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Desempregado ou desinteressado?

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10.09.2017 - 14:40:00

Goiânia – Atuo há mais de 10 anos em gestão de pessoas com perfil bem generalista e há duas áreas que demandam mais atenção: gestão de conflitos e recrutamento & seleção (incluindo Hunting). Selecionar as pessoas certas para a empresa está, para mim, no topo da lista de importâncias entre os processos de gestão de pessoas, pois se não selecionarmos com análise crítica, as consequências negativas da dificuldade de adesão do profissional à cultura da empresa podem gerar um nível de desgaste muito elevado, o que incrementa o outro ponto que mais pesa nas demandas – a gestão de conflitos.
 
Pois bem, já fiz inúmeros processos seletivos – do extremo operacional ao mais alto executivo, e sempre há dificuldades para encontrar o profissional ideal: ora pelo baixo retorno das divulgações das vagas, ora pelo aquecimento do mercado, perfil vaga, remuneração, local de trabalho, dificuldade do gestor em fazer uma definição precisa do perfil que desejava, entre outros. Mas uma dificuldade sempre prevalece: o baixo índice de preparação dos candidatos para participarem das seleções.
 
Atuo diretamente no mercado goiano e recebo, em média, 150 anúncios de vagas por semana, às vezes 300, de todos os níveis de cargo, de vários segmentos de empresas e ainda me pego pensando como é possível termos centenas de milhares de desempregados no país, com tantas vagas abertas?!
 
Vejo pessoas reclamando, clamando por emprego, mas que não conseguem fazer a defesa do que realmente desejam. Há falta de análise, cuidado, zelo, apresentação, postura. Há excesso de situações como: fazer piada com o gestor da área em momento inapropriado e mascar chiclete, de boca bem aberta e fazendo barulho, durante a entrevista.
 
Sempre fiz questão de multiplicar os anúncios de vagas que recebo, bem como compartilhar os currículos daqueles que solicitam, e tenho notícias reais de pessoas agradecidas por terem conseguido mudar suas vidas através desse gesto. Mas a maioria das pessoas que me pede ajuda quer o apoio gratuitamente, na hora e segundo que desejam e, em sua maioria, não estão verdadeiramente interessadas em fazer pequenas (ou grandes) reflexões sobre os reais motivos que às levam de volta à fila do desemprego… Isso porque é sempre muito mais fácil sentar e reclamar, falar para as pessoas como a vida está difícil, esperar que o melhor emprego da vida caia aos pés, com os melhores salários, sem horas extras, sem trabalho aos finais de semana, bem pertinho de casa, multinacional, com benefícios extraordinários, cadeira de couro para sentar e um local onde possa usar o Whatsapp e a internet da empresa, em livre demanda, para falar com os amigos e assistir ao capítulo da novela das sete do dia anterior que você acabou perdendo.
 
Tem muita pessoa boa desempregada, eu sei. Mas precisamos sanar este problema. O que está faltado? As vagas certas não estão chegando às mesmas? Elas não conseguem se expressar assertivamente no momento da entrevista? O currículo está mal redigido?
 
Sei também da falta de preparo da maioria dos RHs e consultorias em ter o devido respeito e atenção com cada candidato, mas prefiro focar naquilo que podemos ajudar! Enquanto as pessoas do bem não se movimentarem, os maus recrutadores não sairão do mercado e os bons candidatos terão dificuldade para se recolocar.
 

*Renata Falco é Assessora em Comportamento.
 
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por Renata Falco

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