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Despedida de governo

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13.07.2018 - 11:49:51

Goiânia – A primeira vez que conversei com José Eliton foi em uma reunião em torno da mesa ovalada palco das grandes decisões de governo no Palácio Pedro Ludovico. Não era uma boa ocasião. Os da Cultura acabáramos de receber a notícia de que a Secretaria de Estado seria absorvida pela da Educação. 

 
José Eliton, então um vice que naquele momento exercia o cargo de governador por motivo de viagem do titular, foi ponderado e habilidoso no falar. Ao concluir, sugeriu que aceitássemos a decisão tomada em tempos de crise, pois ela endossava o exemplo nacional de um governo com apenas 10 secretarias, e colocasse “a carroça para andar, pois é no sacolejo que as abóboras se ajeitam”.
 
Dito e feito. Foi-se a Secretaria, mas não se foi a Cultura. De lá para cá muitas coisas foram feitas. E Goiás, modestamente, como deu de acontecer, tem hoje um rastro de carroça que se destaca em meio aos obstáculos que impedem a cultura de avançar em outros Estados, mesmo com suas secretarias específicas.
 
Da outra vez que conversei com José Eliton, agora já governador de fato e de direito, foi em um encontro particular no Palácio das Esmeraldas e na qualidade de seu superintendente da cultura, quando levei até ele alguns projetos para serem desenvolvidos a curto prazo. 
 
E novamente a sua verve rural veio à tona. Ao assinar os pedidos dando aprovação aos projetos, ele clarividentemente disse-me que aquilo era “apenas o caldo, e que teríamos muito trabalho até chegar à rapadura”.
 
Dito e feito. Rapadura e Secretaria da Cultura podem ser apenas figurações de realidades tão idealizadas quanto distantes. Em todo caso, a impressão que o governador imprime até agora é a de que, de conversa em conversa, a realidade avança para o lado da Cultura. Enquanto isso, por um desconforto moral, deixo neste momento a superintendência de estado que exerci no curto prazo de 2 meses. 
 
Ao ver meu irmão bem mais experiente assumir um cargo de mais alta relevância no governo José Eliton, como secretário de Estado, e sendo este cargo diretamente ligado ao que eu ocupo como superintendente da mesma Secretaria, não vejo outra saída que a de solicitar minha exoneração ao sr. governador.  
 
Com certeza, podendo mais por meio do comando da mega Secretaria de Estado da Educação, que inclui a Cultura e o Esporte, é por esta via que a família Peixoto da Silveira seguirá contribuindo com o governo e com as camadas da população que ele busca atender. 
 
E quando o assunto é família, é do nosso pai que devemos seguir os exemplos. Agindo assim, temos a certeza de que ele estaria mais feliz, nos vendo pisar no acelerador e passar de irmão para irmão o dever de servir ao nosso Estado com isenção, civismo, moralidade, eficiência e, sobretudo, cumprindo o ofício da inteligência estratégica de antecipar qualquer observação menos lisonjeira. 
 
É preciso agir à frente e não apenas ser correto e exigente ao liderar equipes no exercício de prestar serviços relevantes para o próximo, mas começar por ser exigente e correto com nós mesmos, no âmbito pessoal, familiar e, por fim, no âmbito coletivo. 
 
A retidão vem da raiz. E se os tempos são de desconfianças no atacado, é preciso dar exemplo no varejo. Sigo com minha trajetória, meus projetos, minha capacidade de trabalho, meu futuro. Sobretudo, sigo de mãos livres, mente aberta e coração alegre. Agradecido. Sempre aberto a novas conversas.
 
Px Silveira é presidente do Instituto ArteCidadania, ex-superintendente executivo da cultura, Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte.
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por Px Silveira

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