Com a participação de seis presidentes de Academias – Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins –, e de escritores goianos, reacendeu o debate por maior atuação dessas entidades na vida nacional, inclusive propondo a criação de uma Federação para articular a união entre as academias e promover intercâmbios. Ainda, levantou a bandeira de mais presença da mulher na vida acadêmica e nos demais espaços sociais, políticos e econômicos.
Autora do projeto do evento, apresentado quando presidia a Academia Goiana de Letras em 2017, a escritora Lêda Selma de Alencar coordenou as mesas de trabalho e redigiu a “Carta de Goiânia”. “A AGL se mostrou para as coirmãs, abrindo suas portas para acolhê-las e evidenciou sua boa relação com o poder público, que apoia nossas propostas e as viabiliza”, disse. Nas palestras e mesas redondas os dirigentes das demais entidades reclamaram da falta de apoio oficial nos Estados às suas promoções.
Esse encontro nacional aconteceu 50 anos após a realização, pela AGL, de idêntica iniciativa, para a discussão de temas que requerem maior reflexão. Dentre esses, a questão ambiental, o apoio às entidades culturais, mais espaço democrático e maior aproximação entre as Academias de Letras, com atuações muito limitadas e restritas à sua área de abrangência, sem maior convivência entre elas. O Painel Literário teve o apoio do FAC, da Secretaria de Estado da Cultura; da União Brasileira de Escritores, Seção goiana; Pontifícia Universidade Católica de Goiás, por seu Programa de Pós-Graduação em Letras; e da Editora Kelps.
A coordenação do evento ficou a cargo do presidente da AGL, José Ubirajara Vieira Galli, o relacionamento com os meios de comunicação foi feito pelo escritor Ademir Luiz da Silva, presidente da UBE-GO, e os trabalhos foram secretariados pelo primeiro secretário da AGL, Nasr Chaul.
Carta de Goiânia
No encerramento do evento foi lida a “Carta de Goiânia”, documento-síntese do Painel Literário:
Carta de Goiânia
Três dias iluminados pela primavera – 19, 20 e 21 de outubro de 2022 –. Todavia, a luz não se disseminava, apenas, na Casa Colemar Natal e Silva, sede da Academia Goiana de Letras/AGL, situada em Goiânia, na emblemática Rua 20, 175, Setor Central. A luz também emanava da alegria da Entidade em receber ilustres presidentes das Academias de Letras do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Espírito Santo e Rio de Janeiro, além de especiais convidados, para o PAINEL LITERÁRIO do Brasil Central e Convidados – Encontro de Academias de Letras –, sonho antigo da confraria.
José Ubirajara Galli Vieira, presidente da AGL, saudou, com boas-vindas e agradecimentos, os participantes do evento e declarou abertos os trabalhos. Três dias inteiros de congraçamentos, trocas de impressões, opiniões, experiências, debates. Momentos memoráveis, com relevantes conteúdos em palestras substanciosas, abrangentes, provocativas, enriquecedoras. Cada Painel Literário, destacado pelas peculiaridades do tema e importância das propostas, bem exposto nas falas dos palestrantes.
Dia 19
– Às 10h – O primeiro Painel, A ocupação humana do Cerrado e a narrativa decorrente, desenvolvido pelo geógrafo, Prof. da UFG, Dr. Eguimar Felício Chaveiro, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, resultou em instigantes questionamentos: 1) Quais as consequências de uma ocupação humana que não leva em conta o respeito ambiental? 2) Dizimação ambiental – há alguma recuperação possível? 3) É possível existir uma civilização apartada da Natureza?
– Às 14h30, Sueli Batista dos Santos, que preside a Academia Mato-Grossense de Letras, discorreu sobre A participação da mulher na vida acadêmica. Ao final, ela propôs: 1) Refletir sobre a expansão do espaço da mulher na vida acadêmica e na vida cultural como um todo. 2) Realizar bienal com obras de escritores das Academias de Letras, com exposições para públicos diversificados. 3) Reivindicar ao poder público aquisição e distribuição de obras dos acadêmicos visando ao compartilhamento do conhecimento, estímulo à pesquisa social e científica e à conservação do patrimônio cultural. 4) Fundar a Federação Nacional das Academias de Letras, ampliando-se os intercâmbios.
