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Entre discos raros e memórias, Museu da Imagem e do Som de Goiás preserva história que se escuta

Com cerca de 50 mil itens, coleção reúne discos de cera, vinis e registros históricos

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06.02.2026 - 16:17:26

Carolina Pessoni

Goiânia – Muito além das exposições visuais, o Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS) guarda um patrimônio que não se vê, mas se escuta, e que ajuda a compreender o tempo, os costumes e as transformações culturais de diferentes épocas. O acervo fonográfico do MIS é hoje um dos mais expressivos do Estado e funciona como um verdadeiro arquivo da memória sonora, reunindo vozes, estilos musicais e suportes que atravessaram quase um século.

São cerca de 50 mil itens catalogados, formados majoritariamente por discos de vinil, mas que incluem também raridades como discos de cera — feitos em goma-laca e com rotação de 78 rpm — além de fitas magnéticas K7 e CDs. “Esses discos de cera têm registros de artistas da década de 1930, como Carlos Gardel. São materiais muito raros, que não podem ser tocados em qualquer lugar, porque exigem equipamentos específicos”, explica a coordenadora do museu, Gisele Gomes Garcia.

O percurso do acervo acompanha a própria evolução da indústria fonográfica. Dos discos de cera, com apenas uma música de cada lado, o acervo avança para os LPs de 10 polegadas (comuns nos anos 1950, com quatro faixas por lado), até chegar ao vinil de 12 polegadas, que dominou o mercado até o final da década de 1980. “O vinil nunca deixou de existir. Existe um apego muito grande, uma memória afetiva ligada a esse formato”, observa Gisele.

 

Algumas raridades compõem o acervo fonográfico do MIS (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Grande parte desse acervo chegou ao MIS por meio de doações. A maior delas veio da Rádio Brasil Central, responsável pela doação de cerca de 34 mil discos quando modernizava seus próprios arquivos. Colecionadores particulares também contribuíram para a formação do conjunto, que hoje reúne artistas, estilos e nacionalidades diversas. Diferentemente dos acervos fotográfico e videográfico do museu, que priorizam produções goianas, o fonográfico é amplo e abrangente, reunindo desde música erudita até samba, jazz, rock, MPB e registros históricos.

O acesso ao acervo, no entanto, exige cuidado e mediação. Não há empréstimo de materiais. Quem deseja conhecer ou ouvir um disco precisa agendar a visita previamente. “A gente faz esse atendimento com mais atenção. A pessoa solicita a busca no acervo e nós já deixamos o material separado para ela ouvir”, explica a coordenadora. Em datas específicas, como a Semana Nacional de Museus, o MIS promove audições públicas temáticas, em formato de aula aberta.

A pesquisa sobre música goiana é uma das mais recorrentes no espaço, mas o perfil do visitante é diverso: pesquisadores, estudantes, músicos, colecionadores e curiosos atraídos pela experiência de ouvir suportes sonoros que já não circulam no cotidiano. Em 2023, o MIS registrou 5.290 visitas, com pico no mês de julho, período de férias escolares, quando o museu recebeu 789 visitantes.

 

Equipamentos específicos são usados para a reprodução dos discos (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Atualmente, o museu não está recebendo novas doações para o acervo fonográfico, já que as reservas técnicas atingiram sua capacidade máxima. Ainda assim, o conjunto existente segue ativo como fonte de pesquisa e preservação. Criado em 1988, o MIS nasceu justamente a partir de um chamamento público feito pela imprensa, convidando a população a colaborar com a construção de um museu voltado à salvaguarda da memória audiovisual goiana.

Memória sonora
Instalado na região central de Goiânia, o Museu da Imagem e do Som integra um conjunto de equipamentos culturais que ajudam a manter viva a relação entre o Centro e a produção artística do Estado. Ao preservar discos, vozes e registros sonoros de diferentes épocas, o MIS reafirma que a história também se constrói pelo som, pelas músicas que embalaram gerações, pelas falas que documentaram o tempo e pelos suportes que, mesmo obsoletos, continuam carregando significado.

Inserido em uma área que concentra parte significativa da história cultural da capital, o MIS cumpre um papel que vai além da guarda técnica do acervo. Ao permitir que pesquisadores e visitantes escutem registros originais em seus próprios suportes, o museu transforma o Centro em lugar de experiência e escuta ativa, onde o passado não está apenas arquivado, mas continuamente acessado, reinterpretado e mantido em circulação simbólica.

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por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

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