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Delegado Waldir: “é doloroso ter um criminoso na presidência da Câmara”

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11.12.2015 - 14:14:32
 
Sarah Mohn
 
Goiânia – Pré-candidato à prefeitura de Goiânia, o deputado federal Waldir Soares concedeu ao jornal A Redação uma entrevista polêmica em que expõe sem resistência sua opinião sobre o momento político do Congresso Nacional e confirma a queda de braço com o PSDB e o governador Marconi Perillo na tentativa de emplacar seu nome como representante da legenda para disputar o Paço Municipal em 2016.
 
O deputado disse ter certeza de que haverá impeachment de Dilma Rousseff (PT), mas sugeriu à presidente que renuncie antes de finalizado o processo. Salientou também que acredita na cassação do deputado Eduardo Cunha. "Para mim é extremamente doloroso e incômodo, eu que a vida toda prendi bandido, ter na presidência da Câmara um criminoso. E maior que todos os bandidos que eu prendi na minha vida."
 
Ao AR, ele assumiu que deve mesmo deixar o ninho tucano, agora que o Senado Federal aprovou uma emenda à Constituição garantindo janela de 30 dias para que deputados federais e estaduais e vereadores possam trocar de partido sem perder mandato. Declarou que não possui mais proximidade política com o governador, disse que o PSDB teve de engolir sua filiação e mandou recado aos correligionários: "acho bom eles comerem papel higiênico antes de me criticarem".
 
Delegado Waldir condenou a gestão estadual nas ações de segurança pública e disse que a área vive "um caos" em Goiás. Falou ainda que o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) deve "se preparar" para enfrentá-lo em 2016 e garantiu que não vai abrir mão da candidatura à prefeitura. "Não abro mão. Não existe composição. Como que eu vou compor com alguém, se eu tive 178 mil votos? Se alguém tiver mais votos que eu, eu componho."
 
 

(Foto: Kamylla Rodrigues/A Redação)
 
Confira todos os trechos da entrevista:
 
Impeachment de Dilma Rousseff
Brasília hoje está incendiária. Existe uma articulação do vice-presidente e das oposições para que o impeachment realmente aconteça. A tendência nessa linha foi a carta do Michel rompendo com a presidente. A vitória da nossa chapa também é de se considerar. Dia 13 agora as pessoas vão às ruas e, com certeza, vao ter outros movimentos de rua. E se acontecer realmente a participação popular, ela não se aguenta mais. Além disso, o país vive uma grande crise econômica. Não é apenas pelas pedaladas fiscais, pela corrupção na Petrobrás, o impeachment é um impedimento mais do que judicial, é político. Para quem teve 190 votos, é sinal que ela não tem maioria na Casa de leis. Se fosse no sistema parlamentarista, ela já teria caído há muito tempo.
 
Insegurança jurídica no Brasil
Apenas com a proposta de impeachment, o dólar baixou e as bolsas subiram. Mas essa demora na formalização desses atos e essa morte a conta gotas trazem consequências. Mas é uma questão gravíssima que precisamos resolver. O país continua sangrando. Seria de bom senso que a presidente renunciasse. Mas ela disse que é guerreira, que foi torturada e que não vai renunciar. Então, ela vai ver o povo brasileiro sangrar.
 
Michel Temer presidente
É a opção que nós temos. Mas existem outros questionamentos que dizem que ele também praticou pedaladas fiscais. De nove, ele teria assinado cinco propostas de pedaladas fiscais. Além do impeachment, há um julgamento no TSE. Se for julgado, o afastado será da chapa inteira. O presidente da Câmara assumiria, mas ele será cassado. E o presidente do STF teria que convocar novas eleições.
 
Cassação de Eduardo Cunha
Eu acredito que sim, ele será cassado. Ele é muito inteligente, financiou vários parlamentares, possui uma base de sustentação na Câmara. Acredito que não casse esse ano, mas vai ser cassado. Se não for na Câmara, o STF cassa. Para mim é extremamente doloroso e incômodo, eu que a vida toda prendi bandido, ter na presidência da Câmara um criminoso. E maior que todos os bandidos que eu prendi na minha vida. Isso é insustentável para muitos parlamentares de bem.
 
 
(Foto: Kamylla Rodrigues/A Redação)
 
Caos na Segurança Pública
Considerando que eu fui o mais votado em Goiânia, a minha principal preocupação é com o cidadão. Nós vivemos uma crise, um caos na segurança pública. Não podemos tampar o sol com a peneira. Goiânia é a quinta cidade mais violenta em vários sentidos. Mas também não deixo de entender o lado dos policiais. Houve um compromisso do governador com eles, foi feita uma lei. Eu acho que um governante, um administrador, ele tem que ter um planejamento. Tendo planejamento, ele não vai criar situações de risco, que podem colocar em jogo o nome dele e a sociedade. A responsabilidade pela segurança não deve ser apenas do Estado, mas também do município e do governo federal, abrindo os cofres para que se possa investir na área. Nós vivemos hoje uma insegurança pública em Goiás.
 
