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'vice-prefeita de Goiânia (Foto: divulgação)

Cuidar da cidade é assumir o nosso lugar nela

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24.08.2026 - 14:18:40

A humanidade avançou, mas passou a consumir como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Retiramos mais da natureza, produzimos mais resíduos e, muitas vezes, apenas transferimos o problema para longe dos nossos olhos. O resultado está nos rios degradados, na perda de biodiversidade, nas mudanças climáticas e nas temperaturas cada vez mais extremas. Diante disso, que relação estamos construindo com o planeta e com o futuro que queremos?

Nossa relação com o consumo mudou. Aquilo que antes era feito para durar, hoje muitas vezes é rapidamente substituído. Compramos pela internet, recebemos produtos cercados por embalagens, pedimos refeições por aplicativos e somos estimulados continuamente a consumir. A tecnologia trouxe conforto e avanços, mas também ampliou a quantidade de resíduos que produzimos. O desafio não é rejeitar o progresso, mas fazer com que ele caminhe junto com a sustentabilidade.

O que consumimos não desaparece quando sai da nossa frente. Um resíduo retirado da porta de casa e jogado na rua de baixo não deixa de existir. Apenas muda de lugar e o impacto não tem endereço. É nesse ponto que a consciência ambiental se encontra com a responsabilidade pública e individual.

A Prefeitura tem o dever de cuidar da cidade e Goiânia vem avançando na recuperação da zeladoria, com a reestruturação da Comurg, a atuação da Limpa Gyn e uma gestão mais eficiente dos serviços. Mas uma cidade bem cuidada é muito mais do que uma cidade limpa. É uma cidade com espaços públicos preservados, mais segurança, qualidade de vida, valorização dos bairros e melhores condições para a convivência.

Nenhuma gestão, entretanto, conseguirá manter uma cidade limpa sozinha. Podemos limpar uma praça hoje e encontrá-la novamente degradada amanhã. Podemos retirar um ponto de descarte irregular e vê-lo ressurgir poucos dias depois. Isso mostra que zeladoria também é educação, comportamento e cidadania.

O poder público deve fazer a sua parte e deve ser cobrado por isso. Mas a população também precisa reconhecer que possui responsabilidades. Cidadania não é apenas reivindicar direitos; é também compreender os deveres que tornam possível a vida em sociedade.

Essa mudança começa em atitudes simples: acondicionar corretamente os resíduos, reduzir descartáveis, reutilizar o que for possível e, sobretudo, não descartar aquilo que não queremos em nossa casa nos espaços que pertencem a todos. São pequenas ações que, quando transformadas em hábitos, produzem grandes mudanças.

Educação ambiental, por isso, não pode ser apenas uma campanha. Precisa começar na escola e continuar em casa, no trabalho, nas ruas, nas praças e nos parques. Precisamos formar cidadãos que não apenas cobrem uma cidade melhor, mas que se reconheçam como parte da construção dela. Existe uma ideia que sempre carreguei comigo: devemos deixar por onde passarmos aquele lugar melhor do que quando chegamos. Isso vale para a nossa casa, para o trabalho e, principalmente, para os espaços que compartilhamos.

É esse sentimento de pertencimento que precisamos fortalecer. Quando entendemos que a cidade também é nossa, passamos a cuidar dela de outra maneira. A praça deixa de ser apenas um lugar que alguém precisa limpar. A rua deixa de ser apenas um caminho. O espaço público passa a ser compreendido como parte da nossa própria vida.

Cobrar é um direito e um dever democrático. Participar também. E participar significa cuidar, preservar, respeitar e colaborar. É assim que vejo a gestão pública e também a minha própria missão: procurar fazer a diferença onde estou, ainda que por meio de pequenas conquistas. Uma praça revitalizada, uma escola melhor cuidada ou um espaço público recuperado podem parecer ações pontuais, mas, somadas, ajudam a transformar uma cidade.

A Goiânia que queremos para as próximas gerações não será construída apenas pelos grandes projetos ou pelas decisões tomadas nos gabinetes. Ela também será construída nas escolhas que fazemos todos os dias. A cidade que queremos depende de nós.

Depende de uma gestão pública que cumpra seu dever e de cidadãos que exerçam seus direitos, mas também assumam suas responsabilidades. Porque uma cidade verdadeiramente limpa, sustentável e humana não é aquela em que alguém está sempre disponível para limpar depois de nós.

É aquela em que cada um entende que também tem o dever de cuidar. Goiânia é de todos nós. E o futuro que queremos para ela começa naquilo que cada um decide fazer hoje.

*Coronel Cláudia Silva Lira: vice-prefeita de Goiânia

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por Coronel Cláudia Silva Lira

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