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Goiânia irá aderir à sacola retornável?

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27.01.2012 - 16:38:19

Nesta semana começou a vigorar em São Paulo um acordo assinado entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a prefeitura da cidade, cujo objetivo é reduzir a circulação de sacolas plásticas na maior metrópole do país. Muitas pessoas já haviam “aderido” faz tempo, levando para as compras suas próprias sacolas retornáveis. Mas também vemos muita gente reclamando, porque seria “obrigação” dos estabelecimentos fornecer as sacolas plásticas; ou porque toda essa história vai tornar a vida do consumidor muito difícil e onerosa.
 
Em parte, eles têm razão. Afinal, mudar um hábito de tantos anos não é fácil mesmo. Geralmente, quem decide começar a levar sua própria sacola quando vai às compras, se deparará várias vezes com a situação de chegar ao local e perceber que se esqueceu da bendita. Diante disso, recorrerá à caixa de papelão ou aos famigerados saquinhos plásticos. Com um pouco de persistência, chegará o dia em que ela carregará sempre um par de sacolas no carro, ou uma sacolinha dobrada dentro da bolsa. E será um hábito tão natural quanto o costume atual de receber as sacolas plásticas “grátis” do supermercado.
 
Mas é claro que as sacolas não são gratuitas e cada cliente paga por elas. Segundo uma matéria publicada no portal da revista Exame no ano passado, seu custo pode chegar a 0,5% do faturamento de algumas lojas; portanto, 0,5% da conta paga pelo consumidor. Isso significa que, numa compra de R$ 100, cerca de R$ 0,50 servem para pagar as sacolinhas que você leva pra casa.
 
Ainda assim, é fato que o consumidor terá de por mais a mão no bolso para comprar sacos de lixo, cuja função é comumente cumprida pela sacola plástica – o que é motivo para um apego ainda maior a ela. Pesquisando no site de um supermercado em Goiânia, vejo que uma embalagem com 100 sacos de 15 litros (tamanho que mais se aproxima ao da sacolinha) custa R$ 10,70. E que duas embalagens de 50 sacos para banheiro são vendidas por R$ 14,10. Se trocarmos o lixo da cozinha e do banheiro todos os dias, esses sacos durarão três meses e meio. Assim, gastaremos mensalmente R$ 7,08. Mas também deve ser levado em conta que com isso consumiremos sacos de lixo com mais parcimônia, o que acaba por "onerar" menos o meio ambiente. 
 
Em Goiás, a Associação Goiana de Supermercados (Agos) informa que fará uma campanha desde já para que os supermercados incentivem mais o consumidor a levar sua própria sacola para as compras, e para que deixem de fornecer sacolinhas gratuitamente. A grande pergunta é: o comércio reduzirá os preços de suas mercadorias, retirando o valor correspondente às sacolas “gratuitas”?
 
Em junho do ano que vem, finalmente entra em vigor uma lei estadual que determina o fim da sacolas convencionais (lei 16.268/08) – cinco anos depois de sancionada! Elas deverão ser substituídas por uma versão biodegradável. Isto é, deverão ser fabricadas de matérias-primas como o amido de milho, que a princípio tem vantagens sobre o petróleo (usado na fabricação da sacola atual). Entre elas, a qualidade de se degradar em questão de meses, na natureza, sem deixar um rastro de resíduos tóxicos.
 
Mas como usar solo cultivável para fazer sacolas também não é assim tão legal, vida longa às retornáveis. Que incentivos haverá?

*Observação: Algumas informações deste texto foram corrigidas em 29/01/12.

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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