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#eusougay

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15.07.2011 - 17:57:45

"Afirmo desde o início: Não tenham medo. Essa é a mesma exortação que ressoou no início do meu ministério na Sé de São Pedro. Do que não devemos ter medo? Não devemos ter medo da verdade sobre nós mesmos."

Papa João Paulo II
 
Esta crônica não é para reafirmar a minha orientação sexual. O objetivo é difundir uma proposta que tem como único fim a liberdade e a felicidade. O projeto #eusougay, idealizado pela jornalista pernambucana Carol Almeida, que há poucos meses virou hit nas redes sociais, nasceu para dizer basta. Basta de ódio, de violência, de animosidade.
 
A ação não é apenas contra a homofobia. É uma semente contra a intolerância e a falta de respeito. Ser gay, nesta concepção, vai além de orientação sexual. O resultado, um vídeo de pouco mais de cinco minutos, merece muito ser visto por todo mundo, de crianças goianienses a idosos interioranos, e é facilmente localizado no Youtube.
 
Você é gay também? Se viver de alegria, a resposta é sim, mesmo se tiver uma namorada, amante, for casado e até pai de três filhos. Gay, e quem diz é o dicionário, é adjetivo traduzido de alegre, divertido, jovial; vistoso, brilhante, vivo… Você é heterossexual e quer entender o que causa a homossexualidade? Não precisa de grande esforço nem de recorrer à literatura científica. É só tentar compreender o que originou a sua heterossexualidade. A naturalidade – neste caso, vem de natureza – é a mesma.
 
Entre gay e heterossexual há apenas duas semelhanças: as qualidades e os defeitos. São os mesmos. Repito: os mesmos. Tem do bem e tem uó. Gay também rouba sim. Aliás, dá a elza. Dá piti. Conta bafo como ninguém. Dá bas-fond mais ainda. Faz a naja ou a egípcia. Inveja quem tem aqué. Tem as finas e as bagaceiras. Ao menos quem já folheou a Aurélia, dicionário assinado por Angelo Vip com o vocabulário dos guetos que pegou em muita rodinha da high society, consegue entender o significado das expressões acima.
 
Assim, dá para compreender também que todas as acepções se aplicam a heterossexuais e homossexuais. O que não se admite, em pleno 2011, é levar coió. Na gíria, significa agressão homofóbica. Espero que em pouco tempo, com o índice de violência abaixo de zero, olhemos para trás e não acreditemos como podia, no início do novo milênio, homem apanhar só porque ama outro, tal como hoje causa arrepio saber, por exemplo, que tem mulher que ainda apanha de marido.
 
Foi-se a época em que gay era somente o cabeleireiro da sua mãe, o costureiro do seu pai, seu professor de francês ou o melhor amigo da sua irmã. Hoje, gay é todo mundo. Já é um amor que ousa dizer seu nome. Pode ser seu irmão, seu cunhado, seu primo, seu vizinho, seu sócio, seu cliente ou até seu pai. O que importa é ter em mente e no coração que é gente da gente, como a gente, com os mesmos sentimentos, pulsações, origem, sangue.
 
Homossexualidade é bem diferente de gripe e Aids. Não pega. Pode cumprimentar com aperto de mão, abraço, beber água no mesmo copo, compartilhar a toalha, tomar sol junto e emprestar o protetor solar, respirar no mesmo ambiente, trocar e-mail, mandar mensagem no celular. Não é transmissível. Não é, e quem afiança é a Organização Mundial de Saúde, doença, nem, e quem atestam são os conselhos Federal de Medicina e Psicologia, mental.
 
O deputado federal fluminense Jair Bolsonaro, tão devoto à causa, bem que podia propor ao Congresso Nacional um projeto de lei para a construção de uma cidade todinha gay. Já pensou que hype? Música animada, vibe positiva, paz, cor, amor e vida. Garanto que muito heterossexual do bem ia anexar uma emenda ao texto original ou adulterar a orientação sexual só para ter título de cidadania.
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por João Camargo Neto

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