Saída do PSDB
Eu diria pra você o seguinte: eu tive uma conversa com o governador Marconi Perillo, já que sou do PSDB, mas não exigi em nenhum momento ser o candidato do PSDB. Eu coloquei como questão as regras limpas para a definição do candidato do PSDB. E o PSDB não ganha eleições em Goiânia há 20 anos. Para que o PSDB possa ganhar uma eleição aqui, o partido deve ter um candidato que tenha proximidade com o cidadão, um candidato que tenha cheiro de povo. E quem seria? Sou eu, delegado Waldir? Eu sugeri que o partido fizesse pesquisas através de três institutos de credibilidade e que aquele candidato que estiver melhor nas pesquisas deva ser escolhido como candidato do PSDB.
 
O governador e a proposta
Na verdade, o governador Marconi é uma pessoa muito inteligente e tem um planejamento, já tem os pré-candidatos dele. Na verdade, ele não vai (me) aceitar. O governador quer continuar mantendo controle político do PSDB e definir quem serão os candidatos. Eu não posso me submeter a isso. Se não houver essas regras claras, com certeza devo procurar um melhor caminho.
 
Convite de outros partidos
Havia uma possibilidade real que era eu migrar para partidos novos. Fui convidado por alguns partidos novos para me filiar, como o Partido da Mulher Brasileira. Teve o PN, poderia ter indo para esses partidos. Estão chovendo ligações dos deputados do PMB para que eu me filie ao partido. Eles têm até amanhã para filiar, porque essa emenda constitucional deve ser publicada somente na próxima semana. Eu recebi umas dez ligações de deputados federais que estão no PMB. Já são mais de 23 parlamentais querendo que eu vá para esse partido.
 
Recusa aos convites
Ah, sim, descartei. Agora eu estou aguardado uma resposta do governador, um posicionamento dele. Só que eu não vou aceitar candidato de colete. O governador, quando quis crescer politicamente, saiu do PMDB e foi para um partido pequeno. Depois foi para o PSDB. Iris Rezende, da mesma forma. Essa mesma liderança que o Marconi tem e que o Iris teve, eu também quero ter. Eu não quero ser um coadjuvante, eu falei para ele: “Governador eu tenho a mesma linha de liderança que o senhor.”. Eu não posso ser ofuscado, eu leio muitos livros, se você analisar nunca um governante quer que alguém ofusque o seu poder. Eu tenho que pensar não apenas em mim. Eu tenho que pensar nas pessoas que me elegeram, eu tive em Goiânia 178 mil votos, a maior votação.
 
 
(Foto: Kamylla Rodrigues/A Redação)
 
Relação com o governador
Alguns jornalistas já me falaram que eu deveria ser partidário. Na verdade, o PSDB não me elegeu, nenhum vereador, nenhum deputado, nenhuma liderança. Quem me elegeu foi o cidadão. Antes de representar o PSDB e representar o governador, eu represento o cidadão. A minha prioridade é o cidadão. Eu não tenho amor partidário. Eu tenho que estar em um partido político para entrar em uma disputa eleitoral. Minha relação como governador é institucional. Eu não sou da cozinha dele. Eu não sou do grupo político dele, de 1998. Eu entrei depois para o PSDB. Na verdade, o PSDB me engoliu.
 
Decepção com o PSDB
Hoje eu estou no PSDB, mas se for necessário amanhã eu mudar para outro partido para poder defender os interesses do cidadão com certeza não vou contar até dez para fazer isso, porque eu preciso estar em um lugar eu me sinta confortável, onde eu possa defender o interesse das pessoas. Eu não sou cabestrado, diferente de muitas pessoas que são e que tem um pedaço do bolo. Eu não tenho um pedaço do bolo. Isso me torna mais independente. Eles se sentem inconfortáveis com a minha presença, porque toda semana vários tucanos de alta plumagem me atacam. Até de baixa plumagem. Vou dar um exemplo: José Vitti, Nion Albernaz, todos eles me atacaram. Acho engraçado que eles me atacam, mas na verdade eles deveriam ajudar a pagar as contas do PSDB. Eu transfiro R$ 220 mil por mês de fundo partidário para pagar as contas do PSDB. Pergunta para esses que me atacam quanto que eles transferem por mês do salário deles ou de qualquer situação. Eles sugam o Estado, temos muito sanguessugas no Estado. Eu ajudo a pagar contas, são R$ 220 mil por mês para o PSDB nacional, estadual e municipal. Eu pago a conta até do cafezinho que eles tomam, até o papel higiênico que eles usam eu que ajudo a pagar. A próxima vez que eles forem usar meu nome, eu acho bom eles comerem papel higiênico antes.
 
