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Filhos de junho

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15.10.2013 - 20:08:00

Goiânia – Percebemos uma radicalização de protestos de variadas categorias profissionais em diferentes locais do Brasil. Para nós de Goiânia, o caso mais emblemático é a ocupação da Câmara de Vereadores pelos professores da rede municipal. Mas temos também outros movimentos reivindicando seus direitos diversos como convocação de concursados, reintegração de servidores, greve da polícia civil e por aí vai.

Todos esses movimentos de pautas que interessam especificamente determinada categoria são descendentes diretos das grandes manifestações que tivemos durante a Copa das Confederações. O que chamo aqui de filhos de junho. Aquele movimento de rua sem líderes, sem motivação direcionada e sem bandeira única gerou essa fragmentação reivindicatória que observamos hoje.

Com as vitórias simbólicas dos protestos, a percepção geral é de que o povo na rua faz com que os governantes recuem. É elementar que a manutenção do valor das passagens do transporte coletivo é o exemplo mais explícito disso.

Em todas as entrevistas, as autoridades diziam ser impossível manter os valores até então cobrados. O povo não aceitou e se avolumou nas ruas de todo Brasil. A queda de braço teve início e o resultado todos sabem: o poder recuou, arrumou-se um jeito de fazer caber na conta e as passagens não tiveram reajuste. Essa pequena vitória de centavos foi uma lição gigante para quem tinha outras demandas.

As categorias profissionais se organizaram para reivindicar seus pleitos. A certeza era de que a radicalização das estratégias encarnava uma possibilidade real de alcançar vitórias. Junho ensinou isso. A partir daí, era arregaçar as mangas e cair dentro da luta por aquilo que consideravam justos.

Se o sindicato não deu suporte e não se mostrou a voz da massa, dane-se o sindicato! O racha aconteceu e a pecha de pelego foi colada na instituição: o caso do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) exemplifica bem isso aí. Se o lance é acampar em locais estratégicos, bola para frente! Tudo em prol da causa.

Acredito que esses protestos localizados continuarão até junho do ano que vem. Os pleitos de cada categoria vão encurralar os governos lentamente. Além disso, irão manter em banho-maria o clamor por mudanças de toda população. Não vão deixar as pessoas se esquecerem dos problemas, mas também não vão ferver para transbordar o caldeirão. As pessoas ficarão atentas, mas não se engajarão.

Penso que a coisa mudará de figura quando a imprensa mundial virar os olhos para o Brasil com a Copa de 2014. Aí, meu amigo, minha aposta é de que o caldo vai engrossar mesmo. Eu não quero estar na pele de quem está com mandato. E será o momento certo para que novos nomes apareçam visando a eleição do final do ano que vem.

O futuro é uma incógnita, é claro! Mas tenho razões para apostar nessa sequência de fatos.

E você? Acha que tudo ficará por isso ou que a situação tende a esquentar para o ano que vem?

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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