Nesta 2ª feira, 28 de setembro, o governador Daniel Vilela se fez presente na casa onde viveu Bariani Ortêncio.
A área térrea da casa estava repleta de luminares da cultura goiana e de agentes referendados pelo bom currículo nos setores de criação e gestão cultural.
Foi um encontro político e cultural, onde a maioria das pessoas, segundo o próprio governador, num exercício de simpatia e humildade, estava aí porque “tem chance de votar em mim ou, no melhor dos casos, já decidiu me dar seu voto e sua confiança”.
O organizador do encontro, Kleber Adorno, ex-deputado estadual e ex-secretário de cultura municipal e estadual, citou nominalmente alguns dos presentes: Geraldo Coelho Vaz, Ubirajara Galli, Miguel Jorge, Pedro e João Novaes, Antônio César Caldas, Valdir Ferreira, Carol Borges, Valterli Guedes, Maria Luiza Póvoa, Tarzan de Castro, Carlos Brandão, Marshall Gayoso, Moka Nascimento, Eliseu Ferreira, Débora Torres, Léo Razuk, Helena Vasconcelos, Alcione Guimarães, Liah, Tão Curado, Gabriel Nascente, Aidenor Aires, Fausto Noleto, Walter Mustafé, Maria Abadia Silva, Beto Selva, Hamilton Carneiro e, parafraseando o antigo morador do lugar e pesquisador popular, mais um mundaréu de artistas, músicos, poetas, escritores, gestores e também alguns políticos, que ninguém vive sem eles: o experimentado deputado estadual Virmondes Cruvinel, o professor Wilmar Rocha, o diligente vereador Anselmo Pereira. E uma ruma de gente de fora: de Niquelândia, Paraúna, Mossâmedes, Luziânia, Jaraguá e cidade de Goiás. Do governo, a secretária de cultura Yara Nunes e o presidente do Conselho de Cultura, Carlos William.
Pois bem, até aí nada de novo no front da cultura. Muitos outros encontros de relevância quantitativa e qualitativa já ocorreram no mesmo local, quando em vida o escritor, dicionarista, folclorista e compositor Bariani Ortêncio. Sua casa sempre funcionou com um hub cultural, agora redivivo.
Mais afetiva que técnica, foi uma conversa de pé-de-ouvido, como diria o antigo morador, em que foram relembrados momentos do PMDB na condução do Estado e da qual se depreendeu mais uma vez que a cultura vive sem o Governo, mas o Governo não consegue viver sem a cultura.
O que havia de novo ali era mesmo o governador, de seus 42 anos bem vividos, demonstrando que sabe escutar para dizer o que todos queriam ouvir: “A Cultura teve nos últimos anos o seu maior orçamento estadual e vocês podem ficar tranquilos que em meu governo ela não terá um centavo a menos, pelo contrário, terá ainda mais recursos”.
Sim, foi uma tarde quente, boa para lavrar e acolher sementes. E de um clima que nos inspira a fazer um alerta ao governador que tem no horizonte a eito de um mandato inteirinho pela frente.
A Cultura não é como a saúde, que quando mais hospitais e atendimento à população, menos gente doente. Nem é como o emprego, que quanto maior a oferta menos gente desiludida e desempregada. Tampouco a Cultura tem a mesma lógica da moradia, que quanto mais casas populares, menos pessoas sem teto. Não, a Cultura foge à regra. Quanto mais lemos e escrevemos, por exemplo, mais veremos despertar a vontade de escrever e ler livros. Quanto mais ouvimos música, mais vamos querer compor e ouvir e frequentar festivais. Quanto mais centros culturais e museus, mais a população vai querer ter eles à sua disposição e visitar com as novas gerações. A cultura, sr. governador, é como caixa de marimbondos, quanto mais mexe com ela, mais agitada e ativa ela fica.
Ouvindo e conversando, o governador Daniel Vilela demonstrou ter bom humor e tranquilidade. Deu ares de quem conhece o setor e sabe onde está pisando. Pudera, ele tem em seu DNA a visão de um futuro maior, que só a cultura possibilita.
Ali naquela tarde, junto aos pilotis que sustentam a casa modernista do Bariani, percebemos baixinho o som de marimbondos ferrosos. Sorridentes, ensaiando revoadas, com um zum-zum crescente no ambiente. Acreditando, trabalhando e torcendo pela vitória de todos -e prontos para ferroar o Estado inteiro.
*Px Silveira é biógrafo, produtor cultural, membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), curador do Instituto Biapó e diretor presidente do Instituto ArteCidadania.
