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Eu vou chamar o síndico: Tim Maia!

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18.09.2012 - 11:20:31


Goiânia – Na última sexta-feira, fui à Atlanta Music Hall assistir ao musical Tim Maia – Vale Tudo. Eu já sabia alguma coisa do espetáculo. Alguns amigos viram no Rio de Janeiro e em São Paulo e elogiaram bastante. Também participei de um bate papo organizado pela produtora do evento em Goiânia, a Mix Entertainment, que antecipou detalhes da apresentação e atiçaram a curiosidade. Ao final do evento, fiquei satisfeito com o que presenciei. Me diverti e isso é o que importa. Valeu ter ido.

Naturalmente, seria melhor ter visto um show do Tim Maia. Na impossibilidade de tal fato, o musical cumpriu bem a função de dar uma passada geral pelos grandes hits do eterno síndico, contextualizou quando cada música foi escrita, entremeou fatos marcantes da vida de Sebastião Rodrigues Maia, narrou alguns casos engraçadíssimos de Tião Marmiteiro. Ou seja , não tinha como dar errado: sons eternizados no panteão da música brasileira com casos inacreditáveis vivenciados pelo músico. Como eu disse, diversão garantida.

Preciso confessar que não gosto de musicais. Em geral, eles me transmitem um clima meio Fama. Lembra-se daquele programa da Globo? Pois é. Quando vejo musicais, percebo aqueles caras cantando absurdamente bem, super ensaiados, com tudo em cima, mas com a coisa meio sem vida. Meio fake, meio de plástico. Um clima onde o elemento artístico que mais respeito foi para as cucuias: a verdade. O musical escrito por redigido por Nelson Motta e dirigido por João Fonseca não foge disso. Mas a força da música de Tim e o poder cômico de suas histórias amenizaram essa impressão e garantiram o entretenimento.

Saindo da Atlanta, coloquei no som do meu carro o disco gravado em 1976 por Tim Maia. Mesmo com três horas de duração (que passam voando), o espetáculo não citou esse álbum – pularam direto da fase Racional para a disco music. As brigas com a Rede Globo, MTV, Roberto Medina… Todos esses fatos também passam batido (ou são mencionados tão levemente que nem o mais atento espectador perceberia) no texto de Motta – um apaziguador nato, que não cola em polêmicas e de personalidade bem distinta da de Tim Maia. É claro que não daria tempo de falar de tudo.

Ouvindo esse disco, ficou claro que o groove realmente circulava dentro das veias de Tim. O peso do funk, o baixo gordão e a batida encorpada da bateria o colocam em pé de igualdade com os grandes nomes da música negra mundial. Ele realmente tinha o dom de colocar para dançar. E para emocionar também. Ou, como o próprio dizia, “metade das músicas são mela cueca e metade esquenta suvaco”. Fórmula perfeita que garantiu aceitação popular gigante e credibilidade artística inquestionável.

Se a derrota chegar perto de sua festa, não tem segredo. Basta chamar o síndico: Tim Maia!  

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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