Logo

Feminista: ser ou não ser?

WhatsAppFacebookLinkedInX
02.12.2015 - 16:30:33

Goiânia – Fiquei espantada quando minha filha relatou que várias pessoas a excluíram do face por ela ter dito não ser feminista. Uma amiga dela também sofreu por se posicionar diferente dos “politicamente corretos” (são os novos adestrados que só aceitam quem se diz diferente, mas, iguais a eles).

Todos precisam pensar, vestir, falar, andar, iguais a eles e quem não for assim é excluído, xingado, hostilizado, chamado de reacionário, ignorante…sem problema algum, pois eles “si acham” os donos da verdade e a tolerância é zero pra quem não concordar com eles. Tenho verdadeiro asco a estes movimentos do politicamente correto aqui no Brasil. Pois é uma tentativa de copiar o que vem de fora, de esperar que o outro diga o que tenho que pensar e ter. Penso que já é hora de mudar este discurso/ postura excludente, maniqueísta, dualista, que temos adotado. Acho muita esquizofrenia pra uma sociedade só. Querer dividir a sociedade entre branco x negro, homem x mulher, hetero x homo, cota x não cota, psdb x pt, é uma estratégia poderosa para enfraquecer a sociedade e dar poder ao Estado, isto é fato!

A violência está geral!  É violência contra homens (de cada 10 mortes violentas 9 são homens, cadê o movimento contra a violência aos homens?); a violência ao meio ambiente é alarmante, além de crianças, idosos…
 
Por que a violência aumentou tanto no Brasil nesta década?
 
C. G. Jung em seu livro: Aspectos do drama contemporâneo – diz que as questões politicas (como autoritarismo, demagogia, corrupções, roubos) desencadeiam sintomatologias psicopáticas na sociedade. Aqui é só uma pista.
 
Falar que a mulher brasileira hoje é uma vitima indefesa da violência é incabível.  É claro que existem absurdos contra nós mulheres, mas, estão longe de serem barreiras instransponíveis pra nós. Também não dá mais pra falar que sofremos as agressões caladas por não saber nos defender. Hoje temos uma mulher na presidência, mais da metade das famílias brasileiras são lideradas por mulheres, temos delegacia da mulher, secretaria da mulher, somos a maioria nos cursos superiores, somos a maioria na docência, e ainda querem dizer que somos fracas e impotentes contra a violência?

Este movimento tá dando dinheiro a quem? São só os homens que agridem as mulheres? Quem foi o responsável pela educação destes homens violentos? Eles foram educados só pelo pai? Chega! Tem algo errado aqui. Não dá mais pra vestir esta roupa de "coitadinha de mim que sou mulher numa sociedade machista". Se a violência está grande em nossa sociedade é claro que a mulher tem participação ativa nesta realidade, até porque somos maioria na sociedade brasileira: 51%.
 

Voltando a citar Jung, ele diz que a alma do homem é feminina (anima) e a alma da mulher masculina (animus) portanto, podemos dizer que dentro de todo homem existe uma mulher e dentro de toda mulher existe um homem. Somos como que andróginos temos o feminino e o masculino dentro de nós. Entendeu? Então mulheres, parem de falar dos homens como se eles fossem de outro planeta.
 
O movimento feminista da década de 50 trouxe ganhos e perdas. Qual é o papel da mulher e do homem na sociedade? Pensávamos que nosso desejo era ser iguais aos homens. Lutamos pra provar que podemos exercer todos os papeis ditos masculinos.  Séculos e séculos de machismo e tivemos uma rasteira do nosso animus. Existe machismo maior que este, a mulher querer ser igual ao homem?
 
Precisamos de direitos iguais, isso sim, não sermos iguais aos homens. Até porque é uma delícia ter as diferenças. Descobrimos muito tempo depois que o nosso discurso estava desencontrado da nossa prática e com isso geramos muitos desencontros e conflitos. "Vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas, aprendendo a jogar."
 
O livro- A lenda do Graal (Emma Jung – Marie von Franz)relata qualidades marcantes do feminino que são: acolher, gerar, aconchegar, nutrir, acomodar. A taça simbolicamente representa o útero feminino que é um receptáculo (precisa de muita doação e humildade pra “ser receptáculo”). Estas qualidades especiais do feminino estão se perdendo. Esta capacidade do feminino saudável de acolher, gerar, esta em extinção (nós mulheres continuamos com grandes feridas, mas, estas são causadas principalmente por armadilhas que nós mesmas colocamos no caminho) junto com a extinção desta “mulher selvagem” vem à extinção das matas, dos rios, da natureza. O homem só consegue desenvolver respeito e sentir amor principalmente pela natureza quando ele tem contato com este feminino saudável. “O homem consciente de sua anima mantém um vínculo de respeito e amor pela natureza.”
 
Cabe a nós mulheres gerar o homem/mulher que queremos. O Amor encarnou na terra através deste receptáculo. Não existe poder maior que este!
 
Quando temos referências positivas, saudáveis com o feminino, o amor expande.
 
Sei que estamos sofrendo com a violência, mas não dá mais pra continuar com esta atitude infantilizada, esquizofrênica de colocar a “culpa” no outro pelos problemas que temos.
 
A culpa é do Estado, dos políticos, do vizinho, do sindico, do pai, da mãe, dos polícias, dos homens, dos heteros, dos homossexuais, opss dos homoafetivos, do clima, do mosquito, de todo mundo, menos minha, por favor!! Isto se tornou um padrão de comportamento, um vírus,  o brasilianagipisis que esta nos adoecendo, pois, impede o nosso crescimento e amadurecimento.
Estamos viciados, entorpecidos, condicionados a culpar o outro por nossa falta de responsabilidade e principalmente pela ausência de consciência de quem realmente somos.
 
Nós mulheres movemos o mundo quando queremos. “Basta ser sincero e desejar profundo você será capaz de sacudir o mundo.” Queremos acabar com a violência? Vamos fazer nossa parte (participar de Círculos de Mulheres que são poderosíssimos para nossa alma) trabalhar mais o autoconhecimento e nossas projeções que fazem com que enxerguemos muito a violência fora de nós e quase nada a de dentro. Quando não temos consciência do nosso animus (alma da mulher) ele nos domina e domestica, é ciumento e possessivo, terrível e ardiloso, posso te garantir.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Rita De Cassinha

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]