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Discotecagem não é para qualquer um

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27.09.2013 - 17:20:23

Goiânia – É muito comum me abordarem perguntando como faz para virar DJ, se existe curso ou se eu daria umas aulas. Sempre fico constrangido nesse tipo de ocasião. Em primeiro lugar, não me considero DJ. Eu discoteco. O que é bem diferente de ser DJ.

Da mesma forma que quem joga bola não é necessariamente jogador de futebol ou quem escreve nem sempre é escritor. No meu entendimento, DJ é um cara profissional das pickups, um músico, alguém que cria algo novo a partir de seu vasto conhecimento musical e técnico da aparelhagem. Eu estou longe disso, sem nenhuma falsa modéstia.

Não sei mixar, não sei virar outra música com as linhas que conheço, não sei construir efeitos e texturas. O meu ponto forte é o acúmulo de minhas experiências musicais nos estilos que discoteco. Logo, a amplitude do meu set é meu ponto forte.

Ouço música e compro discos desde a infância. Leio biografias musicais com avidez. Não há momento do meu cotidiano que eu não esteja acompanhado de música de tudo quanto é tipo, já que tenho pouquíssimo preconceito quanto a estilos. Essa é a razão pela qual as pessoas me convidam para discotecar. Ao menos é o que acho.

Sobre dar aulas de discotecagem, a coisa é mais grave ainda. Como vou ensinar algo que não sei nem para mim? Não há como, né…

Discoteco há 11 ou 12 anos. Comecei na Jump e sou eternamente grato pela oportunidade. Toquei em algumas casas lendárias de Goiânia que não existem mais. Das que estão na ativa, Bolshoi, Loop e Metrópolis são as que com alguma frequência estou por lá. Sou residente na Diablo, o que me dá muito orgulho. Mesmo com isso tudo nas costas, não me considero DJ.

Dos que já vi tocar de Goiânia, três são meus preferidos: DJ Múcio (pelo amplo conhecimento musical e feeling), DJ Daniel de Mello (pelo respeito à música brasileira e astral) e DJ Fábio Ferrá (pela técnica apurada e conhecimento do equipamento). Esses são os caras que quando tocam me fazem prestar atenção para ver se aprendo um pouco mais. E isso não quer dizer que não tenhamos muito mais DJs sensacionais em nossa cidade. Esses são os quais mais me identifico. Uma inspiração para mim. Só isso.

No geral, me divirto muito discotecando. Na maior parte do tempo. Mas, como tudo na vida, existem momentos insuportáveis. Talvez o tal de pedir música para quem está discotecando seja o pior. Quando a pessoa entende seu set e pede para que você toque algo na linha, ainda vai. Sempre me esforço para atender. Mas gente com esse bom senso é raro. A maioria não tem discernimento. Se você está tocando The Cure, pedem Luan Santana. Se você colocou Metallica, Pitbull. Se botou Jorge Ben, Lady Gaga.

Outra coisa chata é gente pedir para tocar um pouco. Sério, isso realmente acontece. O cara acha que pode chegar lá e mandar o som. É risível. Como eu disse, bom senso não é matéria farta no mercado da balada.

Você já deve ter ouvido isso em algum lugar: “o trabalho é duro, a gente ganha pouco, mas se diverte”. A vida nas pickups segue essa linha. Todo mundo dançando horrores enquanto você quebra a cabeça para ver que música toca para manter o pique. Essa é minha vida, esse é meu clube.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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