A Redação
Goiânia – A paralisação durante 24 horas de servidores ligados à Segurança Pública resultou em um dia violento na capital. Dez pessoas foram mortas em Goiânia, uma delas vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). O número somado em apenas um dia equivale a 25% do total registrado pela Polícia Civil em novembro, quando ocorreram 39 homicídios.
Dados divulgados pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO) mostram que até 8h desta quinta-feira (10/12), quando a Operação Padrão Atividade Zero chegou ao fim, apenas 99 boletins foram registrados. A média diária para o período seria de 1,2 mil, sinalizando a queda de 91,75%.
Os servidores protestaram pelo não pagamento do reajuste salarial. A manifestação foi organizada por uma comissão que conta com representantes de diversas entidades ligadas à segurança pública. Na prática, o movimento não contou com a participação da Polícia Militar nem do Corpo de Bombeiros, que trabalharam normalmente nas ruas da capital e do interior do Estado.
Ainda segundo o balanço divulgado pelo Sinpol-GO, só em Goiânia foram registrados 70 roubos e 12 furtos de veículos. O número de autos de prisão em flagrante também caiu 83% em todo o Estado. Enquanto diariamente são feitas 100 prisões em flagrante, nessas 24 horas foram registradas 17.
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Em entrevista coletiva na tarde de quarta-feira (9), o secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Joaquim Mesquita, confirmou que a pasta registrou problemas decorrentes da paralisação de policiais, principalmente em relação aos serviços da Polícia Civil e da Polícia Técnico-Científica. “Houve, sim, dificuldades, mas elas foram solucionadas pelos nossos diretores e superintendentes”, disse.
Também durante a última tarde, o Tribunal de Justiça de Goiás
decretou ilegalidade na paralisação e determinou, por meio de uma liminar, o retorno imediato dos trabalhadores alegando que a interrupção do serviço gera "um verdadeiro caos e prejuízo à população".
O presidente do Sinpol-GO, Paulo Sérgio Alves Araújo, considerou positiva a paralisação por 24 horas. "Mostramos que a sociedade sente falta da polícia nas ruas e no atendimento nas delegacias, mas também deixamos evidente nossa insatisfação com essa política de não atender sequer aos acordos feitos para reposição salarial", disse.