Goiás à UE somaram US$ 190 milhões em 2025. Entre janeiro e julho de 2026, o valor foi de US$ 96 milhões, cerca de 14% menor que no mesmo período do ano anterior. As carnes bovinas representaram 90% desse total, ou US$ 171 milhões.

De acordo com a análise da Fieg, o potencial de exportação perdido seria de US$ 3,83 milhões entre setembro e dezembro de 2026, e de US$ 11,5 milhões em 2027. A soma desses valores representaria um impacto de US$ 16,8 milhões por mês, equivalente a 8,1% do valor total das exportações goianas de produtos de origem animal.

A análise da Gedin-Fieg aponta dois frigoríficos mais prejudicados em Goiás: a JBS, em Mozarlândia, e a Minerva Foods, em Palmeiras de Goiás, ambos com produção voltada ao mercado premium europeu. Segundo nota emitida pelo Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Goiás (Sindicarne-GO) em 12 de agosto de 2026, as duas plantas foram estruturadas para atender ao mercado europeu premium, processando cortes nobres de maior valor agregado.

“Exportadores goianos podem, e devem, redirecionar sua produção para a China, que hoje é a maior importadora do Brasil; para os Estados Unidos, que vêm ampliando as compras; e para mercados asiáticos como Japão, Indonésia e Coreia do Sul”, reforça Saulo Nogueira. Segundo o especialista, as exportações goianas e brasileiras para a UE seguem em tendência de crescimento desde 2023, portanto o impacto comercial em Goiás pode ser maior do que os números indicam.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal no País e determina novos procedimentos de controle para certificação. A partir de 3 de setembro, só recebem certificação sanitária internacional os produtos que comprovarem atendimento às regras europeias. Em paralelo, o Mapa se comprometeu a enviar à UE a documentação atualizada, com reforço dos mecanismos de controle.

O valor pago pelos produtos brasileiros de origem animal na UE é cerca de 20% maior do que o praticado em outros destinos. Em 2025, o bloco europeu foi o quarto principal destino da carne bovina brasileira, com 128 mil toneladas e US$ 1,05 bilhão em compras, alcançando cerca de 3% do volume exportado, mas mais de 5% do valor total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pauta total de produtos afetados somou US$ 262 milhões em 2025 e já soma US$ 339,6 milhões entre janeiro e maio de 2026, concentrada principalmente em carnes bovinas desossadas.

Pontos de atenção

A própria UE não alega contaminação, e o prazo para cumprir as adaptações até 3 de setembro é um dos pontos mais sensíveis para a cadeia bovina. Como o ciclo da pecuária de corte é longo, um boi abatido aos 30 meses precisa ter cumprido as exigências desde o nascimento. Ou seja, mesmo depois de adaptar a produção, os frigoríficos levarão cerca de 30 meses para gerar e exportar carne dentro das novas regras europeias.

A análise da Fieg destaca que o setor bovino goiano deve ressaltar ativos que podem acelerar a adequação às exigências da UE, como a rastreabilidade individual do Sisbov, o status de área livre de febre aftosa sem vacinação e a capacidade sanitária já reconhecida pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa).

Entre as recomendações, a Fieg orienta que os exportadores compreendam com precisão as exigências da UE para que o produto de origem animal tenha acesso ao mercado europeu, planejem suas exportações e busquem, desde já, mercados alternativos no exterior.

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por Adriana Marinelli

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