Logo

Discotecagem não é para qualquer um

WhatsAppFacebookLinkedInX
27.09.2013 - 17:20:23

Goiânia – É muito comum me abordarem perguntando como faz para virar DJ, se existe curso ou se eu daria umas aulas. Sempre fico constrangido nesse tipo de ocasião. Em primeiro lugar, não me considero DJ. Eu discoteco. O que é bem diferente de ser DJ.

Da mesma forma que quem joga bola não é necessariamente jogador de futebol ou quem escreve nem sempre é escritor. No meu entendimento, DJ é um cara profissional das pickups, um músico, alguém que cria algo novo a partir de seu vasto conhecimento musical e técnico da aparelhagem. Eu estou longe disso, sem nenhuma falsa modéstia.

Não sei mixar, não sei virar outra música com as linhas que conheço, não sei construir efeitos e texturas. O meu ponto forte é o acúmulo de minhas experiências musicais nos estilos que discoteco. Logo, a amplitude do meu set é meu ponto forte.

Ouço música e compro discos desde a infância. Leio biografias musicais com avidez. Não há momento do meu cotidiano que eu não esteja acompanhado de música de tudo quanto é tipo, já que tenho pouquíssimo preconceito quanto a estilos. Essa é a razão pela qual as pessoas me convidam para discotecar. Ao menos é o que acho.

Sobre dar aulas de discotecagem, a coisa é mais grave ainda. Como vou ensinar algo que não sei nem para mim? Não há como, né…

Discoteco há 11 ou 12 anos. Comecei na Jump e sou eternamente grato pela oportunidade. Toquei em algumas casas lendárias de Goiânia que não existem mais. Das que estão na ativa, Bolshoi, Loop e Metrópolis são as que com alguma frequência estou por lá. Sou residente na Diablo, o que me dá muito orgulho. Mesmo com isso tudo nas costas, não me considero DJ.

Dos que já vi tocar de Goiânia, três são meus preferidos: DJ Múcio (pelo amplo conhecimento musical e feeling), DJ Daniel de Mello (pelo respeito à música brasileira e astral) e DJ Fábio Ferrá (pela técnica apurada e conhecimento do equipamento). Esses são os caras que quando tocam me fazem prestar atenção para ver se aprendo um pouco mais. E isso não quer dizer que não tenhamos muito mais DJs sensacionais em nossa cidade. Esses são os quais mais me identifico. Uma inspiração para mim. Só isso.

No geral, me divirto muito discotecando. Na maior parte do tempo. Mas, como tudo na vida, existem momentos insuportáveis. Talvez o tal de pedir música para quem está discotecando seja o pior. Quando a pessoa entende seu set e pede para que você toque algo na linha, ainda vai. Sempre me esforço para atender. Mas gente com esse bom senso é raro. A maioria não tem discernimento. Se você está tocando The Cure, pedem Luan Santana. Se você colocou Metallica, Pitbull. Se botou Jorge Ben, Lady Gaga.

Outra coisa chata é gente pedir para tocar um pouco. Sério, isso realmente acontece. O cara acha que pode chegar lá e mandar o som. É risível. Como eu disse, bom senso não é matéria farta no mercado da balada.

Você já deve ter ouvido isso em algum lugar: “o trabalho é duro, a gente ganha pouco, mas se diverte”. A vida nas pickups segue essa linha. Todo mundo dançando horrores enquanto você quebra a cabeça para ver que música toca para manter o pique. Essa é minha vida, esse é meu clube.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
30.09.2026
Basileu França abre exposição e apresenta espetáculo musical em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França abriu, na última segunda-feira (28/9), a exposição “Cidades: Entre Memórias, Sonhos e Futuro”, na Galeria de Arte da instituição, em Goiânia. No mesmo dia, o Teatro Escola recebeu o espetáculo “A Noite do Rei”. A programação reúne trabalhos de estudantes de […]

Meia Palavra
30.09.2026
‘Unabomber’ não fica à altura de um dos crimes reais mais curiosos dos EUA

Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar […]

lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]