Tainá Borela
O senador Demóstenes Torres (sem partido) fez na tarde desta segunda-feira (2/7) o pronunciamento de uma série que perdurará até o dia 11/7, data em que está marcada a votação em plenário do pedido de cassação de seu mandato, aprovado por unanimidade pelo Conselho de Ética da Casa. No discurso, diante de um Senado vazio, Demóstenes falou por 20 minutos e pediu “perdão” nominalmente a todos os senadores que proferiram mensagens de apoio após o seu primeiro pronunciamento em plenário, no dia 6/3. Na lista, tinha os nomes do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), do senador Pedro Simon (PMDB-RS), do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), do senador Blairo Maggi (PR-MT) e dos senadores goianos Lúcia Vânia (PSDB) e Cyro Miranda (PSDB).
Demóstenes pediu perdão a todos os senadores pelo mal-estar que causou à Casa. Pediu perdão pelos “erros” e pela destruição da imagem que os demais senadores tinham dele. O senador goiano voltou a se defender e pela segunda vez afirmou que é inocente. “Não me pesa a consciência. Ela continua limpa. Nada fiz para desmerecer a contrução da minha honra”.
O senador culpou a imprensa pela “ruína” que se tornou a sua vida pública. “No âmbito jurídico sequer fui julgado, mas no tribunal das manchetes fui condenado”. O ex-democrata afirmou que apenas foi amigo do contraventor Carlos Cachoeira e nuca fez negócios legais ou ilegais com o empresário. “Nunca coloquei meu mandato a serviço de Cachoeira”. Para o senador a tática da imprensa é implodir decádas de trabalho e vida pública.”A minha saga a cada fim de noite mal dormida, é buscar os cacos das minhas biografias em sites e blogs e manchetes de jornais”.
Perícia
A Polícia Federal (PF) também não escapou ilesa das acusações de Demóstenes durante o pronunciamento. O senador alegou que a PF selecionou das gravações apenas os trechos que interessavam para a denúncia. Afirmou que o relatório que embasa o pedido de cassação de seu mandato aproveita apenas três minutos das gravações. Demóstenes também suplicou para que seja feita perícia em todas as gravações. “Minha súplica pela realização de perícia, não só para mostrar a ilegalidade nas colheitas das provas, mas também para compreender e contextualizar as gravações”. Para o senador falta contextualizar o conteúdo das gravações. Segundo ele, a Polícia Federal ouviu apenas 0,001% das 250 mil ligações telefônicas e que as inúmeras reportagens produzidas, em todo o país, foram embazadas em menos de 0,5% do que a PF gravou.
Demóstenes indagou durante seu pronunciamento sobre a tática da PF: “E por que disso? Por que a Polícia selecionou apenas os trechos que selecionava à denúncia ?”. Para o senador tudo não passa de um plano bem sucedido e ardiloso para minar as resistências de quem acredita na sua inocência. “O que coloca a população contra o homem público é a edição a montagem e a interpretação dos diálogos”.
O parlamentar focou seu discurso em pedir que seja feita a perícia para mostrar a “ilegalidade” das provas, para que seja contextualizadas as gravações da PF. “De grão em grão foi ruída a história de uma vida honrada”, defendeu-se. Demóstenes disse que voltará a falar sobre as gravações e a manipulação dos aúdios.
“Há quatro meses vivo um calvário sem trégua. Uma demolição, sem sossego, sem paz”.
“É difícil mensurar a dor que esses ataques provocam em mim”.
“Fui ao fundo do poço, mas me reergui. Estou de peito aberto, lutando por minha biografia”.
”Há celeridade em jogar para os leões o corpo esqualido que roga por justiça”.
“Não há honra que resista a tamanho turbilhão”.
“A dor provocada pelo escândalo é quase insuportável. Uma das feridas mais profundas foi o isolamento”.