Logo

Educação x Violência

WhatsAppFacebookLinkedInX
20.03.2014 - 19:42:51

Goiânia – As situações que estamos vivenciando como aumento da violência e corrupções podem ser exemplificadas com uma fórmula matemática: (-) Educação = (+) Violência; simples assim.Temos muitas vezes a ilusão de que são situações desconexas umas das outras, mas, não são. Professores estão em greve por salários mais digno, por melhores condições de trabalho e valorização em todo Brasil. Enquanto isto salários de jogadores de futebol batem recordes e estádios são construídos por R$16.000,00 cada assento!

Professores desmotivados e adoecidos com a falta de reconhecimento, autonomia e presos a uma “grade curricular” que não atende as reais necessidades dos envolvidos. O nome “grade” é bem apropriado, pois aprisiona e imobiliza mais que ajuda e direciona. A realidade para professores de algumas instituições particulares é bem pior, onde é a oferta e a procura de mercado que regulamenta os salários e isto faz com que os rendimentos fiquem abaixo dos rendimentos pagos pelo governo e o stress de não ter garantias que no próximo semestre estará trabalhando é grande.

O crescimento de instituições Escola-Empresa onde priorizam apenas o lucro e nem um pouco o ensino de qualidade; o ensino passa a ser uma mera mercadoria (Não que eu seja contra e condene o lucro das instituições de ensino, é claro que é merecido e necessário, mas, nestas condições, como por exemplo, dar aulas para classe com 100 alunos, com 80 alunos, salas com 60 alunos e receber o mesmo valor é imoral, improdutivo e injusto). Escola-Empresa onde o aluno/ cliente é incentivado a tratar o professor com desvalia (reflexo da liderança em crise!) e comportarem como se os professores fossem apenas um servidor deles, pois “eles estão pagando”.

Hoje o aumento da violência e da corrupção é assustador! Vários políticos na ânsia demonstrarem poder fazem discursos onde somente eles é que têm as melhores soluções para os problemas.A cultura do medo é a$$ustadoramente lucrativa! Estudos sérios comprovam que quanto mais amedrontadas mais as pessoas consomem. Outra regra matemática: + medo = + consumo.

Esta cultura gera votos, pois os candidatos que fizerem o melhor marketing, – convenhamos nunca na história deste país vimos tanta eficiência e eficácia em manipulações – e convencerem que têm as soluções para os problemas (a grande maioria criados por eles mesmos) ganham as eleições.

Fico me perguntando: como esta o inconsciente coletivo /social do Brasileiro com esta prática assistida por nós diariamente de que os fins justificam os meios, que o roubo, a falsidade, a hipocrisia, ladroagem, a enganação, a mentira, o engodo, a falta de hombridade são normas que até o STJ aprova e atestam? Que mensagem é decodificada e paira em nosso inconsciente coletivo com estes exemplos?

Lembrei-me de uma frase celebre de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto.”

Outra frase dele que é adequada ao contexto: “O governo da demagogia não passa disso: o governo do medo.” Rui Barbosa. Será que não está claro o caminho a ser trilhado? Será mesmo que as autoridades e nós brasileiros não sabemos mais o que fazer pra diminuir a violência e a corrupção? Construir mais presídios, diminuir a maioridade penal/criminal e a repressão com mais violência são soluções plausíveis?

Um país que não investe em Educação não pode desenvolver e crescer. TODOS nós sabemos disto e mesmo assim ficamos como que adormecidos em berços esplêndidos  esperando o Salvador da pátria amada. Ele não virá; sinto dizer aos mais esperançosos. Este perfil de “líder salvador” não adequa mais aos nossos reais anseios. Queremos participar e sentirmos incluídos ao contexto.

A solução (resolução) = Educação inclusiva + Cooperação. O processo educacional é a ferramenta básica, prioritária, indispensável, essencial, fundamental para conseguirmos sair deste paradigma da exclusão e competição para irmos para a inclusão e cooperação; consequentemente diminuir a violência. Somos redes de conexões-relações-interações.

Experimentamos no nosso dia-a-dia exemplos simples destas conexões: se jogamos lixo em lugar inapropriado e este entope um bueiro quando chove a rua fica alagada; se não limpo o quintal dos focos criatórios do mosquito da dengue toda a cidade sofre as consequências por mais que a prefeitura passe o “carro da fumaça” e os agentes comunitários.

O Estado não é capaz de solucionar sozinho estes problemas; isto é nítido. Mas, os políticos não querem perder o posto de indispensável Salvador/solucionador de problemas. Compartilhar poderes nunca; pensam eles.

As mudanças são significativas e visíveis quanto ao perfil de liderança que almejamos. Não queremos mais alguém que nos fale o que deve ser feito e nos conduza numa relação infantilizada, perniciosa e dependente. “Ôô vida de gado povo marcado ê povo feliz.” Queremos sentir incluídos, valorizados, respeitados nas nossas particularidades e singularidades e sermos parte/ elo da teia social.

Sabendo que o excluído sempre cobra o seu lugar de direito. Quanto mais excluímos os outros, a nós mesmos, os diferentes, mais estes ficam presentes em nosso destino. Não solucionaremos os problemas da violência nos trancando em condomínios fechados, em carros blindados, impedindo de relacionarmos, vendo o “outro” como uma constante ameaça.

Isto não resolve ao contrário só aumentam nossos problemas e medos.“O que nego em mim encontro como destino.” C.G.Jung.O processo educacional e a mudança de paradigmas que necessitamos com urgência, exige tempo, coragem, determinação, perseverança, é um trabalho às vezes difícil e penoso, mas, com certeza mais leve e gratificante do que a cultura do medo e violência que estamos experimentando. Com investimentos maciços em Educação e inclusão de todos na busca por soluções é possível mudar o curso desta estória.

*Rita de Cássia Ramos Carneiro é psicóloga e professora.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Rita De Cássia Ramos

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]