Jales Naves
Especial para o A Redação
Goiânia – Engenheiro eletrônico pela Universidade de São Paulo, com mestrado nos Estados Unidos, Diône Craveiro Pereira da Silva, 82 anos, goiano da antiga capital, fez uma brilhante carreira no Setor Público, exercendo importantes funções. Sempre presente e próximo dos familiares e amigos, aos 25 anos, em outubro de 1965, professor do Instituto Central de Física da Universidade de Brasília (UnB), demitiu-se em solidariedade aos colegas exonerados e em função do clima de perseguição política na instituição.
Com uma rotina tranquila, morando em Brasília há muitos anos, onde teve uma participação em diversas empresas públicas e privadas do setor de telecomunicações, na sexta-feira, dia 25, ele se deitou para não mais acordar. Faleceu em casa, dormindo; seu corpo foi cremado e às 14h deste domingo, dia 27, será celebrada missa em sua memória na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Lago Sul (SHIS QL 6/8), na Capital Federal.
Foi casado com a empresária Mércia Miryam da Silva e tiveram um filho, Dalton, brasiliense, que se casou com a goianiense Larissa Naves Ripoll e o casal lhe deu três netos: Isadora, Jordana e Dante, todos brasilienses. Também deixa a filha Tatiana Fragoso e os netos Rafaela e João.
“Pai dedicado, irmão carinhoso, avô sensacional, sogro mais do que um pai, tio, amigo e cunhado”. Assim foi definido por todos que o conheceram. Pessoa discreta, simples, honesta e prestativa, era observador e detalhista, atencioso e elegante. “Inteligente, disciplinado e com um humor refinado”.
Trajetória
Diône Craveiro nasceu na cidade de Goiás no dia 2 de fevereiro de 1940, filho de Doien Pereira da Silva e Luci Craveiro Pereira da Silva; o pai foi escrivão do Cartório de Notas de Jaraguá, GO, e pequeno fazendeiro no município. O casal teve dois outros filhos, Doian e Luciene. São avós Diógenes Pereira da Silva e Etelvina. Ele se mudou para Jaraguá quando tinha 12 anos.
Aos 14 anos foi enviado para internato em Uberaba, MG, onde ficou dois anos, mudando-se em seguida para São Paulo, onde concluiu o curso científico e ingressou na USP, para cursar Engenharia Eletrônica. Formado, ganhou bolsa de estudo para fazer Mestrado em Engenharia Elétrica nos EUA, onde ficou dois anos.
Ao deixar a UnB mudou-se para Goiânia, quando foi convidado pelo governador Otávio Lage, que era amigo de seu pai, e assumiu a diretoria técnica do Departamento de Telecomunicações de Goiás (Detelgo), então uma pequena repartição pública do Estado, que gerenciava duas centrais telefônicas: uma em Goiânia, que começava pelo prefixo 6, e outra em Campinas, prefixo 3.
Nessa gestão o Detelgo foi transformado numa empresa pública, a Companhia de Telecomunicações de Goiás (Cotelgo), quando assumiu a sua presidência. Deixou o cargo com a posse de Leonino Caiado no Governo do Estado.
Voltou para Brasília para assumir a presidência do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel), que tinha sede no Rio de Janeiro e a levou para o Distrito Federal, na gestão do ministro das Comunicações, Hygino Caetano Corsetti. O Dentel era o órgão executivo do Ministério das Comunicações e foi extinto com a criação do Ministério da Infra-Estrutura, em 1990, pelo Governo Collor. Sua responsabilidade era a fiscalização das telecomunicações no país, e tinha o papel mais de orientação.
Com a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), primeira agência reguladora instalada no Brasil (Lei 9.472, de 16 de julho de 1997), passou a atuar nesse órgão, sendo convidado para chefe de gabinete pelo presidente Renato Guerreiro, e ali se aposentou.