Alexandre Parrode
Goiânia – Na última quarta-feira (28/5) o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) divulgou o resultado do pleito, ocorrido nos dias 21 e 22 de maio, para escolha da nova diretoria da entidade para o triênio 2014/2017. Segundo a Comissão Eleitoral, com 7.842 votos (44,91%), a Chapa 1, encabeçada por Bia de Lima, venceu a disputa, contra 7.532 votos (43,13%) da Chapa 2, do professor Delson Vieira (foto abaixo) – que questiona veementemente a legitimidade da eleição.

Segundo Delson, que é presidente da regional de Aparecida de Goiânia, houve uma manobra por parte da atual administração que, em conchavo com a presidente eleita, teria manipulado o resultado. "Houve uma manobra ardilosa, sorrateira e vilipendiosa para invalidar os votos da regional de Rio Verde", disse ao jornal
A Redação.
De acordo com o comunicado oficial do Sintego, a presidente Iêda Leal afirmou que a entidade garantiu toda a estrutura para os trabalhos da Comissão Eleitoral: “a comissão teve todo espaço e independência necessária para trabalhar, tivemos uma eleição transparente, em que os candidatos envolvidos tiveram acesso a todas as informações e ninguém pode alegar que houve qualquer interferência no processo”.
Delson Vieira desqualificou a fala de Iêda, bem como pôs em cheque a legitimidade da Comissão Eleitoral. "A comissão foi indicada pelas senhoras Bia de Lima e Iêda Leal, tendo ambas manipulado o resultado", ressaltou.
Validação
A acusação do candidato da Chapa 2 reside no fato de que os votos da regional de Rio Verde, que foram invalidados devido à uma divergência sobre uma urna, dariam vitória a Delson. Lá, seriam 447 votos para a chapa 2, contra 63 da chapa 1, que culminariam em 7.936 votos para Delson Vieira e 7.851 para a presidente eleita, Bia de Lima. Uma diferença de 85 votos.
Ainda no comunicado oficial, a presidente da Comissão Eleitoral Central, Estela Mares Stival, explicou que foram feitas dez solicitações de impugnação, três da Chapa 1 e sete da Chapa 2, motivo, inclusive, que atrasou a divulgação do resultado. “Após analisarmos criteriosamente todas as solicitações, na presença dos advogados das concorrentes, com direito a defesa das duas partes, os recursos foram julgados de acordo com o Regimento da Eleição e por não atender esse Regimento, a eleição da Regional de Rio Verde foi anulada”.
Procurada pelo AR, a presidente afirmou que as solicitações da Chapa 2 foram atendidas, na medida do possível. "Analisamos o pedido de impugnação de Piracanjuba, feito por eles, mas não procedia" o problema é que de Rio Verde não teve jeito, foi o mais gritante. As urnas não foram acompanhadas por membros da comissão eleitoral, esse é o grande problema. Não estamos sendo tendeciosos. "Chegou um momento que eu falei para o representante da Chapa 2: como vocês deixam um processo com esse 'furo', assim não dá", completou.
Inconformado com o resultado, o professor Delson garante que vai tomar as medidas cabíveis: "Nossa chapa vai buscar as medidas judiciais pertinentes. Primeiro, pediremos a validação dos votos de Rio Verde, caso isso não aconteça, buscaremos a justiça", arrematou.
"Nós ganhamos no voto, as senhoras Bia de Lima e Iêda Leal não representam a categoria, tiveram estrutura e perderam a eleição. A categoria não quer mais essas senhoras no Sindicato, mas elas insistem em não deixar o poder… Deve ter algo de muito prodigioso lá para elas", finalizou.
Outro lado

Em entrevista ao
AR, a presidente eleita, Bia de Lima, desqualificou as acusações de Delson e fez graves denúncias contra a Chapa 2, a Secretaria Estadual de Educação de Goiás e a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia.
"Houve inúmeros professores coagidos pela Chapa 2. Afirmo que tanto a secretaria estadual quanto a municipal obrigaram os professores a votar naquela chapa", acusou.
Segundo Bia, os problemas começaram antes mesmo do processo de votação. "Eles fizeram uma campanha caluniosa, na qual já se declaravam eleitos. Houve uma série de denúncias de pessoas que não conseguiram votar, bem como casos de votações fantasmas", disse ela ao AR.
"A apuração começou aqui em Goiânia e, ao averiguarmos, encontramos cédulas clonadas, assinaturas iguais – muitas vezes com a mesma letra e rúbrica. Provas claras de que uma pessoa votou por várias", atacou ela.
A Secretaria Estadual da Educação informou que não houve qualquer ação no sentido de influenciar o voto de profissionais da Educação na eleição do sindicato que os representa. Já a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia não atendeu às nossas ligações.
Sobre a eleição anulada em Rio Verde, a presidente eleita afirmou que, devido à falta de organização e seriedade da regional, não é surpresa que tenha havido impugnação. "Lá foi tão descarado que não teve como eles esconderem. Nós temos fotos, vídeos e aúdios, além de atas com todas as irregularidades do processo eleitoral", confirmou ela.
Bia acusou, também, um funcionário do deputado estadual Karlos Cabral (PT-GO) de coletar votos. "Um funcionário do deputado pegou uma urna e saiu pelas escolas coletando votos dos professores, sendo que o estatuto prevê que as urnas devem ser fixas", explicou.
Ao AR, o deputado afirmou desconhecer o caso e que o mandato não se envolveu nas eleições do Sintego.
Sobre a nova gestão, a presidente explicou que, com mais de 80% do eleitorado da categoria acreditando no projeto, vai trabalhar pela unidade do Sintego. "A disputa já passou. Agora é hora de trabalhar para todos os municípios", concluiu ela.