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Jornalista e professora, Angelita Lima defende os cursos para combater a desinformação (Foto: Lays Carvalho/IHGG)

Ex-Reitora da UFG defende combate à desinformação com Jornalismo de qualidade

IHGG comemorou os 60 anos do Curso de Jornalismo da Universidade

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13.06.2026 - 13:04:41

Jales Naves
Especial para o jornal A Redação

Goiânia – É importante que a informação apurada jornalisticamente chegue a todas as pessoas e seja a referência para compreensão da realidade, afirmou a professora Angelita Pereira de Lima, mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal de Goiás e reitora da UFG de 2022 a 2025, ao defender o combate à desinformação com Jornalismo de qualidade. “Mais do que nunca, é preciso investir na formação para termos jornalistas em todos os lugares e à altura dos desafios de seu tempo”, afirmou. Ela foi uma das expositoras na mesa-redonda realizada na manhã de quinta-feira, dia 11, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, para comemorar os 60 anos do Curso de Jornalismo da UFG e que teve a participação de pioneiros, professores e estudantes. Ainda, houve o lançamento do e-book sobre a Cooperativa dos Jornalistas de Goiás (Projornal), base da tese com a qual a jornalista Kalyne Menezes conquistou o título de Doutora em Comunicação pela UFG.

De acordo com Angelita Lima, a criação do curso resultou da ação política de uma geração de jornalistas que se preocupou com a formação profissional e com a estruturação do sistema de jornalismo no Estado de Goiás, enfrentando o contexto do golpe militar. “Havia, naquela quadra da História, um Brasil pulsante que olhava para o futuro com garra e esperança. A jovem UFG, que nascera em 1960, já tinha – por causa da visão inovadora e ousada de seu Reitor, professor Colemar Natal e Silva – um parque gráfico, um jornal (“4º Poder”) e uma rádio. “Quando a formação de jornalistas se tornou obrigatória por lei para o exercício da profissão, a pauta da criação do curso ganhou força, mas só aconteceu porque jornalistas de Goiás e entidades não desistiram, mesmo estando sob o regime de exceção”, frisou.

Quando Angelita chegou na UFG, em 1984, o curso tinha apenas 18 anos de existência, “mas era potente e muito mobilizador, como ainda é nos dias de hoje”, disse. O pioneirismo da UFG está no fato de ter sido a primeira instituição da região Centro-Oeste a criar o Curso de Jornalismo, cuja formação profissional de jornalistas passara a ser obrigatória, e, também, foi o único a formar jornalistas até o final da década de 1990 no Estado de Goiás. “É inegável o papel que o nosso curso cumpriu e cumpre para o desenvolvimento do Estado. Desde o início, primou pela formação qualificada de profissionais engajados e comprometidos com o desenvolvimento do jornalismo em Goiás e atuando pelo direito ao acesso à informação”.

Ressaltou que a importância do Jornalismo como testemunha da realidade, “como registro do presente e constituidor da memória é inegável”. “Precisamos, também, entender o jornalismo como um indicador da Democracia, da cidadania e da qualidade de vida. Onde há informação de qualidade, há mais qualidade de vida”, defendeu.

Falou sobre o ‘Atlas da Notícia’. Segundo ele, há uma relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDHM) e a circulação de informação. “Em Goiás, 72 municípios são desertos de notícia, ou seja, não possuem veículos locais de jornalismo e nem produção local de informação jornalística. A informação local circula de maneira aleatória nesses municípios”, frisou. O ‘Atlas da Notícia’ indica que há 580 veículos de jornalismo mapeados no Estado, sendo 295 emissoras de rádio; 131 jornais impressos; 113 veículos de jornalismo on-line e 41 são TVs. “Ou seja, há mercado e há demanda de expansão, principalmente para superar os desertos de notícia no Estado”.

Concluiu sua exposição afirmando que os pioneiros da formação de jornalistas em Goiás intuíram e atuaram pela criação do curso para formar e fixar bons jornalistas em Goiás. “Chegamos aos 60 anos, felizmente, com nossos pioneiros ainda engajados nessa história, com nossa Democracia recuperada e com muitos desafios a enfrentar”. “Hoje, o problema não é mais a veiculação de conteúdos e sim fazer com que a informação apurada jornalisticamente chegue a todas as pessoas e seja a referência para compreensão da realidade”, defendeu. “Precisamos combater a desinformação com Jornalismo de qualidade. Portanto, mais do que nunca, é preciso investir na formação para termos jornalistas em todos os lugares e à altura dos desafios de seu tempo”.

