Já não é de agora que as redes sociais vêm pautando a vida das pessoas. Ultimamente, no entanto, elas pautam também os noticiários. Postou alguma coisa idiota na internet, caiu na graça do público, separe sua melhor roupa, você será manchete em algum programa de TV amanhã.
Semana passada o vídeo “Para nossa alegria“, de dois irmãos e sua mãe cantando a música “Galhos secos”, virou febre na internet. A versão “engraçada” da música já ultrapassou 30 milhões de visualizações e ganhou várias versões de famosos, como Jair Rodrigues, Luciana Mello, Jair Oliveira, Marcelo Adnet, Fernanda Takai, Thiaguinho e outros. Legal.
Até aí tudo bem, mas ontem uma gravadora, a Salluz Productions, fechou com os irmãos e a previsão de lançamento é para final de maio, início de junho. Tá que eu nem conheço a gravadora, mas mesmo assim, acredito que esteja na hora de memes serem vistos como memes.
Ainda este ano, por conta do meme “Menos Luiza que está no Canadá”, a jovem Luiza foi para um jornal dar entrevista sobre um meme no qual ela caiu totalmente de para-quedas. A jovem chegou até mesmo a dar palestras em eventos por conta do meme, que sequer foi ela quem fez.
Domingo, na premiação do Domingão do Faustão, na categoria Melhor Banda ou Dupla só tinha cantores sertanejos. E não, não tenho nada contra, inclusive até gosto de algumas das músicas dos que concorriam, mas é só desse estilo musical mesmo que o Brasil é feito ou é porque esse estilo que mais faz sucesso nas redes sociais/ boca do povo?
Vivemos em uma época na qual ninguém gosta mais de alguma coisa naturalmente, mas sim porque todo mundo gosta ou porque é modinha. Os meios de comunicação já fazem sua pauta, muitas vezes pela primeira besteira que for tema nas redes sociais, porque, creio eu, acreditam que seja isso que a população queira ver. Assim entramos em um círculo vicioso onde nada de novo e com relevância realmente ganha notoriedade se não ganhar o topo da onda nas redes sociais primeiro.
Enquanto milhões de cantores, de todas as categorias, se matam todos os dias em bares cantando para ganhar algum trocado para sobreviver, quem não tem sequer afinação fecha com gravadora porque postou um vídeo “engraçado” na internet. Enquanto nosso Brasil tem um cardápio enorme de músicos de todos os estilos, um programa de TV preenche 3 vagas de premiação com somente um gênero musical.
E enquanto jornais poderiam noticiar algo realmente interessante culturalmente para a população, se ocupam divulgando o meme da “hora” em seus horários nobres e/ou sites de veiculação.
As redes sociais começaram a pautar nossa vida e noticiários, e não o contrário. Até que ponto isso é bom, eu não sei, mas que o sintoma gritante de acompanhar a multidão só por acompanhar é alarmante, é.