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Fantasmas dos gabinetes

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02.04.2014 - 16:01:21
 
Goiânia – A deflagração da Operação Poltergeist, que deixou o mundo político goiano na terça-feira (1/4) mais ressabiado que torcedor do Vasco antes de uma final, escancarou algo que todos sabemos que acontece, mas não nos mobilizamos para resolver: o excesso de comissionados no serviço público brasileiro são eterna fonte potencial de corrupção.
 
Entendo que alguns cargos devem ser de escolha exclusiva daquele que foi eleito por uma questão de confiança. Também é necessário destacar que parcela significativa dos comissionados honram o contracheque que a sociedade lhe paga cada mês. O problema é que o número superlativo desse tipo de relação trabalhista no ente público é uma avenida aberta para que pessoas de intenções nada republicanas deitem e rolem.
 
O tamanho da máquina estatal brasileira só mostra o quanto ela é ineficiente, cara e cheia de buracos que favorecem falcatruas mil.
 
Cá entre nós, se tem uma coisa que o Estado não pode reclamar é de falta de recursos. O Brasil é um país rico. Vamos repetir: R-I-C-O. Não ficamos nos gabando aí de estar entre as dez maiores economias do mundo? Então, dinheiro não pode ser o problema para falta de concursos e os péssimos serviços prestados.
 
Pagamos impostos a dar com pau. Mesmo com a sonegação monstro, o caixa governamental não para de receber seu percentual a cada compra que fazemos no mercadinho da esquina. Entendo que a centralização excessiva dos recursos na União sufoca estados e municípios. Pois então cadê a força das bancadas dos estados que não colocam projetos que possam corrigir essa distorção? Que resolvam entre eles e não venham querer nos cobrar mais. Ainda mais na cerveja… Mas isso é outro assunto.
 
Voltando a falar dos comissionados, é óbvio que um parlamentar não precisa de mais que três ou quatro assessores comissionados para tocar bem seu mandato. Ampliando o número de servidores concursados nas casas legislativas e implementando um sistema de monitoramento de presença e resultado dos mesmos (ponto eletrônico e acompanhamento público das atividades desenvolvidas de forma transparente pela internet podem ser ideias interessantes), as possibilidades de fantasmas receberem o salário e devolverem ao que detém o mandato diminuem bastante.
 
O problema é que todo modelo político brasileiro, desde a hora de ganhar o voto até o exercício do mandato, é calcado em relações que não são de fim público. O cara entra em uma campanha não por acreditar no projeto do candidato, mas sim vislumbrando o espaço que vai ocupar (e deixar improdutivo) em caso de vitória. Liderança nenhuma quer bater ponto e trabalhar em gabinete. Os caras querem é ter o salário certo no final do mês e dar as caras de vez em quando para assinar o ponto.
 
Sem ponto eletrônico, marcação em cima de toda sociedade e redução drástica dos comissionados não há equipe de Ghostbusters no mundo que dê conta dos fantasmas nos prédios públicos brasileiros.
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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