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Falta humildade na administração pública

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06.11.2017 - 16:53:39

Goiânia – Em 15 anos de serviços público, especialmente dedicados à transparência e ao enfrentamento da corrupção – desde antes desses termos se tornarem parte do vocabulário popular e do discurso político -, percebo que a qualidade da qual os agentes públicos mais se ressentem não é a honestidade, mas a humildade.
 
O grande entrave da administração pública não é corrupção, e sim o casamento pernicioso entre burocracia e arrogância, que é gritante nos cargos do primeiro e segundo escalões, embora não seja exclusivo das grandes autoridades, pois pequenas autoridades também demonstram esse traço de forma inconteste. Autoridades arrogantes já são parte da cultura organizacional da administração pública.
 
Cabe esclarecer que arrogância não é sinônimo de falta de educação. Me refiro ao sentimento de hipersuficiência, à certeza inabalável de ser portador das respostas a todas as perguntas e da certeza da “incompetência e preguiça generalizadas dos servidores de carreira”.
 
Os erros se repetem e multiplicam na exata medida em que novas autoridades são alçadas a novos degraus. Prepotentes, acreditam que exista uma fórmula mágica e que os incompetentes que lá estão, talvez por preguiça ou má vontade, não resolvem o problema. Por não conhecer a fundo o problema e não querer ouvir servidores que lidam diariamente com aquilo, jogam fora recursos escassos, aposentando projetos ainda em desenvolvimento, por exemplo. Repetem velhas práticas comprovadamente ineficazes e atrapalham a produtividade do serviço público como um todo.
 
A grande qualidade almejada de um administrador público deveria ser a humildade. Humildade para entender a diferença entre interesse público e suas convicções pessoais; que a legalidade é a esteira por onde deve andar o administrador público; que cada servidor faz o melhor com as ferramentas que lhe são disponibilizadas e que, se parece simples e ainda não foi resolvido, deve haver algum complicador imperceptível a olhos destreinados. Afinal, somos capazes de ver somente as coisas que fazem parte do nosso repertório de experiências prévias.
 
Isso me faz lembrar um caso que ocorreu há pouco tempo, quando estava em uma churrascaria com um de meus filhos, e o garçom nos ofereceu cupim defumado e prontamente foi interpelado por meu filho: "perfumado"?  Quem, assim como eu, tem filho pequeno, já passou por experiência semelhante. O fato é que à medida que envelhecemos, essas coisas tornam-se cada vez mais raras, mas elas não se extinguem por completo.
 
Profissionais utilizam métodos, técnicas e um linguajar que lhes são apropriados, e se não temos humildade suficiente para admitir que não as dominamos, procedemos como a criança na churrascaria, que percebe as coisas a partir de sua bagagem pessoal. Com o agravante de que as consequências não serão simples risadas dos envolvidos, mas prejuízos de recursos públicos, de tempo, processos civis, administrativos e criminais.
 
*Eduardo Aires Berbert Galvão é Gestor Governamental especialista em Planejamento e Orçamento, presidente da Fenagesp e do SindGESTOR, membro do Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção do Governo do Estado de Goiás, Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
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por Eduardo Aires Berbert Galvão

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