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De volta ao Mutirama

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19.11.2012 - 20:02:10
Tal qual minha amiga Nádia Junqueira, eu também voltei ao Mutirama nesse feriadão da Proclamação da República. Fui levar minhas garotas para brincar no parque reinaugurado com expectativa. Depois de tanto fala-fala envolvendo o espaço, estava curioso para ver como é que ficou tudo por lá. Tenho algumas boas (e outras nem tanto) considerações sobre o novo Mutirama.

Antes disso, é preciso posicionar o que é o parque no imaginário goianiense. Independente de classe social, todos que passaram a infância em Goiânia tiveram algum momento no Mutirama. Na maioria das vezes, é uma ocasião que guardamos com carinho nostálgico. Uma memória boa da infância de cada um. Essa característica de transversalizar classes sociais está no DNA do parque. E talvez essa seja o motivo maior de sua presença tão ostensiva no imaginário da cidade.

Acredito que a nova política de entrada limita um pouco essa característica histórica do parque. Antes, você tinha a entrada no Mutirama franqueada, sendo que só precisava pagar um ingresso simbólico caso desejasse fazer uso de alguns (os mais legais) brinquedos. Se você não tivesse grana, várias eram as opções gratuitas: o parquinho de areia, a parte dos dinossauros, as quadras esportivas, a pista de skate… Hoje, isso foi por terra. Você paga um valor simbólico para o passaporte (a propósito, 10 reais para o adulto e 5 para crianças de até 12 anos) e pode usar quantas vezes quiser os brinquedos que preferir.

Vejo dois problemas nessa nova política. O primeiro é que ao limitar a entrada somente mediante pagamento, aconteça uma elitização (higienização?) do público. A chamada “gente diferenciada” seja repelida pelo valor cobrado. O segundo também é nessa linha. Antes, os pais poderiam pagar somente para os filhos brincarem e ele não precisaria custear o ingresso. Agora isso não acontece mais. Mesmo que seja só para acompanhar, terá que morrer em 10 reais. Não seria um erro passar a cobrar ingresso em um espaço historicamente construído como de entrada franca? Eu acho que sim. Também não gostei da retirada das quadras, da pista de skate e de várias árvores do local. O bosque interno foi muito devastado para a chegada de novos brinquedos. Não acho que a decisão foi prudente.

Por outro lado, é fato que as novas opções do Mutirama seduzem todas crianças que ali chegam. O olhar das minhas filhas para cada opção era de puro encantamento. Impossível não me lembrar de quando era também criança e a fila do Autorama era um martírio de espera para poucos e intensos minutos de alegria na volta pelo parque. É uma gostosa sensação de pertencimento, de compartilhar com sua prole as mesmas experiências prazerosas que tive na infância, de mostrar para elas como é ser criança em Goiânia. Isso não tem preço.

No geral, a entrega do parque deu resposta a uma demanda da cidade em ter o espaço de volta. Mas ainda penso que a política de entrada restrita somente com pagamento é equivocada. Acredito que um retorno ao método anterior com opções de diversão gratuitas seria acertado. Diz a máxima que em time que está ganhando não se mexe. O Mutirama vem ganhando há décadas. #ficaadica

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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