Debate

A Faculdade de Informação e Comunicação da UFG realizou uma manhã de atividades no IHGG na quinta-feira. Às 8h30, os alunos e professores visitaram a exposição anual do Instituto, intitulada “Brasília: O alicerce goiano de um sonho brasileiro”, mostrando a luta pela transferência da Capital Federal, que sempre fora no litoral, para o interior, mais especificamente para Goiás, e a participação de goianos nesse processo. Logo após, foi exibido o vídeo institucional do IHGG, relatando os avanços no trabalho da instituição; e, às 9h30, houve a abertura oficial das comemorações dos 60 anos de criação do Curso de Jornalismo, quando falaram a professora doutora Rosana Borges, organizadora do evento; o historiador Jales Mendonça, presidente do IHGG; e o professor doutor Daniel Christino, diretor da FIC/UFG. Em seguida, o Instituto concedeu o certificado de reconhecimento histórico e cultural ao Curso de Jornalismo.

Mais uma vez com auditório cheio, o IHGG comemorou os 60 anos de criação do Curso de Jornalismo da UFG (Foto: Lays Carvalho/IHGG)
Professora Rosana Borges exibe o certificado de reconhecimento ao Curso de Jornalismo (Foto: Eduarda Mistela)

Às 9h50 começou a mesa-redonda “Fundação e consolidação do Curso de Jornalismo da UFG (1966-2026)” e lançamento do livro sobre a Cooperativa dos Jornalistas de Goiás. Falaram a professora doutora Solange Maria Franco, coordenadora do Curso e do Projeto comemorativo dos 60 anos do Curso de Jornalismo da UFG; professora doutora Angelita Pereira de Lima, que se formou em Jornalismo, integrou a Projornal, coordenou o Curso, dirigiu a FIC/UFG e foi Reitora da UFG; e os jornalistas José Osório Naves, 87 anos, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás em três mandatos e, nessa condição, apresentou a ideia de criação do Curso de Jornalismo à UFG e foi o principal defensor dessa proposta até a sua implantação; Valterli Guedes, que integrava a direção do Sindicato dos Jornalistas quando do encaminhamento desse pleito e atualmente é presidente da Associação Goiana de Imprensa; Jales Naves, que integrou a segunda turma do Curso (1969-1972), presidiu o Centro de Estudos de Comunicação no âmbito da UFG e nessa condição realizou em Goiânia o I Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação, em 1972, que presidiu, e foi um dos fundadores e presidente da Cooperativa; Kalyne Menezes, egressa do Curso e autora do livro sobre a Projornal; e Marly Paiva, egressa e primeira profissional contratada para trabalhar na Cooperativa dos Jornalistas.

Aula histórica

Na avaliação da professora doutora Rosana o evento que celebrou os 60 anos do Curso de Jornalismo no IHGG “foi extremamente exitoso, tendo contado com mais de 100 pessoas, entre estudantes, docentes, egressos e profissionais da área”. “Foi uma aula histórica, sobre a luta pela criação do curso, sua fundação e consolidação, além de também ter proporcionado um encontro de gerações e um espaço de reflexão sobre o jornalismo e a sua função social, especialmente na defesa da Democracia”, afirmou.

O diretor da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG, professor doutor Daniel Christino, enfatizou que o Curso de Jornalismo, pelo seu pioneirismo, tornou-se a base da estruturação do antigo Departamento de Comunicação Social do ICHL, depois transformado em Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb) e que hoje é a FIC. Foi no Curso de Jornalismo que os demais cursos da área de Comunicação foram pensados e criados, quais sejam: Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Hoje a FIC possui seis cursos de graduação: Jornalismo, RP e PP, ligados à Comunicação, e Biblioteconomia, Gestão da Informação e Biblioteconomia EAD, além do Programa de Pós-graduação em Comunicação e do Mestrado em Ciências da Informação.

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por Adriana Marinelli

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