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(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

Ginásio Rio Vermelho: entre a memória, a gestão e o jogo em andamento

Espaço completou 47 anos de funcionamento

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02.01.2026 - 17:28:54

Carolina Pessoni

Goiânia – Há lugares em Goiânia que não precisam de apresentação. O Ginásio Rio Vermelho é um deles. Fundado em 1978 na Avenida Paranaíba, região central da cidade, ele atravessou gerações como palco de grandes decisões esportivas, eventos culturais e experiências que marcaram quem esteve nas arquibancadas e também quem entrou em quadra.

Para o basquete, especialmente, o Rio Vermelho foi mais que um ginásio. “Ali era o templo do basquete, o palácio, algo a ser atingido. Só era liberado para jogos importantes, como fases finais de campeonato ou torneios grandes”, relembra o ex-jogador Diego Pinheiro, que chegou à seleção brasileira e jogou em vários times de ponta do Brasil, incluindo o goiano Universo Ajax.

Foi ali que ele disputou finais históricas, campeonatos nacionais, uma final de Liga Sul-Americana e registrou marcas pessoais, como os 64 pontos e 11 bolas de três em um único jogo. “Foi feito para o basquete. Ali se formaram atletas, caráteres, seres sociais. Foi a forja do esporte em Goiânia.”

 

Ginásio completou 47 anos de fundação em 2025 (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Diego fala com orgulho do passado, mas também com franqueza sobre o presente. “Esse ginásio significa minha casa. É onde me sinto à vontade, gosto do espaço, amo o que sinto quando estou ali dentro. Mas está deteriorado, poucas pessoas têm acesso. A burocracia e os problemas políticos atrasam o esporte em Goiânia e afastam a sociedade da sua importância.” Uma crítica que nasce do pertencimento, e não da distância.

Enquanto isso, o Rio Vermelho escreve um novo capítulo com o vôlei. Desde 2019, o ginásio voltou a receber grandes competições e hoje é a casa do Saneago Goiás Vôlei na Superliga A Masculina. A escolha, segundo o secretário de Estado de Esporte e Lazer, Rudson Rosa Guerra, partiu do próprio clube. “Eles enxergaram no Rio Vermelho a melhor opção para receber jogos e treinamentos, considerando a capacidade para cerca de 3 mil torcedores, a localização central e a boa condição estrutural do ginásio.”

Para o gestor do Goiás Vôlei, Ricardo Picinin, jogar no Rio Vermelho carrega um simbolismo que vai além da tabela. “Todas as pessoas falam desse ginásio com muito carinho. Muita gente iniciou a atividade física ali, foi a jogos, a shows. É um ginásio que trouxe, e está trazendo novamente, muitas lembranças boas.” O público respondeu rapidamente: média de 2.500 pessoas por partida e arquibancadas cheias. “Tem sido difícil enfrentar o Goiás no Rio Vermelho. Estamos construindo uma história muito legal ali dentro.”

 

Rio Vermelho passou a ser a casa do Saneago Goiás Vôlei, representante do estado na Superliga Masculina A (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Foi também ali que o time alcançou feitos inéditos. “Foi a primeira vez na história que um time de Goiás chegou à Superliga A e conseguiu a classificação para a Copa Brasil, tudo isso dentro do Rio Vermelho”, destaca Picinin. Segundo ele, a identificação do público com o espaço faz diferença. “Todo mundo sabe onde fica. Em algum momento da vida, já esteve ali e agora retorna para ver o Goiás Vôlei jogar.” Verde por essência, o time hoje divide espaço com o vermelho que dá nome ao ginásio, “muito bem-vindo”, como ele define.

Do ponto de vista da gestão pública, o Rio Vermelho também passou por transformações importantes nos últimos anos. Ao assumir a administração dos espaços esportivos em 2019, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer encontrou um cenário delicado. “O antigo piso de taco estava se soltando, oferecendo sérios riscos aos desportistas e impossibilitando práticas e atividades”, explica Rudson Rosa Guerra. A retirada desse piso permitiu a adoção de pisos móveis, adequados às diferentes modalidades e eventos.

Desde então, o ginásio vem passando por intervenções contínuas: recuperação dos sistemas elétrico e hidráulico, troca da iluminação, melhorias nos vestiários e pintura geral. Para 2026, já estão autorizadas novas obras, incluindo intervenção no telhado, readequações estruturais para maior comodidade de atletas e espectadores e a modernização do sistema de iluminação, visando também melhor qualidade de transmissão dos jogos.

 

Ginásio passou por obras de modernização e outras intervenções já estão previstas para 2026 (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Hoje, além da Superliga de Vôlei, o Rio Vermelho recebe competições nacionais de basquete, karatê, jiu-jítsu, ginástica de trampolim, entre outras modalidades. “Como patrimônio do povo goiano, o ginásio vem sendo tratado com cuidado para continuar recebendo grandes eventos e servindo a comunidade esportiva”, afirma o secretário.

Entre a memória de quem viveu o auge, a crítica de quem se sente parte e o esforço institucional para manter o espaço ativo, o Ginásio Rio Vermelho segue pulsando no Centro de Goiânia. Um lugar onde passado e presente se cruzam e onde a cidade, volta e meia, se reconhece nas arquibancadas.

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por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

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