Desejo de ser prefeito de Goiânia
Eu gosto de desafios. Goiânia hoje está abandonada. Além de ser violenta, é uma cidade suja. As pessoas estão morrendo por falta de UTIs. Não há equipamentos nos Cais. Vivemos um aumento constante de tributos municipais. Nós temos um quadro de 49 mil servidores na prefeitura de Goiânia, com nossa população sendo de 1,3 milhão pessoas, enquanto a prefeitura de Curitiba tem 30 mil funcionários para uma população de 1,8 milhão habitantes. Além das várias denúncias de corrupção em obras, como no Macambira, no Parque Mutirama, em viadutos etc. Eu estou pensado em mudanças para nossa cidade. A gente precisa devolver o direito de ir e vir às pessoas. Temos que pensar em uma Goiânia da periferia, chega de passar batom no centro da cidade. Temos a reforma de uma praça que custou R$ 11 milhões no centro da cidade, mas as pessoas que moram na periferia não têm vale transporte para ir a essa praça. As grandes praças devem estar na periferia, não apenas no centro. Precisamos de um prefeito que pense Goiânia da periferia para o centro.
 
Deputado candidato
Não abro mão. Não existe composição. Como que eu vou compor com alguém se eu tive 178 mil votos? Se alguém tiver mais votos que eu, eu componho. Mas não tem ninguém na história de Goiás que tem mais votos que eu. A minha campanha é uma das mais baratas do Brasil. Quem votou em mim votou porque gosta e confia no delegado Waldir como gestor e administrador. Essas pessoas votam porque conhecem e sabem do nosso trabalho. Eu acredito que em uma eleição majoritária eu deva atrair muito mais votos. As pessoas viram nesse primeiro ano de mandato que, de 513 deputados, eu fui escolhido pelo Congresso em Foco o 16º sexto melhor parlamentar. Após apenas nove meses de mandato, fui escolhido um dos melhores parlamentares. Se amanhã o Eduardo Cunha for casado é graças a uma pergunta do delegado Waldir. Estive nas comissões mais importantes, CPI da Petrobras, Comissão de Constituição e Justiça.
 
Gestão de Paulo Garcia
Para se chegar onde estamos, houve um conjunto de más administrações com muitas promessas e pouco resultado. Nada se faz da noite para o dia. “Vou solucionar o problema do transporte coletivo amanhã. Vou solucionar o problema da moradia amanhã”. Não se resolve nada de hoje para amanhã. A demora na cobrança do Imposto Progressivo nos lotes é um problema. Vivemos uma entrega aos interesses imobiliários. Várias ações corajosas que contrariem algumas pessoas deveriam ser tomadas. A reforma na Praça Cívica custou R$ 11 milhões e está inacabada. E a prefeitura sequer criou estacionamentos públicos ou parcerias com a iniciativa privada para alocar aqueles quase 3 mil carros que estacionavam ali. Temos que pensa Goiânia para o cidadão. Como falar em sustentabilidade, se a cada chuva há alagamento e mortes na capital? Que estabilidade é essa que não dispensa cuidado aos rios e córregos, mas se permite que esgoto seja despejado neles? Somos uma cidade que sequer possui plano de resíduos sólidos e programa de reciclagem.
 
Disputa com Iris Rezende
É ele que deve estar preparado parta me enfrentar. Se você pegar o resultado da última eleição, você verá que dois grandes candidatos com foco em Goiânia não foram eleitos, em razão da nossa votação. Dona Iris e Sandes Júnior, que tinham grande votação em Goiânia, não se elegeram. O que acontece é que o cidadão da periferia está cansado de ser enganado. E eu mostrei trabalho pela periferia. Hoje, não se sustenta mais o política que não esteja antenado com as ruas e as redes sociais. A sociedade espera um feedback.
 
Carências em Goiânia
Nós temos feitos algumas pesquisas com institutos diferentes, Fortiori, Serpes, que nos mostram que a principal carência hoje na capital é a segurança pública. Depois, a questão da saúde, da falta de creches, da mobilidade urbana e o transporte público caótico. Eu sou o deputado federal mais votado, então tenho feito essas pesquisas para saber o que o cidadão está pensando e o que ele quer. Eu não posso abandoná-lo.
 
Presença nas redes sociais
As redes sociais hoje são o meio de chegar ao cidadão, de ter contato pessoal com o cidadão. Eu tenho participado de reuniões, eventos, ido a igrejas, feiras, caminhadas, mas além disso estou sempre dando feedback nas redes sociais, inclusive ao vivo, em tempo real nas sessões. Tenho minha equipe que me ajuda, mas sou eu mesmo que alimento.
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por Adriana Marinelli

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