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Esse dezembro está mais devagar?

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14.12.2012 - 15:34:22

Todo mês de dezembro tem um timbre próprio. Parece que as pessoas entram em um clima muito particular, onde os compromissos ficam mais frouxos, as coisas mais sérias são deixadas de lado e a confraternização ampla, geral e irrestrita se avoluma e nos engole. Vem cá, é impressão minha ou esse dezembro em específico está mais devagar nesse sentido?

Não sei se é porque a idade bateu e agora não estou mais no meio da galera. Não sei se as primeiras ondas da crise econômica mundial bateram nas praias brasileiras. Não sei se as preocupações cotidianas estão engolindo a malemolência típica de dezembro. Mas o fato é que o clima de esbórnia, bebedeira e comilança como se o amanhã não existisse não está presente em 2012. Será mesmo o fim do mundo como nós conhecemos?

Meu termômetro para essa observação são as redes sociais, é claro! Vejo menos compartilhamentos de momentos de festa e alegria. Antes, eu sentia que a festa era sem horário, sem dia, sem compromisso. Ultimamente, só vejo um publicitário falando de um boca livre aqui, um estudante universitário em uma balada de meio de semana acolá e nada mais. As pessoas estão mesmo deixando as festas para depois da fatídica data apontada pelos Maias? Não acredito. Se assim fosse, ninguém estaria comprando nada a vista e sim tudo parcelado. Pensando melhor…

Alguns culpam o atraso da instalação da decoração natalina por essa ausência de clima. Para esses, aquele tanto de luz piscando deixaria as pessoas inebriadas e mais propícias ao espírito descomprometido tradicional desse mês. Bom, acho que essa percepção é equivocada. Ou proveniente das novas gerações. Afinal de contas, o Natal não foi inventado junto da energia elétrica, muito menos de forma concomitante às infames luzes da Tamandaré. Eu acho que essa história vem de antes.

O que me parece mais plausível é responsabilizar o excesso de atividades a que todos nós estamos submetidos por esse atraso. Temos tantas demandas de trabalho, de âmbito familiar, expectativas e necessidades que nos recusamos a aceitar que o ano está acabando e temos um milhão de coisas ainda não resolvidas e que precisam ser encaminhadas ainda em 2012. Tipo quando você está chegando ao final de um bom livro e começa economizar páginas de leitura para que dure mais. Só que, no caso do ano, a motivação da enrolação não é o prazer, e sim o desespero. Mas não tenho dúvidas de que na semana que vem esse clima que tanto gosto vai chegar. Afinal, sou brasileiro e não desisto nunca.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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