– Às 16h – a escritora Ester Abreu Vieira de Oliveira, presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, versou sobre São José de Anchieta, no Espírito Santo, poeta e dramaturgo. 1) Reflexão sobre sua obra. 2) Como interpretar sua figura dentro da literatura brasileira? 3) Qual o papel da centenária Academia Espírito-santense de Letras, no cenário cultural brasileiro.
Dia 20
– Às 10h – Nesse terceiro Painel, O papel das academias de letras no Brasil foi abordado pelo escritor e presidente da Academia Carioca de Letras, Sérgio Fonta, que, antes, buscou, no passado, antigas academias, a começar pela primeira, a de Platão, na Grécia, para depois visitar as atuais, cujas dificuldades limitam suas atividades e execução de projetos. 1) A importância da força do Estado para estimular e dotar as academias literárias com aportes que lhes permitam realizar uma caminhada exitosa. 2) Situação deficitária de algumas instituições culturais. 3) Que mecanismos oficiais podem ser realizados visando ao seu melhor desempenho cultural. 4) Alerta para a não supervisão das redes sociais e da internet.
– Às 14h30 – a escritora Mary Sônia Valadares, presidente da Academia Tocantinense de Letras, enfocou O papel das academias na vida cultural das cidades novas. 1) Como pensar a atuação de sua Academia de Letras na vida cultural da cidade e do Estado? 2) Como articular sua função cultural de defensora das tradições linguística e cultural? 3) E as novas dinâmicas sociais, movidas por novidades tecnológicas e constantes mudanças nos registros linguísticos?
– Às 16h – Escritor Henrique Alberto de Medeiros Filho, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, expôs as Oportunidades e ameaças enfrentadas pela literatura diante das novas mídias e os suportes. Em sua fala, propôs: 1) Valorização da Literatura nas Grades Escolares públicas. 2) Incentivo das Academias Estaduais, no destaque à Literatura e Leitura. 3) Participação das Academias nas redes sociais para maior empatia com suas regiões em relação ao conhecimento de seus escritores e obras com vistas à maior difusão, popularização e conhecimento. 4) Desenvolvimento de um trabalho para maior intercâmbio e interrelacionamento entre as Academias, o que diminuirá distâncias e desinteresses. 5) Aglutinação de esforços das Academias Estaduais de Letras de todo o Brasil, junto à Academia Brasileira de Letras/ABL, despertando-a para a importância da aproximação e intercâmbio da Casa Nacional com as Casas Estaduais, por meio de convênios ou atividades em prol da literatura e da Leitura, destacando-as em seus aspectos regionais e nacionais.
Dia 21
– Às 10h – Encerrando, com ‘chave de ouro’, o evento, diga-se, de máxima significação para a Literatura, pois abriu um olhar mais amplo para temas de interesse comum dos participantes, Gilberto Mendonça Teles, decano da AGL, palestrou sobre A visão da Poesia e sua relação com os problemas ambientais.
Conclusão:
Patentes, em um contexto geral: 1) Preocupação com o meio ambiente; 2) Importância, e até necessidade, de união, contatos mais estreitos e intercâmbios literários entre as Academias de Letras; 3) Dificuldades por que passam, com a falta de apoio do governo; 3) Função das Academias de Letras para a Cultura e para a sociedade. 4) Destacada, ainda, a exigência atual de inclusão das academias nas mídias.
Assim, esperam-se que as propostas não fiquem cravadas e esquecidas no papel e, sim, caminhem, voem para que o sucesso deste evento frutifique-se em expressivas conquistas e marcantes realizações.
Goiânia, 21 de outubro, primavera de 2022
José Ubirajara Galli Vieira
Presidente