Logo
'vice-prefeita de Goiânia (Foto: divulgação)

Cuidar da cidade é assumir o nosso lugar nela

WhatsAppFacebookLinkedInX
24.08.2026 - 14:18:40

A humanidade avançou, mas passou a consumir como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Retiramos mais da natureza, produzimos mais resíduos e, muitas vezes, apenas transferimos o problema para longe dos nossos olhos. O resultado está nos rios degradados, na perda de biodiversidade, nas mudanças climáticas e nas temperaturas cada vez mais extremas. Diante disso, que relação estamos construindo com o planeta e com o futuro que queremos?

Nossa relação com o consumo mudou. Aquilo que antes era feito para durar, hoje muitas vezes é rapidamente substituído. Compramos pela internet, recebemos produtos cercados por embalagens, pedimos refeições por aplicativos e somos estimulados continuamente a consumir. A tecnologia trouxe conforto e avanços, mas também ampliou a quantidade de resíduos que produzimos. O desafio não é rejeitar o progresso, mas fazer com que ele caminhe junto com a sustentabilidade.

O que consumimos não desaparece quando sai da nossa frente. Um resíduo retirado da porta de casa e jogado na rua de baixo não deixa de existir. Apenas muda de lugar e o impacto não tem endereço. É nesse ponto que a consciência ambiental se encontra com a responsabilidade pública e individual.

A Prefeitura tem o dever de cuidar da cidade e Goiânia vem avançando na recuperação da zeladoria, com a reestruturação da Comurg, a atuação da Limpa Gyn e uma gestão mais eficiente dos serviços. Mas uma cidade bem cuidada é muito mais do que uma cidade limpa. É uma cidade com espaços públicos preservados, mais segurança, qualidade de vida, valorização dos bairros e melhores condições para a convivência.

Nenhuma gestão, entretanto, conseguirá manter uma cidade limpa sozinha. Podemos limpar uma praça hoje e encontrá-la novamente degradada amanhã. Podemos retirar um ponto de descarte irregular e vê-lo ressurgir poucos dias depois. Isso mostra que zeladoria também é educação, comportamento e cidadania.

O poder público deve fazer a sua parte e deve ser cobrado por isso. Mas a população também precisa reconhecer que possui responsabilidades. Cidadania não é apenas reivindicar direitos; é também compreender os deveres que tornam possível a vida em sociedade.

Essa mudança começa em atitudes simples: acondicionar corretamente os resíduos, reduzir descartáveis, reutilizar o que for possível e, sobretudo, não descartar aquilo que não queremos em nossa casa nos espaços que pertencem a todos. São pequenas ações que, quando transformadas em hábitos, produzem grandes mudanças.

Educação ambiental, por isso, não pode ser apenas uma campanha. Precisa começar na escola e continuar em casa, no trabalho, nas ruas, nas praças e nos parques. Precisamos formar cidadãos que não apenas cobrem uma cidade melhor, mas que se reconheçam como parte da construção dela. Existe uma ideia que sempre carreguei comigo: devemos deixar por onde passarmos aquele lugar melhor do que quando chegamos. Isso vale para a nossa casa, para o trabalho e, principalmente, para os espaços que compartilhamos.

É esse sentimento de pertencimento que precisamos fortalecer. Quando entendemos que a cidade também é nossa, passamos a cuidar dela de outra maneira. A praça deixa de ser apenas um lugar que alguém precisa limpar. A rua deixa de ser apenas um caminho. O espaço público passa a ser compreendido como parte da nossa própria vida.

Cobrar é um direito e um dever democrático. Participar também. E participar significa cuidar, preservar, respeitar e colaborar. É assim que vejo a gestão pública e também a minha própria missão: procurar fazer a diferença onde estou, ainda que por meio de pequenas conquistas. Uma praça revitalizada, uma escola melhor cuidada ou um espaço público recuperado podem parecer ações pontuais, mas, somadas, ajudam a transformar uma cidade.

A Goiânia que queremos para as próximas gerações não será construída apenas pelos grandes projetos ou pelas decisões tomadas nos gabinetes. Ela também será construída nas escolhas que fazemos todos os dias. A cidade que queremos depende de nós.

Depende de uma gestão pública que cumpra seu dever e de cidadãos que exerçam seus direitos, mas também assumam suas responsabilidades. Porque uma cidade verdadeiramente limpa, sustentável e humana não é aquela em que alguém está sempre disponível para limpar depois de nós.

É aquela em que cada um entende que também tem o dever de cuidar. Goiânia é de todos nós. E o futuro que queremos para ela começa naquilo que cada um decide fazer hoje.

*Coronel Cláudia Silva Lira: vice-prefeita de Goiânia

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Coronel Cláudia Silva Lira

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]